Ípsilon, 25 anos de serviço Público
Revista especial de 96 páginas sai esta quinta-feira. Entrevistas ao editor histórico Vasco Câmara e ao atual editor Pedro Rios.
Por um dia e por uma edição, o Ípsilon ganha vida autónoma face ao jornal mãe, o Público, e engalana-se como uma revista de 96 páginas à parte, de lombada vigorosa, para celebrar os 25 anos do descartável cultural que tem sido difícil de ser descartado às sextas-feiras. Talvez para marcar a diferença como uma edição verdadeiramente especial, esta revista sai a uma quinta-feira. Amanhã, o Ípsilon - e o Público que o abriga - retoma a vida normal, quem sabe para mais 25 anos ou mais. Já folhearemos mais adiante esta edição especial, guiados pelas respostas do editor atual do Ípsilon, Pedro Rios. Mas, antes um pouco de enquadramento.
PÚBLICO EM 1990, Y EM 2000
Em 1990, a comunicação social estava mais vivaça. Pesava nas bancas uma diversidade de títulos, alguns deles vespertinos, que, imagine-se, pareciam ainda destinados à eternidade. E a rádio de informação estava a ser revolucionada pelo espírito aguerrido da TSF, sob os comandos de Emídio Rangel. Já iam a todo o lado, ou como diziam, “até ao fim da rua”, “até ao fim do mundo”. Na verdade, tal era a aceleração, já lá estavam antes de o afirmarem – e os nossos ouvidos iam atrás, bem habituados àquele frenesi. Em 1990, ainda não havia televisão privada. Só dois canais da RTP. Quem dava o abanão era o bloco noticioso Jornal das 9, na RTP 2, com mais profundidade e mais cor informativa que o acinzentado Telejornal da RTP 1, que parecia o cumprimento de uma formalidade noticiosa em pouco mais de meia-hora (a coisa boa). O conforto institucional do semanário Expresso contrastava com o humor aguçado e arriscado, e vá, cruel, do concorrente O Independente, com direito a departamento de títulos e tudo. E os resultados estavam à vista, com belos trocadilhos, sem dar Cavaco a ninguém. A oposição ao governo PSD fazia-se também nas páginas d’O Independente e o medo não fazia falta nenhuma. Tempos divertidos e algumas gargalhadas soltas dos leitores nos cafés. Coisas que iam acontecendo e que se iam ouvindo.
A nível de jornais diários matutinos, as eternidades eram o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias. Mas o empresário portuense Belmiro de Azevedo, tantas vezes conhecido como “o mais rico de Portugal”, ia entrar em cena e não seria para brincar, certamente. O diretor do jornal é escolhido a dedo, Vicente Jorge Silva, a quem a imprensa escrita (e, generalizemos, o país) tanto deve. Público é o nome escolhido. Mas o parto é demorado. E já se sabe, este país de dez milhões comporta-se como uma aldeia e a maledicência está sempre à espreita perante o acidente dos outros. Se tanto se comenta um estacionamento atabalhoado, imagine-se um jornal ambicioso que falha a saída do primeiro número, em janeiro de 1990. Os motivos foram problemas técnicos considerados “insuperáveis”. Mas as vozes da má língua só tiveram dois meses para se entreterem, antes de terem que ir buscar outro assunto. Vidinhas para uns, vida para o Público, que a partir de março de 1990 se afirma como um diário de referência, que sobrevive até hoje. Várias secções vingam como fortes, entre elas a cultura. Das enciclopédias bípedes e ambulantes que espalham conhecimento e espírito crítico nas páginas de jornais portuguesas, algumas e não poucas vão parar ao Público. Dê-se um corte geral de energia, as luzes destes faróis humanos não se apagam, acumuladores de conhecimentos que, por vezes, nem a meio do trajeto vão. As suas letras saltitam nas páginas do jornal e dos seus suplementos, como o Mil Folhas (sobre livros) ou o Pop-Rock e mais tarde Sons (dedicados à música), entre outros.
