Júlio Pomar, "um pintor que se reinventou constantemente e desafiou sempre o cânone e as normas de representação"

O artista plástico que se dedicou a cultura por sete décadas faria 100 anos este sábado.

Júlio Pomar nasceu a 10 de janeiro de 1926 e dedicou mais de 70 anos à produção artística. O artista plástico que morreu em 2018, aos 92 anos, é um dos maiores nomes da arte portuguesa moderna e contemporânea.

"Um pintor que se reinventou constantemente e desafiou sempre o cânone e as normas de representação", é assim que é recordado por Sara Antónia Matos, curadora e diretora do Atelier-Museu Júlio Pomar. Ao fazer o retrato do à altura Presidente da República Mário Soares, em 1992, fez um trabalho "nada canónico em termos de representação" que "fugiu completamente à norma e que retratou o presidente de uma forma sorridente, espontânea através da pintura gestual. Na sua obra "atravessa retratos de toda a sociedade" desde políticos, fadistas e atores.

O artista era um "intelectual completo, quase holístico" que não se ficou pelas telas. No seu portefólio constam "poemas para serem cantados por Carlos do Carmo, Mariza e Cristina Branco " além de "grandes ensaios sobre a pintura e para a pintura", escreveu sobre arte, exposições e manifestações culturais - obras que tiveram direito ao seu estrelato em passagens pelo Atelier-Museu Júlio Pomar durante a pandemia. 

Tomou um papel ativo na "construção da arte portuguesa". Ao longo do percurso, Júlio Pomar  atravessou vários estilos ao longo do seu percurso: do neorrealismo ao período gestual, com passagem pela "colagens e pintura recortada" até à chegada, já aos 80 anos, à figuração.  Lança sementes sobre maneiras de fazer -  recorte, colagem e a associação de diferentes materiais e técnicas -, mas também temáticas  - o erotismo, a transformação dos corpos em felinos e da colocação de figuras em situações insólitas. "Todas essas fugas ao cânone vêm a marcar o que se faz posteriormente, até com artistas emergentes e novas gerações" - artistas que são convidados a expor o trabalho no Atelier-Museu durante as comemorações.

A homenagem não se faz apenas no aniversário do pintor. O centenário procura "atualizar o legado de Júlio Pomar". Vão investir em nos novos talentos e promover da investigação sobre a obra de Pomar - "um conjunto de bolsas de mestrado proporcionadas pela sua viúva, Teresa Marta, em conjunto com a Universidade Nova" - com a possibilidade de mais tarde serem publicadas em parceria com o Atelier-Museu. Mas não fica por aqui, vai ser atribuído um prémio em breve para estimular novos pintores: desafia a "renovar técnicas e formas de ver a pintura".

Para todos os que apreciam a arte mais do que praticam, há programação especial para o aniversário: ao longo do ano várias exposições vão comemorar o artista e este fim de semana (10 e 11 de janeiro) podem visitar o Atelier-Museu Júlio Pomar gratuitamente.