José Afonso nos lançamentos da semana
Sai também nesta sexta-feira o disco de tributo a Sérgio Godinho, "SG Gigante".
É hoje reeditado o referencial álbum de José Afonso, "Cantigas do Maio", em vinil, CD e, pela primeira vez, publicado no formato digital. A editora responsável é a Mais 5, que está a assegurar a reedição da discografia total de Zeca Afonso (nome por que também é conhecido). "Cantigas do Maio" é, para muitos, a obra-prima de José Afonso, que tem como uma das canções-charneira a moda alentejana 'Grândola Vila Morena', que se tornou uma das senhas radiofónicas para a Revolução dos Cravos. "Cantigas do Maio" foi o primeiro álbum de José Afonso a ser produzido por José Mário Branco, que assegurou os arranjos e teve a ideia da marcha no chão de gravilha que marca o início do tema 'Grândola Vila Morena'. "Cantigas do Maio" foi gravado em França, em 1971, quando Portugal vivia a ditadura marcelista.
A poucos dias do 25 de Abril, está disponível a partir desta sexta-feira nas plataformas online o disco de tributo da comunidade de hip hop (e não só) a Sérgio Godinho, intitulado "SG Gigante". A curadoria foi assumida pela rapper nortenha Capicua, desafiada pela equipa de Sérgio Godinho e pela editora Universal. Aos produtores (Keso, Charlie Beats, Stereossauro, FMX & Migz, DJ Ride e Branko), foi dado livre acesso às bobines das canções de Godinho para samplagem. Todas as versões começam com uma declamação de Sérgio Godinho da sua própria letra e envolvem rappers, à exceção da faixa de Branko com Dino D'Santiago e Rita Vian.
Na dianteira do indie rock atual com a eloquência dos álbuns "Dogrel" (de 2019) e "A Hero's Death" (de 2020), os Fontaines D.C. lançam hoje o seu terceiro longo de estúdio, "Skinty Fia". É mais uma dezena de canções a validar uma estética que une de forma prática a melancolia poética quase cantada com uma rudeza típica do garage-rock. Tem sido uma mão cheia de estrelas nas críticas a este disco, para a banda irlandesa mais pertinente da atualidade.
O projeto comandado por Jason Pierce (ou J. Spaceman), Spiritualized, edita neste final de semana o seu nono álbum, "Everything Was Beautiful". O rock do ex-Spacemen 3 continua macio e esbranquiçado de atmosferas angelicais, com o recurso ao gospel e sempre em paralelo com os blues. As orquestrações dão ainda mais asas a temas que, já por si, viajam sobre nuvens.
A modelo inglesa Suki Waterhouse continua a dar azo à sua polivalência e desde há uns meses podemos chamá-la também de cantora, por causa dos temas que foi publicando e que fazem parte do seu álbum de estreia, "I Can't Let Go", que sai hoje. Suki Waterhouse não tem só glamour, sabe também glamourizar a música. Prenuncia-se, por isso, um percurso musical pela frente. O tomo de "I Can't Let Go" não deve ser só uma experiência, tem tudo para ser o começo de algo mais duradoiro.
Os rockers bem amplificados King Gizzard & the Lizard Wizard continuam a lançar álbuns com a regularidade com que se vai a um supermercado mas "Omnium Gatherum" é só o segundo longa-duração que os australianos editam este ano - vejamos o que 2022 ainda tem para nos dar. Além deste disco, saem novos álbuns de My Idea, "Cry Mfer", e de Xiko Rodrigues, "Bode Expiatório".
No dia em que se celebra o centésimo aniversário do nascimento de Charles Mingus, é reeditado em vinil e em CD o álbum "Mingus Three", com o acréscimo de takes alternativos. O disco é de 1957, antes de algumas obras-primas do músico como "Mingus Ah Um" (de 1959) ou "Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus" (de 1964), gravado em trio com o pianista Hampton Hawes e o baterista Dannie Richmond. É com as dedadas grossas do monstro do jazz Charles Mingus que fechamos este levantamento parcial pelos lançamentos desta semana.
