José Cid já recebeu Grammy e promete continuar a cantar "canções de amor e ternura"
Depois de receber o Grammy Latino de Excelência Musical, o músico veterano sublinhou a importância de "um país tão pequenino" como Portugal ter sido lembrado com a distinção.
O músico português José Cid prometeu hoje continuar a cantar "canções de amor e de ternura", considerando muito importante que "um país tão pequenino" como Portugal tenha sido lembrado quando lhe foi atribuído o Grammy de Excelência Musical.
"Vou continuar a cantar, a cantar as minhas canções de amor, as minhas canções de ternura, mas também as minhas canções de ódio, contra a segregação racial, contra o racismo, contra a energia nuclear e contra a poluição, a favor das pessoas que mais necessitam, a favor deste planeta", disse José Cid, após receber o Grammy de Excelência Musical, da Academia Latina de Gravação, numa cerimónia que decorreu em Las Vegas, nos Estados Unidos da América.
No momento de entrega do prémio, José Cid subiu ao palco debaixo de um forte aplauso. O momento do discurso foi publicado pelo músico na página de Facebook. "Vou pedir a maior das desculpas mas vou falar a minha língua, a língua de Camões e de Fernando Pessoa, e desde já, pedir o maior aplauso para todos os que vão ganhar este Grammy. É muito importante para todos nós, saber que alguém se lembrou de nós, um país tão pequenino, tão longe como é Portugal. Um país de encanto. Visitem Portugal e vão saber que estou a falar a verdade", disse à plateia. José Cid terminou o discurso com música, cantando um excerto do clássico 'A Minha Música', e com um agradecimento a Portugal.
Pode ver o discurso completo aqui:
O Grammy de Excelência Musical é atribuído "a artistas que fizeram contribuições de significado artístico excecional para a música latina", de acordo com informação disponível no 'site' da Academia.
Além de José Cid, também Eva Ayllón, Joan Baez, Lupita D'Alessio, Hugo Fattoruso, Pimpinela, Omara Portuondo e José Luis Rodríguez "El Puma" recebem hoje o mesmo galardão.
Em agosto, quando a Academia Latina de Gravação anunciou que José Cid iria receber o prémio, o músico disse à Lusa que esta distinção "é o corolário de muitos anos de trabalho, teimosia e persistência", e lamentou que as grandes editoras não apostem mais em Portugal.
Para José Cid, o reconhecimento internacional surge a par do reconhecimento nacional, que é "tão bom ou melhor" que os galardões além-fronteiras.
"Tenho uma homenagem pública nacional do país inteiro, de norte a sul, há décadas sobre décadas, há cidades em que já fui duas e três vezes e não se cansam, e as pessoas continuam, ao fim de duas horas e meia, a pedir mais e mais, ninguém se quer ir embora. E essa é a maior homenagem que posso ter, é o meu próprio país que ma dá, já com a minha idade, aos 77, porque tenho mantido a voz, a voz está cá toda", disse na altura.
Na página oficial da Academia Latina de Gravação é referido, num pequeno texto dedicado ao músico português, que José Cid "adaptou-se sem esforço a influência da música popular 'anglo' ao estilo original do pop rock português".
"Em 1956, o surgimento de sua banda cover Os Babies marcou um momento de 'antes e depois' para o pop rock em Portugal. O seu próximo grupo, o Quarteto 1111, criou as bases do rock português, com uma forte tonalidade psicadélica e lançamentos inovadores, como o enorme sucesso de 1967 'A Lenda De El-Rei D. Sebastião'. Continuando como artista a solo, em 1978 lançou '10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte', considerado uma obra-prima do rock progressivo", salienta a mensagem da Academia.
O texto acrescenta que José Cid tem "dezenas de sucessos", continuando a ser "uma grande atração em concertos em Portugal".
No twitter, a editora musical cubana Adriana Pazos Tacoronte publicou algumas fotos do momento em que José Cid recebeu a distinção.
3ero. José Cid de Brasil, con amplia trayectoria e influencia en el Rock Progresivo!!! Felicitaciones pic.twitter.com/RzVjUBNSLT
— Adriana Pazos Tacoronte (@PazosTacoronte) November 13, 2019