Chegados a 2000, chegamos ao Y, ou Ípsilon, suplemento cultural que tem sido enclave de resistência num espaço de comunicação social titubeante na atenção à vida trepidante das artes. Tudo o resto são secções (como a da revista do Expresso) ou obstinações individuais de jornalistas dispersos noutros meios. O Y tem sido um tronco de braços abertos à cultura, de raízes fortes. Parece também uma fisga sem elástico na figura do caractere, mas as fisgadas estão nas páginas do suplemento, só as que forem necessárias. A perspetiva transversal da cultura é dada todas as semanas. A banalidade é uma ameaça permanente às nossas vidas urbanas, e o Ípsilon dá só mais um empurrão para algo mais estimulante para todos nós.
Quem melhor que o jornalista de cinema Vasco Câmara para nos enquadrar em profundidade sobre o surgimento do suplemento Y? Ninguém. Vasco Câmara foi o fundador e o editor ao longo de 23 anos deste suplemento. “O Y nasce a partir de dois suplementos anteriores, que é o Artes e Ócios e o Fim-de-Semana. Quando o Público apareceu nos anos noventa, eram tempos bastante utópicos e havia um suplemento todos os dias. O Público tinha seis suplementos e uma revista ao domingo. Eram suplementos sectoriais. Havia um suplemento de discos, um suplemento de cinema, um suplemento de livros, um suplemento de tecnologia. Isso foi nos anos noventa e, obviamente, que a utopia teve que depois se confrontar com a realidade. Era como lançar todos os dias um semanário. Esse modelo não continuou. Houve suplementos que foram reagrupados. Apareceu um suplemento de fim-de-semana, que se chamava suplemento de Fim-de-Semana, só que saía à sexta-feira. Esse suplemento depois deu lugar a um outro, que é o Artes e Ócios, e o Y decorre desse modelo. Graficamente, não tinha nada a ver, mas era aquele modelo de fazer um misto de agenda das coisas mais importantes da semana, mas que não fosse apenas só isso, que fosse capaz de elaborar sobre os assuntos, de fazer dossiês e reportagens. O Y introduziu uma componente gráfica mais trabalhada. Houve ainda uma versão inicial do Y em que o Y era a própria letra. Não era só a letra, e depois passou a ser Y por extenso, e aí até com o projeto gráfico de uma equipa inglesa. Há de facto antecedentes do suplemento, que têm a ver com o próprio projeto editorial do Público”.
Como nome de suplemento, a letra Y, pouco familiar ao alfabeto português, causou estranheza na altura do seu surgimento. “Começou como uma brincadeira, havia a geração X, e a ideia era o que é que vem a seguir. O que vem a seguir é o Y. Foi uma brincadeira no início, mas quisemos também dizer que com essa letra queríamos ultrapassar uma série de clichês que começavam a cristalizar em relação a tudo o que tinha sido nomeado como a geração X e queríamos dizer que éramos um suplemento para pessoas completamente diferentes. Aliás, naquele momento eu acho que nós sabíamos mais ou menos quem é que eram os nossos leitores. Não sei se hoje a gente ainda sabe quem são os leitores dos jornais, mas naquela altura sabíamos e percebemos que tínhamos ali umas pessoas de idades diferentes e o que as unia era o facto de quererem ser consumidores de cultura”, resume Vasco Câmara, que continua há várias décadas como um dos críticos de cinema do jornal.
O IMPACTO DO ÍPSILON AO LONGO DOS ANOS NA NOSSA VIDA CULTURAL
O Ípsilon surgiu num período concorrencial com outro diário, o Diário de Notícias, num contexto muito mais vivo de informação cultural. Havia ainda o jornal Blitz, o Jornal de Letras. Só o suplemento Ípsilon sobrevive, como uma marca incontornável deste século ainda tão jovem. A comandar esta resistência, esteve evidentemente Vasco Câmara. “O jornal Público passou por uma série de tempestades, que foram as tempestades que assolaram toda a imprensa mundial e portuguesa. Nunca achei que o jornal Público pudesse acabar e não imagino o país sem um jornal como o Público. Nos jornais, quando há uma crise ou quando chega a altura de fazer contenção de despesas ou de fazer remodelações, a cultura é sempre a primeira a ser a ser abatida. Há uma marca no Público, que pelos vistos confirma a sua força, da cultura como uma secção fundamental. Houve duas ou três secções que ajudaram, nos anos noventa a impor o projeto Público. Uma delas foi a secção Internacional. Os jornais não tinham essa capacidade, essa leitura viva e atual do que se passava no mundo, com os correspondentes, e o Público deu um passo em frente. A cultura foi outra dessas secções. Portanto, eu acho que isso está na génese do projeto. É uma das impressões digitais. Portanto, eu acho que o Ípsilon é intrínseco neste momento ao Público. E, portanto, existindo o Público, vai ter que existir o Ípsilon”.
