José Mourinho: o 'Especial' a ser despedido

Treinador português soma títulos e despedimentos ao longo da carreira.

Recuemos no tempo: temporada 2000/2001, o momento em que José Mourinho, até então um desconhecido treinador-adjunto ao lado de nomes como Bobby Robson e Louis Van Gaal, assume o comando técnico do Benfica.

A passagem foi curta, com o despedimento a chegar após 11 jogos em que somou seis vitórias, a última frente ao Sporting por 3-0.

Da primeira experiência enquanto treinador não se antevia uma carreira repleta de sucessos e títulos.

Com 37 anos segue de Lisboa para Leiria, onde ao serviço da equipa do Lis começa a ganhar destaque pelo futebol praticado.

O interesse do Sporting surge, mas acaba por arrefecer devido à pressão dos adeptos e sócios que não gostaram dos gestos e atitudes de Mourinho quando este era treinador do Benfica.

O Porto acaba por entrar em cena e leva o técnico até ao Estádio das Antas, onde acaba por proferir uma das declarações que ainda hoje vive na mente dos adeptos do futebol: “em condições normais vamos ser campeões e em condições anormais também vamos ser campeões”.

A profecia concretizou-se em duas temporadas: 2002/2003 e 2003/2004.

Além das conquistas nacionais, com uma Taça de Portugal e Supertaça no currículo, a somar ao campeonato, Mourinho venceu uma Taça Uefa (hoje Liga Europa) e uma Liga dos Campeões, numa final ganha ao Mónaco por 3-0.

O treinador português fica nas bocas do mundo e Portugal torna-se pequeno para os métodos, na altura, inovadores.

Mourinho apanha o avião e aterra no Chelsea, um clube, na altura, recentemente milionário à boleia do dinheiro do empresário russo Roman Abramovich, levando consigo os jogadores do Porto, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira.

O impacto é imediato, logo na primeira conferência de imprensa, em que se apelida de “Special One”, o especial em português.

Mais uma vez as palavras não caíram em saco roto e o Chelsea venceu a Liga Inglesa na temporada 2004/2005, título que não vencia desde a temporada 1954/1955.

O bicampeonato veio na temporada seguinte, 2005/2006, mas a ligação com a equipa inglesa terminou pouco depois do início da temporada 2007/2008, dando início à ideia de que o treinador português não era de ficar muito tempo nos clubes que orientava.

Depois de três temporadas e mais alguns jogos, em Inglaterra, Mourinho, com 44 anos fez uma pausa antes de mudar de ares e viajar para Itália rumo ao Inter que procurava o domínio interno, mas também a Liga dos Campeões.

Em 2008/2009, Mourinho venceu a Série A, na temporada seguinte, 2009/2010, repetiu o feito e somou a conquista da Liga dos Campeões, com uma vitória por 2-0 frente ao Bayern de Munique, num estádio que viria a ser a sua casa na época seguinte: o Santiago Bernabéu.

O Inter não vencia a Champions desde a temporada 1964/1965 e com a “orelhuda nas mãos”, o treinador português mudou-se para Madrid, onde, no Real, orientou Cristiano Ronaldo.

Pela frente, Mourinho tinha pela frente um Barcelona orientado por Pep Guardiola e considerada por muitos a melhor equipa do mundo.

Nas épocas 2010/2011, 2011/2012 e 2012/2013, o Real conquistou uma Liga Espanhola, em 2011/2012, com mais de 100 golos marcados durante a competição.

A Liga dos Campeões acabaria por ser um objetivo que esbarraria nas meias-finais e Mourinho sairia de Espanha como um treinador que teria sido ultrapassado pela ideologia “tiki-taka” de Pep Guardiola.

O ditado diz que nunca se deve voltar a um sítio onde já se foi feliz, mas já nos 50 anos, o técnico decide voltar ao Chelsea, onde permanece durante três temporadas: 2013/2014; 2014/2015 e 2015/2016.

O regresso a uma casa que bem conhecia resulta num título da Liga Inglesa em 2013/2014, mas o divórcio volta a acontecer passado duas temporadas, mas desta vez Mourinho não deixa o Reino Unido e sobe no mapa rumo ao Manchester United, onde também permanece por três temporadas.

O “Special One” foi visto como o verdadeiro sucessor de Alex Fergunson no comando técnico dos “Red Devils”, mas a passagem por Old Trafford fica marcada pelas críticas ao estilo de jogo.

Mourinho entrou em conflito com os jornalistas e chegou a pedir respeito pelos títulos que já tinha conquistado em solo britânico.

Da passagem pelo Manchester United fica a conquista de uma Liga Europa, com a rescisão a ter chegado em 2018/2019, engordando as verbas recebidas com as rescisões de contrato (já vamos a valores finais).

O fim da aventura, para já, no Reino Unido, dá-se no Tottenham, nas temporadas 2019/2020 e 2020/2021, com Mourinho a ser despedido a poucos dias de uma final da Taça da Liga Inglesa.

O regresso a Itália acontece logo depois, mas desta feita na capital Roma, onde assume os comandos da AS Roma, onde vence a Liga Conferência, o primeiro troféu europeu desta equipa.

Apesar do feito o treinador português é despedido pela 6.ª vez e deixa o clube a meio da temporada seguinte.

Ao pegar na calculadora, Mourinho recebeu cerca de 93 milhões de euros em indemnizações devido a rescisões de contratos.

A este valor somam-se os 15 milhões de euros que irá agora receber pelas mãos do clube turco.

O treinador português foi recebido com entusiasmo na Turquia, mas rapidamente passou a ser criticado, logo na primeira temporada no novo clube.

Nessa altura, o Galatsaray apelidou Mourinho de “Crying One”, o “chorão”, após uma derrota por 3-1.

Agora, no início da temporada 2025/2026, Mourinho é despedido do comando técnico do Fenerbahçe.

Qual o próximo passo? O “especial” que passou a “chorão” não escondeu o sonho de treinar uma seleção nacional.

Será este o momento, aos 62 anos, de deixar o futebol de clubes e assumir os destinos de uma nação? Se sim, qual?!