José Raposo: "tenho orgulho de ter os meus dois filhos comigo no palco"
José, Ricardo e Miguel partilharam nos últimos meses o palco na peça "Um Quinteto de Morte".
Numa tarde de domingo, o Teatro Armando Cortez, em Lisboa, encheu-se mais uma vez para a peça "Um Quinteto de Morte", mas o dia 22 de março acabou com uma despedida emotiva para todo o elenco e, sobretudo, para José Raposo. O filho, Miguel, despediu-se da peça que fez nos últimos meses ao lado do pai e do irmão Ricardo.
"Tenho esse orgulho e essa felicidade de ter os meus dois filhos comigo no palco. Porquê? Por isso mesmo, porque eles, para já são dois belíssimos atores, depois, sendo meus filhos, torna a coisa ainda mais especial. E agora foi uma despedida, mas a nossa vida é feita disto, de despedidas, de recomeços, de começos... e isso é que é super interessante na vida de um ator", sublinha José Raposo.
Na plateia, muito público, família e até grandes artistas, como Simone de Oliveira. Todos aplaudiram a despedida de Miguel Raposo e as quase duas horas de entrega em palco de todo o elenco.
A reação do público ainda surpreende José Raposo e essa é "a magia do teatro", porque "os públicos são diferentes de dia para dia" e a representação do ator também.
"Até porque acontecem percalços. A gente esquece uma coisa ou outra, há uma branca, as pessoas improvisam, as pessoas desenrascam a cena. Ou tecnicamente acontece alguma coisa, e nós temos que prosseguir. E isso é maravilhoso no teatro. Isso é uma coisa que não se explica. Somos obrigados a criar", realça.
"Um Quinteto de Morte"
A peça "Um Quinteto de Morte" está em cena no Teatro Armando Cortez, em Lisboa, até dia 29 de março, mas a partir de junho vai andar por Faro, Figueira da Foz e Porto.
Na peça, a personagem de José Raposo lidera um grupo de criminosos, disfarçados de músicos, que aluga um quarto na casa de uma velhinha, para desenvolver um plano de assalto.
"É uma comédia negra, em que morrem pessoas, mas sempre com um tom sarcástico e com uma mensagem também. E essa mensagem tem a ver realmente com a senhora velhinha, que é a mais ingénua de todos, e acaba por ser ela que no fim é a heroína da peça, quer dizer, é a que fica com o dinheiro todo", conta o ator.
A "velhinha" é interpretada por Florbela Queiroz, que fala "num elenco fantástico" e garante que cada sessão é especial, porque nunca faz "as coisas da mesma maneira".
Casa do Artista
Esta peça tem também uma "causa nobre" com parte da verba a reverter para a Casa do Artista, instituição liderada por José Raposo.
Antes de cada sessão, o ator recebe o público à porta do Teatro. Tira fotografias, dá autógrafos e vende os programas da peça.
E o contacto com o público dá-lhe "um prazer enorme", garante.
"É para isto que eu vivo."
