Já passaram 25 anos do 11 de setembro que chocou e mudou o mundo

Morreram quase 3 mil pessoas nos atentados nos EUA, que envolveram quatro aviões. Dois deles fizeram colapsar as Torres Gémeas, em Nova Iorque.

Há 25 anos o mundo assistiu em direto áquele que é considerado o maior ataque ao território norte-americano. A 11 de setembro de 2001, quatro aviões comerciais foram sequestrados por terroristas da Al Qaeda. Era início da tarde em Portugal quando tudo começou.

No espaço de poucos minutos (13h46 e 14h04 em Portugal), dois aviões embateram nas Torres Gémeas, em Nova Iorque, que acabaram por colapsar. O terceiro avião colidiu no edifício do Pentágono, nos arredores de Washington D.C. O quarto despenhou-se num descampado na Pensilvânia, acredita-se que tinha como alvo o Capitólio ou a Casa Branca.

Morreram quase 3 mil pessoas nos atentados, nove eram portuguesas ou lusodescendentes. Em Nova Iorque, seguiu-se uma crise de saúde pública, em que milhares de pessoas terão morrido por causa da poeira e dos materiais tóxicos que resultaram do colapso das torres.

"É difícil de compreender que já passaram 25 anos"

Vinte e cinco anos depois dos atentados, ainda é fresca a memória dos aviões a colidir contra as Torres Gémeas.

Nove dos quase 3 mil mortos eram portugueses ou lusodescentes, um deles amigo de Paulo Pereira, presidente da Câmara de Mineola, nos arredores de Nova Iorque.

"Um amigo meu com quem eu estudei na faculdade, João Aguiar Júnior, que é de Galamares, em Sintra, e conhecido por JJ. Morreu com 30 anos e eu tinha 30 anos quando isto aconteceu. Portanto, para mim isto foi muito mais pessoal, muito mais íntimo. Portanto, eu penso nele muito. Todos os anos faço uma corrida que se chama Tunnel to Towers, e faço em honra dele agora no fim de setembro, para me lembrar, e vou sempre visitar a lápide onde tem o nome dele na torre número dois", diz.

Paulo Pereira era na altura professor de história numa escola secundária em Mineola, onde estava a dar aulas no momento dos ataques: "lembro-me de tentar acalmar os alunos, aqueles que tinham familiares e pais que trabalhavam em Nova Iorque. Eu também tinha amigos e familiares que trabalhavam em Nova Iorque. Claro que a rede de telemóveis foi-se abaixo. Dificilmente podíamos entrar em contacto com eles. Portanto, passamos o restodo dia tipo zombies, a pensar como é que isto é possível, como é que isto foi possível".

ENTREVISTA A PAULO PEREIRA - AUTARCA DE MINEOLA SOBRE O 11 DE SETEMBRO

A mudança na aviação comercial e o medo de voar

Depois dos ataques, seguiu-se o medo de voar para muitos passageiros durante alguns meses.

José Correia Guedes, antigo piloto e comandante da TAP, recorda a primeira viagem que fez após os atentados com destino a São Paulo, no Brasil: "não vou dizer de terror, mas aquilo parecia um velório na parte dos passageiros. Eu levo 300 passageiros comigo, tripulantes eram 11 ou 12, já não me lembro. Ia tudo a pensar o que é que vai acontecer a seguir. A seguir seremos nós, porque qualquer avião, de qualquer país, de qualquer companhia, a partir de agora pode ser usado como um míssil".

O certo é que a segurança na aviação comercial mudou e muito a partir do 11 de setembro de 2001. Passou de precária a excessiva, na opinião do antigo piloto.

"A partir do 11 de setembro, já todos nós tivemos essa experiência, somos todos revistados e apalpados e passamos bagagem radiografada. Processo que demora horas e custa fortunas aos aeroportos e às companhias. Nós, pilotos, passamos a estar enclausurados, e não há outra palavra para dizer isto, enclausurados no cockpit com uma porta blindada."

Um reforço de segurança necessário, mas que tirou "uma grande parte do charme que havia em voar".

ENTREVISTA JOSE CORREIA GUEDES SOBRE O 11 DE SETEMBRO