O Ípsilon tem um grande peso no mundo da cultura em Portugal. Isso pode ter a ver também com o esvaziamento de meios de comunicação ligados à cultura. Hoje em dia temos o Ípsilon e o Expresso e pouco mais. Pedro Rios, o atual editor do Ípsilon, tem noção dessa importância”, do suplemente. “E nem sempre é fácil, porque ao mesmo tempo que várias publicações deixaram de existir, a própria noção de jornalismo cultural, de certa forma, foi torpedeada de várias maneiras ao longo destes anos, ao mesmo tempo em que há este cenário pouco positivo para o jornalismo. A música, que é a que eu acompanho mais de perto como jornalista, cresceu bastante mais, em contraciclo com o jornalismo. Ou melhor, o jornalismo é que está em contraciclo”.
A Vasco Câmara, não agrada nada este peso grande do Ípsilon no nosso mundo cultural, face ao deserto concorrencial. “Isso é uma desvantagem. Ou seja, eu acho que a falta de concorrência não é nada boa. Houve uma altura em que havia suplementos. Neste momento, não há suplementos culturais. A própria revista do Expresso é um objeto um bocado diferente de um suplemento de cultura, é outra coisa. Portanto, neste momento o Ípsilon está completamente isolado e sozinho. É um sinal de que há uma aposta do jornal, mas eu acho que não é bom, porque é revelador de como os consumos se alteraram, como a relação das pessoas com a imprensa, com a imprensa escrita, com a imprensa, digamos convencional. Para mim, as redes sociais não são órgãos de informação, mas as pessoas de facto transitaram e passaram para algo de mais preguiçoso, menos ativo, mais passivo. Acham que não precisam dos jornais, porque têm as redes sociais. Portanto, a relação com a cultura também se esfarelou um pouco. Vemos muito nas redes sociais que as pessoas se motivam, dizem que vão ali, vão ver aquele filme, ver aquela peça de teatro, vão ver isto e aquilo, e depois ninguém vai e as salas estão vazias. O Ípsilon tem que enfrentar essa alteração, porque o mundo mudou e o jornal tem que resistir. O Ípsilon é um sinal de resistência, num período muito, muito complicado. O mundo tornou-se outra coisa”.
É impossível agradar a gregos e troianos, quando se publica alguma coisa. Os críticos de cinema chegaram a ser poupados dos visionamentos, como aconteceu com os filmes produzidos pelo Tino Navarro. Mas Vasco Câmara vê essas hostilidades “com imenso humor e nada preocupados em relação a isso. Se o Ípsilon fosse um objeto ou um suplemento consensual, acho que haveria um problema qualquer. Sempre houve pessoas que gostaram muito do suplemento, sempre houve pessoas que não gostaram nada. Sempre nos acusaram de ser isto ou aquilo, ou porque éramos snobes, ou porque éramos elitistas. Mas também nos acusaram do oposto, de querer ser popularuchos. Eu acho que cada um estabelece a relação com o jornal que quiser e que puder. Nunca houve nenhuma hostilidade da parte de alguma entidade ou de algum produtor, que nos tivesse impedido fazer o nosso trabalho em nenhum momento. Várias vezes produtores ficaram irritados com a maneira como nós cobrimos alguma coisa ou algum filme e não nos deixarem entrar nas salas. E nós continuámos a escrever sobre os filmes, íamos vê-los, quando os filmes estreavam e escrevíamos sobre eles. Portanto, não houve nunca nenhuma situação que nos tivesse impedido de fazer o que nós queríamos. Essas escaramuças fazem parte do jogo e, portanto, acho que nós, acima de tudo como jornalistas, temos que ser superiores a isso e temos que perceber que qualquer que seja a crise, o importante é o leitor e, portanto, o leitor não tem culpa disso. O leitor não pode ficar privado de nada e isso para mim é o fundamental”.
