Jeffrey Archer morre aos 86 anos e deixa como despedida o romance que sempre sonhou escrever

O escritor britânico, Jeffrey Archer faleceu em casa, "subitamente e em paz", entre duas sessões de escrita, um dia antes da publicação internacional de "Adão e Eva", o romance que planeou como o último da sua carreira. Em Portugal, a obra chegará às livrarias em novembro.

Autor de sucessos como "Kane e Abel" e das sagas "As Crónicas de Clifton" e "William Warwick", Jeffrey Archer morreu esta segunda-feira, em casa, entre duas sessões de escrita. O seu último romance, "Adão e Eva", chega às livrarias portuguesas em novembro.

O escritor britânico Jeffrey Archer, um dos autores mais populares e vendidos das últimas cinco décadas, morreu esta segunda-feira, aos 86 anos. A notícia foi confirmada pela editora HarperCollins, que informou que o autor faleceu "subitamente e em paz", na sua residência, entre duas sessões de escrita.

Com mais de 300 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, publicados em cerca de cinquenta línguas e distribuídos por mais de uma centena de países, Archer construiu uma carreira literária ímpar, tornando-se presença habitual nas listas de mais vendidos e conquistando gerações de leitores com enredos marcados pelo suspense, pela ambição e pelas reviravoltas inesperadas.

Entre as suas obras mais conhecidas destacam-se "Kane e Abel", considerado um dos maiores fenómenos editoriais do século XX, "Nem um Tostão a Mais, Nem um Tostão a Menos", publicado em 1976, e as séries "As Crónicas de Clifton" e "William Warwick", que reforçaram o seu estatuto de contador de histórias de exceção.

Nascido em Londres, em 1940, Jeffrey Archer estudou na Universidade de Oxford antes de iniciar uma carreira política no Partido Conservador britânico. Foi deputado, vice-presidente do partido e membro da Câmara dos Lordes. A sua trajetória pública ficou também marcada por polémicas e pela condenação por perjúrio em 2001, um episódio que não impediu a continuidade do sucesso literário nem a fidelidade dos seus leitores.

Até aos últimos dias manteve a disciplina que se tornou uma das suas marcas. Segundo a sua editora, Archer continuava a escrever diariamente e ainda no domingo participou num evento esgotado em Londres, onde assinou livros e contactou com centenas de leitores.

A morte surge na véspera da publicação mundial de "Adam and Eve" ("Adão e Eva"), romance que o escritor sempre assumiu como a sua despedida da ficção. Em Portugal, a obra será publicada pela Bertrand Editora durante o mês de novembro.

Em comunicado, a editora portuguesa recorda que este será "um último grande livro de um escritor que levou uma vida plena, tão rica e emocionante como o enredo de um dos seus romances". A Bertrand sublinha ainda o privilégio de publicar em exclusivo a obra de Jeffrey Archer em Portugal e presta homenagem ao legado de um autor que marcou profundamente a literatura popular contemporânea.

Reconhecido pela sua disciplina quase obsessiva, Archer chegava a produzir mais de uma dezena de versões de cada manuscrito, sempre escritas à mão. Em 2019 visitou Portugal para apresentar "Contador de Histórias" na Feira do Livro de Lisboa, num encontro que reuniu centenas de admiradores.

Jeffrey Archer deixa a mulher, Mary Archer, dois filhos, netos e uma obra que atravessou gerações, transformando-o num dos escritores mais lidos da história recente. O homem que fez da narrativa uma arte despede-se agora, mas as suas histórias continuarão a chegar a milhões de leitores em todo o mundo.