John Legend sobre o novo álbum: "o mundo está a precisar de alegria"
"Bigger Love" chegou hoje às lojas e plataformas digitais. Vem servido com uma grande dose de amor, repartida por 16 faixas, para amenizar tempos mais complicados.
"Bigger Love", o sétimo disco da discografia de John Legend, chegou hoje às lojas e plataformas digitais. O sucessor de "Darkness and Light" (2016) e do natalício "A Legendary Christmas" (2018) é composto por 16 faixas e conta com a colaboração de quatro convidados: Gary Clark Jr., Jhené Aiko, Koffee, Rapsody e Camper. O elenco da composição e produção reúne com uma mão-cheia de nomes sonantes como Charlie Puth, Anderson Paak, Ryan Tedder, Ester Dean, Teddy Geiger, Tayla Parx. A produção executiva coube ao norte-americano Raphael Saadiq e o artwork é assinado pelo artista plástico Charly Palmer.
Alguns dias antes de lançar "Bigger Love", John Legend mostrou-o à imprensa, numa descontraída e animada listening session que foi feita, a uma boa distância de segurança, através da plataforma Zoom. A Rádio Comercial também lá esteve.
Na sessão, em que ouvimos 11 das 16 faixas, ficámos a saber que "Bigger Love" tem o foco no amor brilhante e otimista. Sendo descrito por John Legend como o "álbum mais sexy que já fez", percebemos que a leveza do amor mais privado entrelaça-se bem com a ideia de uma forma de amor maior que pode ajudar a levantar os espíritos em tempos confusos e conturbados. Apesar de ter sido feito antes da crise de saúde global, é um disco que chega a tempo para ajudar a "elevar os espíritos" em plena realidade pandémica. São, acima de tudo, canções de amor, mas a pandemia acrescentou-lhes uma camada extra de significado.
Com as "orientações" dadas pelo músico, que esteve sempre a dançar enquanto os nossos ouvidos seguiam, bem atentos, as letras e melodias, foi fácil fazer o exercício de abrir a definição de amor para a abrangência que a palavra pode ter. Disse-nos Legend que este "Bigger Love" pode ser sobre o amor a dois ou sobre o amor ao "vizinho e até a quem não é como nós". O amor privado estende-se assim à forma de "amor público", aquele que congrega a Humanidade ao invés de dividi-la. "É esse tipo de amor que pode ajudar a resolver as coisas", disse-nos. E, como bem sabemos, há muita coisa para ser resolvida.
O propósito do álbum é então o de "levantar o espírito", desígnio que o músico norte-americano considera fazer parte da profissão. "Também é esse o meu trabalho enquanto músico. Estou feliz por poder fazer isso. Quando fiz o disco não podia adivinhar que as circunstâncias seriam estas”, contou. "Escrevi este disco há dois anos, mas nunca fez tanto sentido como agora. É um disco que pode ajudar as pessoas".
Desde 'Ooh La', a "primeira nota de sensualidade" do álbum, a 'Never Break', a faixa final que versa sobre a noção mais lata do tal "amor resiliente e poderoso que nos ajuda a ultrapassar momentos complicados", são 16 faixas para ouvir a diferentes ritmos, algumas com o pé no passado e outras com os dois pés no presente. "Tentei sempre juntar o antigo ao moderno. Costumo fazer essa ponte. Com este disco também fiz isso".
Para o músico norte-americano, a faixa que dá título ao álbum é uma das mais contemporâneas. É certo que 'Bigger Love', o single, foi composto antes da era Covid-19, mas adequa-se ao momento. É o símbolo de um álbum "mais focado na esperança, alegria e otimismo". O vídeo, que já foi feito em tempos de quarentena mundial, reflete isso mesmo.
"O disco anterior ["Darkness and Light"] estava mais virado para as minhas preocupações com o mundo". Apesar de continuar a manifestar as suas inquietações e de assegurar que continua bem atento às convulsões sociais e políticas, com este disco, Legend quis centrar-se na fórmula que pode amenizar os problemas, sendo esta afinal uma equação simples e assente na união como a forma infalível de ultrapassá-los. Afinal de contas, "o mundo está a precisar de alegria".
'Conversations in the Dark' é o outro single que andou a circular pelo mundo antes do lançamento do álbum. É bom saborear esta sincera declaração de amor tão bem ilustrada pela vida que o vídeo que a acompanha carrega. "Gosto muito de cantar canções de amor, de cantar sobre o que torna a vida interessante e divertida.
'I Do', tema composto e produzido por John Legend e Charlie Puth, segue o rasto desse estado de espírito. "É a música preferida dos meus filhos", comentou o músico na sua orgulhosa versão de pai babado. Depois de ouvirmos o refrão catchy, vibrante e "fácil de apanhar", percebemos porque é que é o tema preferido da criançada lá de casa.
"Bigger Love" conta com quatro colaborações, duas das quais, Koffee e Rapsody, convidadas por John Legend na cerimónia dos Grammys que, de resto, é um excelente sítio para recrutar talento. 'Don't Walk Away', a faixa treze e a "música perfeita para o verão", é a canção que Legend partilha com a jamaicana Koffee. "Andava a ouvi-la e achei que era incrível". Já a rapper Rapsody entrega a voz às rimas de 'Remember Us', uma balada mais nostálgica que resgata a soul de Al Green.
"O álbum ficou melhor com uma energia feminina", confidenciou o músico que teve o cuidado de ir buscar artistas "jovens e relevantes" para o rico espólio da música negra que também quer celebrar. 'U Move, I Move' marca o regresso às colaborações de John Legend com a cantora Jhené Aiko, uma feliz reincidência depois de terem cruzado as vozes no tema 'Lightning & Thunder'. "Era a canção perfeita para um dueto. Acho que é a canção mais sexy do álbum. É uma das canções para fazer bebés", comentou John Legend, quase em jeito de sugestão.
O guitarrista Gary Clark Jr. assegurou o comando da guitarra em 'Wild', a quinta faixa de "Bigger Love", o que, na opinião de Legend, "elevou a canção para outro nível". Camper dá uma ajuda no tema 'I'm Ready'.
O disco "Bigger Love" é lançado em plena agitação social nos Estados Unidos, com a luta contra o racismo sistémico e a violência policial sobre a comunidade negra a desfilar nas ruas, numa base diária, desde o dia em que George Floyd foi morto às mãos da polícia. Tendo John Legend uma voz ativa na luta pela igualdade de direitos e na defesa da justiça social, o assunto foi naturalmente abordado na videoconferência.
"Sinto-me inspirado por ver as multidões nas ruas, ao ver grupos multirraciais a marcar posição, a dizer que as vidas negras importam e a lutar contra o racismo. Acho que é algo maravilhoso que pode trazer a mudança. Vamos chegar a um lugar mais progressista. Apesar da tragédia, sinto esperança".
Quando é que "Bigger Love" vai ser apresentado ao vivo? Não sabemos. Por enquanto, tudo o que temos é a alternativa virtual, como os lives a partir do Instagram ou os concertos online. "Fazemos o melhor que podemos, mas não há nada como a música ao vivo. Espero que surja a vacina para podermos voltar à estrada, ainda este ano ou em 2021. Espero que nos possamos tocar em breve", disse Legend no final do nosso encontro também virtual.
Confira em baixo as faixas do álbum:
I’m so excited to introduce my new album #BiggerLove to the world. Here’s the album cover painted by brilliant artist Charly Palmer. Check out the track list, including my amazing featured guests. pic.twitter.com/nWu6Y2JhRH
— John Legend (@johnlegend) June 12, 2020