Ao longo dos últimos dez anos, a crítica e os artigos sobre cultura parece que se tornaram esmagadoramente positivos, em comparação, por exemplo, com os anos 90 ou os anos 80, em que parecia haver mais destemor na imprensa. Mas Vasco Câmara discorda deste ponto de vista. “Em algumas áreas, a crítica desapareceu. Isso deve-se a uma série de circunstâncias e, em alguns casos, os jornais abdicaram, por razões económicas, de ter críticos. Cria-se uma espécie de misto de informação e de espetáculo, no lugar daquilo que é o olhar crítico de alguém que tem uma opinião fundada sobre as coisas. Isso não se passa num jornal como o Público. Tivemos já uma equipa de críticos muito maior daquela que temos. Há áreas que hoje estão mais desprotegidas do que estavam, mas obviamente, a minha referência é sempre os anos 90, que foi um momento muito breve e bastante eufórico. Não temos críticos nas áreas todas, mas não me parece que o que os textos sejam menos agressivos. Pelo contrário, por exemplo, os críticos de cinema do Público são ‘acusados’ de serem por vezes demasiado agressivos. Eu não acho isso sequer, mas, às vezes, são acusados. De qualquer maneira, a crítica vai sempre criar alguma rutura. Não faz sentido a crítica estar a ser uma espécie de voz de um conjunto das pessoas, ou dos espetadores. Se não, não faria sentido a crítica existir. A crítica existe para confrontar, para incomodar, para pensar, para destabilizar, para conversar e para estabelecer um diálogo. Não existe para fazer consenso, nem para ser uma espécie de eco daquilo que as pessoas pensam. Portanto, é natural haver sempre uma fratura, ou até, às vezes, uma certa agressividade entre quem escreve e quem lê, isso sempre existiu. O que agora existe é a possibilidade de ser verificado. Como existem as redes sociais e as caixas de comentários nos jornais, é mais facilmente demonstrável que existe essa espécie de crispação. Mas isso sempre existiu, desde os anos 60. Os críticos já diziam mal de filmes que as pessoas de maneira geral gostavam”.
A EDIÇÃO ESPECIAL COM AS SUAS 50 APOSTAS
Como edição para colecionar, já está à venda a revista especial de celebração dos 25 anos do Ípsilon. O jornalista e editor Pedro Rios faz a descrição detalhada: “é uma revista que tem noventa e seis páginas e que vive de forma autónoma nas bancas. É uma revista especial em que, por um lado, olhamos para o que foram estes 25 anos e, por outro, olhamos para a frente, porque sempre foi essa a matriz do suplemento: a procura do que está aí, do emergente, do que está a efervescer e, portanto, quisemos que também isso estivesse na revista e se materializasse no artigo com que a revista abre, em que escolhemos o que nós chamamos de "apostas ganhas da vida do suplemento"; ou seja, vinte e cinco apostas ganhas do passado e do presente da cultura portuguesa em que apostamos. Para dar alguns exemplos das diversas áreas da cultura, os Buraka Som Sistema, a Dulce Maria Cardoso, o Miguel Gomes, a Marlene Monteiro Freitas. E além destas 25 apostas ganhas, fazemos 25 apostas para o futuro. Portanto, tentamos olhar para a frente e para o que já é o presente da cultura portuguesa. Além deste tema, que digamos assim, é o tema âncora da revista, também fazemos vários mergulhos no nosso arquivo. Escolhemos 25 fotografias memoráveis que publicamos nestes 25 anos. Temos uma entrevista ao Simon Reynolds, que é um conhecido jornalista inglês que tem uma tese sobre como a cultura pop nos últimos anos e neste século, que no fundo é o século do Ípsilon, como a cultura pop que é fundamentalmente nostálgica ou retromaníaca, como ele diz. Temos também um olhar para o autotune como um dos instrumentos ou um dos sons definitivos destes 