José Cabeça, o português que aprendeu a esquiar no YouTube e está nos Jogos olímpicos de inverno
O atleta está em Milão Cortina para participar pela segunda vez na competição.
José Cabeça é eborense e está por estes dias em Milão Cortina. O atleta de triatlo e esqui de fundo integra o comité português para os Jogos Olímpicos de Inverno. Há seis anos, "nunca tinha posto os pés nuns esquis", confessa-nos numa breve conversa antes do início da prova. É a segunda participação olímpica do atleta que começou a praticar a modalidade em 2020. O processo de aprendizagem foi um pouco "brusco" e contou com um professor improvisado: o YouTube.
O José não aprendeu a praticar o esqui da forma habitual...
Não, só comecei a praticar esqui de fundo em 2020, ou seja, tinha quase vinte e quatro anos. Por isso, foi uma aprendizagem um pouco brusca, visto que, há menos de seis anos, eu nunca tinha posto os pés nuns esquis.
Iniciei totalmente sozinho, tanto que só tive um treinador dois meses antes dos Jogos Olímpicos de Beijing. Todo o período antes, inclusive o de qualificação olímpica, fiz sozinho a ver vídeos no YouTube e a tentar imitar pessoas que via a praticar a modalidade. Mas acho que quando há vontade, não há dificuldade. Tomei o desafio da melhor forma e tentei ao máximo melhorar, ir ao encontro de pessoas que me pudessem ajudar e tive a sorte em encontrar o meu treinador que me tem ajudado nos últimos quatro anos.
Quais são as expectativas para estes Jogos Olímpicos de Inverno?
Os meus objetivos são simples: quero melhorar bastante o meu resultado dos últimos jogos. Tentar cortar a metade o meu resultado anterior, seria uma evolução excelente. É para isso que tenho estado a trabalhar nos últimos quatro anos. Espero estar na minha melhor forma para representar Portugal da melhor forma.
Não se podiam fazer milagres em dois anos num desporto tão diferente com todos os desportos que pratiquei antes. Claro que estou do mais motivado que pode haver e vou apresentar-me na melhor forma possível para representar Portugal.
Há aqui um objetivo de lugar concreto para alcançar nesta participação?
Em termos de lugar concreto, não, porque embora a evolução seja muito grande, são provas em que num minuto vão chegar cerca de quarenta atletas. Portanto, é muito renhida. Não tenho a mínima noção de que lugar é que posso fazer.
Em termos de tempo, o meu objetivo é cortar pelo menos por metade, a diferença que eu tive para o primeiro classificado nos últimos jogos. Acho que isso já demonstra uma evolução extrema e estarei cá para trabalhar mais quatro anos para realmente poder dizer que lugar é que quero nos Jogos Olímpicos.
Há a expectativa de termos cada vez mais pessoas a acompanhar estas modalidades de Inverno?
Sim, acho que depende muito de nós, como atletas a representar Portugal em Jogos Olímpicos, que não são o mais comum para o nosso país. Infelizmente, não temos assim tanta neve quanto isso. Mas acho que se começarmos a atingir resultados de relevo que chamem a atenção do povo português e também de apoios por parte de Portugal para que as modalidades de Inverno possam ser desenvolvidas. Acredito que estamos num bom caminho para tal.
A federação está a fazer um excelente trabalho, especialmente com o hóquei e a patinagem de velocidade. Claro que é mais acessível construir um pavilhão de gelo do que construir uma pista de esqui de fundo - onde é necessário ter temperaturas baixas e neve. Acho que a federação está a tentar da melhor forma desenvolver as modalidades que são mais acessíveis para países com menos neve.
Acredito que com isso vai também trazer atenção. Os resultados vão ser cada vez melhores e talvez aí possa realmente chegar um pouco mais de apoio aos desportos ditos em si "de neve", que realmente necessitam de um suporte diferente e que, claro, em Portugal se torna um pouco difícil apoiar ao mais alto nível.
