James Arthur e The Smile nos lançamentos da semana

Novos discos também dos Club Makumba, dos Future Islands e de Anna Calvi.

James Arthur lança hoje o seu quinto álbum "Bitter Sweet Love", após uma contagem decrescente de singles a conta-gotas, iniciada (com) 'A Year Ago', em maio de 2023. O cantor inglês deixou crescer o cabelo à tigela, as orelhas ficaram mais resguardadas, mas as canções continuam arrumadinhas.


Os Smile são cada vez mais a prioridade para a dupla criativa dos Radiohead, o vocalista Thom Yorke e o multi-instrumentista Johny Greenwood, num trio completado pelo baterista dos Sons of Kemet, Tom Skinner. O projeto não demorou muito a pôr cá fora o sucessor ao monumental disco "A Light for Attracting Attention". Dois anos depois, chega hoje ao domínio público o álbum "Wall of Eyes", ou mais oito músicas de laboratório rock que ajudam os fãs dos Radiohead – de discos como "Kid A" ou Amnesiac" – a matarem saudades.

A nível de música nacional, chama a atenção o álbum de estreia homónimo do supergrupo Cara de Espelho, um sexteto composto pelos irmãos Pedro da Silva Martins e Luís J Martins (ex-guitarristas dos Deolinda), a vocalista Maria Antónia Mendes (também conhecida como Mitó, que se destacou n’A Naifa), o baixista e guitarrista Nuno Prata (dos Ornatos Violeta), o polifonista e polipercussionista Carlos Guerreiro (o mentor dos Gaiteiros de Lisboa) e o muito recrutado baterista Sérgio Nascimento (que entre outros projetos, toca nos Assessores de Sérgio Godinho). As elaboradas letras de carga interventiva de Pedro da Silva Martins encaixam na carroçaria instrumental que viaja pelo Portugal imaginado e redesenha outros cenários.

A híbrida banda nacional de instrumentais Club Makumba inventou a "Sulitânia Beat", o nome do seu segundo álbum, onde levam as garras do rock & roll para outras paisagens sonoras e dificultam rótulos, à custa da guitarra elétrica de Tó Trips (ex-Lulu Blind, ex-Dead Combo), da bateria de João Doce, do baixo e contrabaixo de Gonçalo Leonardo e do saxofone de Gonçalo Prazeres. Os vídeos animados por Chikolaev poderiam originar um video-álbum, não seria uma má ideia. Eis um dos seus vídeos, para o tema 'Janaina Calling', deste novo longa-duração, "Sulitânia Beat".


Os Future Islands voltam a levar o indie pop para a pista de dança, com mais um contigente de canções. "People Who Aren’t There Anymore" é o sétimo álbum da banda do peculiar e humedecido cantor Samuel T. Herring, ora a suar como um festivo, ora quase em lágrimas como um sentimental romântico. Os Future Islands voltam a incorporar a vida toda e todos os estados de espírito.

Katy Kirby lança também hoje "Blue Raspberry", o segundo álbum da cantautora norte-americana, muito centrado dos efeitos de rutura conjugal da sua primeira relação queer. 'Cubic Zirconia' é um desses temas.

Sai hoje o EP de Marisa Liz, "Mensagens de Amor", onde predominam versões, dos GNR e de Stevie Wonder (traduzida para 'Nada Mais'), a reabilitação de um dueto antigo, entre Gal Costa e Tim Maia, em 'Um Dia de Domingo', mas na companhia de António Zambujo, e ainda um original, 'Por Amor', co-escrito com o seu companheiro Diogo Branco. Para assinalar o lançamento de "Mensagens de Amor", Marisa Liz passou esta manhã por três estações do metropolitano de Lisboa para reunir as mensagens de amor de todos os que quisessem participar na iniciativa. 

Saem ainda hoje novos álbuns da cantautora indie Torres, "What an Enormous Room", do neo-psicadélico Ty Segall, "Three Bells", de Colin Newman (o líder dos pós-punks veteranos Wire), "Bastard", o criativo Gruff Rhys (o homem forte dos Super Furry Animals), "Sadness Set Me Free", e da artista de americana Sarah Jarosz, "Polaroid Lovers".

Fechamos esta revista parcial dos lançamentos discográficos deste final de semana com a banda sonora de Anna Calvi, "Peaky Blinders: Season 5 & 6". A guitarrista inglesa deixa de lado as canções, para se concentrar nas atmosferas sonoras que acompanham as últimas duas temporadas da série de TV da BBC, "Peaky Blinders", em que um gangue criminoso já vive os tempos da crise económica surgida em 1929 e o crescimento dos movimentos de extrema-direita na Europa. Uma das poucas vezes em que se ouve a poderosa voz de Anna Calvi é na sua versão de 'Red Right Hand' de Nick Cave.