25 anos. Temos um ensaio do António Guerreiro sobre jornalismo cultural e um olhar também para a internet, como ela evoluiu nestes 25 anos, porque também foram os anos em que a internet passou de uma certa utopia para uma certa distopia. Temos também um olhar para a inteligência artificial e para as consequências que ela já está a ter no campo literário, sobretudo na tradução e na própria edição de livros. Esta edição vive à parte do Ípsilon normal. Tanto é assim que sai na quinta-feira, dia 27, e não à sexta-feira, como é habitual no Ípsilon. Gostava também de falar da capa, que também é algo distintivo desta revista, em que nós tínhamos esta ideia de titular a revista como o tempo da cultura, porque esses 25 anos foram, em grande medida, o tempo em que a cultura ganhou uma preponderância grande nos debates até políticos que hoje tomam conta do espaço público. E acreditamos que será assim no futuro e, por isso, tendo este título suficientemente aberto para uma revista que vai a vários sítios também, desafiamos o artista AkaCorleone, que é conhecido sobretudo como “artista urbano”, a fazer a nossa capa. Ele fez uma peça inédita para a capa da revista. Também é um dos motivos de interesse desta edição".
Esta edição especial sai 17 dias depois da data de efeméride dos 25 anos do Ípsilon. “Idealmente, teria saído no dia 10”, admite Pedro Rios. “Mas quisemos fazer uma edição o mais interessante possível, mais do que nos agarrarmos à data e queríamos que ela saísse em novembro, o mês fundador. Mas claro que se tivesse saído no dia 10, teria sido ainda mais perfeitinho. Mas não quisemos que isso nos travasse, digamos assim, e, portanto, queríamos era que saísse em novembro e aí está ela”.
O PRESENTE E O FUTURO PRÓXIMO
O Ípsilon tem-se mantido fiel ao formato de transversalidade cultural em cerca de 32 páginas, durante 25 anos. Mas Pedro Rios repara nalguns detalhes que, somados, se consumam numa grande mudança. “Temos feito uma evolução dentro de um formato que nos levou a várias edições do passado e a vários figurinos do suplemento, que é hoje muito diferente daquele que existia em 2000, mas que também é muito diferente do que existia em 2007. Sendo muito diferente, ao mesmo tempo também tem muitas semelhanças. Portanto, ele foi evoluindo até graficamente e de forma incremental e sem grandes ruturas. Neste momento, não está prevista nenhuma rutura. O que gostávamos de fazer é sempre manter o espírito aberto para incluir diferentes manifestações de cultura. Por exemplo, recentemente temos prestado um pouco mais de atenção à música pesada, ao heavy metal e a várias manifestações do metal. Ainda se conta pelos dedos das mãos a presença dessa música no suplemento. Mas é uma área que, de certa forma, tem andado arredada das páginas do Ípsilon e que, por nenhuma razão específica, gostaríamos de incluir também. Volta e meia, e aqui é mesmo volta e meia, também olhamos para o universo dos videojogos, e gostávamos de voltar a ter com mais frequência a arquitetura no suplemento. Claro que todos estes desejos nem sempre são de transformação fácil. Queremos continuar a prestar atenção ao que sempre demos. Portanto, estas mudanças no suplemento acabam por ser orgânicas. Vamos pelos temas, mais do que por áreas. Ou seja, se durante uma dada semana acharmos que o mais importante é um projeto de arquitetura, se calhar é para aí que nos devemos voltar, mais do que tentar ter novas áreas. Até porque o espaço é limitado e ainda vivemos, nós no Ípsilon, essas limitações do formato de papel. Não está prevista nenhuma rutura especial, mas vamos continuar a procurar que o Ípsilon seja um espaço para manifestações culturais a que ainda não prestamos a devida atenção”.
