José Luís Carneiro vota contra proposta de reforma laboral

A proposta vai ser votada esta sexta-feira no parlamento.

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, anunciou hoje que irá votar contra a proposta de reforma laboral que irá ser votada ao final da manhã no parlamento.

O lider do PS, que irá votar à distância a partir do Porto, onde participou numa conferência europeia sobre direitos sociais, disse que votará contra uma proposta que desprotege os trabalhadores, os jovens, as mulheres e os mais frágeis do ponto de vista social, mas também por existir uma “aproximação” às políticas do chega.

“Também aqui estamos a afirmar esses valores. Esta é a visão que queremos defender na Europa para o futuro do nosso país. A Europa precisa de uma nova ambição social", disse.

Carneiro justifica o voto contra a proposta de reforma laboral porque “aumenta e abre as portas para os contratos a prazo, o que significa que os mais jovens e os trabalhadores contratados a prazo ficarão mais tempo nessa condição, o que significa salários mais baixos, porque os que têm contratos permanentes, em média, ganham mais 37% do que ganham os trabalhadores com contratos a prazo".

E, por outro lado, “abre as portas de novo para o trabalho informal, ou seja, para os mais vulneráveis, onde estão, por exemplo, os trabalhadores das limpezas, muitos dos trabalhadores do setor da agricultura, muitos dos trabalhadores da restauração, da hotelaria ou da própria construção civil”, disse.

“Esta proposta vai contra todos os princípios sociais-democratas, do socialismo democrático, dos democratas cristãos e também dos humanistas. E, por isso, é que tivemos duas vozes insuspeitas, nomeadamente o engenheiro Silva Peneda, que foi conselheiro do presidente da Comissão Europeia, foi presidente do Conselho Económico e Social, e também tivemos o Dr. Bagão Félix, um democrata cristão e outro social-democrata, que vieram contestar publicamente esta proposta de reforma laboral”, sustentou.

Portanto, disse, “não é uma, digamos, teimosia do Partido Socialista. É mesmo uma ofensa que o Governo está a fazer aos trabalhadores portugueses”.

Depois de meses de negociação, “o Governo trouxe à Assembleia da República a pior versão, ou seja, todo aquele trabalho que foi feito pelos parceiros sociais foi literalmente deitado ao lixo pelo Governo. Aparentemente, pegou algumas dessas propostas e utilizou-as para dizer ao partido da extrema-direita, leve essas propostas à Assembleia porque nós vamos deixar passar algumas delas e com isso tu consegues salvar a face”, referiu.

E acrescentou: “Ora, como se vê, isto produz sempre maus resultados”.

É uma proposta “contra todos os valores humanistas, sociais-democratas, democratas cristãos, e por isso é que, volto a repetir, pessoas como Silva Peneda ou Bagão Félix vieram criticar estas opções do Governo da AD”, salientou.

Sobre a acusação do social democrata Hugo Soares de que o PS estaria a “radicalizar-se”, José Luís Carneiro disse: “Eu imagino que eles têm também acesso aos estudos que têm estado a ser feitos. Os estudos são retratos do momento, mudam, não são estáticos, mas imagino que tenham a mesma informação que eu também tenho, que me coloca 11 pontos e meio à frente do Dr. Luís Montenegro”.

“E, isso, naturalmente deixa ficar as pessoas nervosas, depois deitam mão de tudo para procurar diminuir os outros. O governo tem de ter mais humildade democrática, tem de saber dialogar, tem de saber conversar, tem de saber construir e não colocar-se por cima do seu pedestal e pensar que impõe aos outros à força as suas ideias retrógradas”, afirmou.

José Luís Carneiro frisou que “é o governo que se está a radicalizar. Vejam as declarações, vejam as expressões públicas e digam-me vocês o que é que acham”.

Sobre sondagens recentes que colocam o PS em primeiro lugar e o Chega acima da Aliança Democrática, com mais intenções de voto, o líder socialista considerou ainda que mostram que “aqueles que dançam com a extrema-direita são vítimas da extrema-direita”.