Laura Pausini: "farei tudo o que puder para retribuir o amor que tenho recebido das pessoas"
A artista italiana atua a 3 de fevereiro na Altice Arena, em Lisboa. É a passagem por Portugal da digressão que celebra 30 anos de canções.
Laura Pausini está a celebrar 30 anos de carreira e meteu Lisboa no mapa do circuito mundial que assinala as três décadas de canções. A artista italiana, que atua no sábado, 3 de fevereiro, na Altice Arena, em Lisboa, está feliz por regressar a Portugal e chega com novidades. Além de celebrar os temas que deu ao mundo no passado, Pausini quer partilhar as novas canções do álbum "Anime Parallele" que editou em outubro, cerca de cinco anos depois da edição de "Fatti Sentire" que lançou em 2018.
Em novembro de 2023, a cantora, que já tinha sido a primeira artista italiana a ser premiada com um Grammy, mereceu mais uma conquista de alto gabarito ao ser reconhecida como a Personalidade do Ano nos Grammys Latinos, uma distinção de peso que recebeu com gratidão e orgulho. Conversámos com a cantora, a poucos dias de subir ao palco lisboeta para o aguardado reencontro com o público português.
Como se sente com o regresso a Portugal e poder finalmente atuar para os fãs portugueses?
Vou ser muito honesta. Há anos que ando a pedir para atuar em Portugal. Estava com muitas saudades. Já se passaram muitos anos desde a minha última digressão que passou por aí. Mais de 20 anos. E lembro-me tão bem do público português. Envolveu-se muito no concerto. Amei a experiência. Infelizmente, com a minha vida caótica, não tenho tido muitas oportunidades de visitar Portugal, mas é uma das coisas que quero fazer há muito tempo.
O que é que podemos esperar do concerto em Lisboa?
Vai ser um espetáculo em grande. Estudei todos os momentos do concerto porque quero que cada momento represente quem eu sou. Há um grupo de performers que vai estar ao meu lado, a dar corpo a coreografias muito emotivas. O diretor musical, Paolo Carta, fez os arranjos para todo o espetáculo. Vou ainda abordar alguns tópicos sociais, como as alterações climáticas ou a violência contra as mulheres. Quero que a minha voz e o meu palco ponham o foco nesses assuntos. A crise das alterações climáticas atenta contra os direitos humanos. Os seres humanos têm de ter a possibilidade de amar num ambiente saudável e estável. A violência contra as mulheres é um verdadeiro flagelo e acho que devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance para defender todas as mulheres que não têm poder para denunciar e para se defenderem. É necessário chamar a atenção dos que estão perto dessas mulheres, para que nunca as deixem sozinhas e ajudem a prevenir situações que podem acabar em tragédia.
Esta digressão celebra uma carreira prolífica e reconhecida carreira de 30 anos. Quando olha para trás, o que é que destaca neste percurso?
É um privilégio celebrar 30 anos de carreira. Nos dias de hoje, as pessoas fartam-se das coisas muito rapidamente, até da música. Sinto que tenho muita sorte. Cresci num mundo em que tive a oportunidade de comparar a minha cultura com tantas outras, aprendi cinco línguas e tornei-me numa mulher forte. É isto que devo à música. Espero poder trabalhar e dar o meu melhor todos os dias de forma a merecer tudo aquilo que conquistei até agora.
Em 2023, foi reconhecida como a Personalidade do Ano nos Grammys Latinos, como é que se sente com esta distinção e com a homenagem que lhe prestaram na cerimónia de Sevilha?
Abençoada. Comovida. Amada. São emoções que me enchem a alma. Farei tudo o que puder para retribuir o amor que tenho recebido das pessoas. Nunca imaginei a possibilidade de ser reconhecida Personalidade do Ano pela Academia de Gravação Latina. Fiquei mesmo surpreendida. Sinto-me privilegiada porque não sou espanhola. É a primeira vez que um artista que não canta em espanhol é reconhecido com esta magnífica distinção. Mas sempre senti que fazia parte da comunidade latino-americana e é por isso que estou tão grata à Academia de Gravação Latina.
O novo álbum, "Anime Parallele", celebra os seres humanos e as suas diferentes experiências. De que forma?
Quando eu estava à procura de canções para incluir neste disco conceitual, apercebi-me que tinha de olhar para nós, enquanto seres humanos, do lado de fora. Como se os meus olhos estivessem acima de mim, acima de nós, enquanto caminhamos pelas ruas do mundo. O que é que procuramos? Enquanto vivemos, estamos em busca do quê? Pensei em colocar no centro a individualidade de cada um e o direito a existir dessa mesma individualidade. É por isso que o meu álbum é sobre almas. Hoje em dia, olho para os seres humanos pelo espírito e não pela aparência física. Associo isto à palavra "paralelo".
Cada um de nós está a fazer o seu caminho, embora caminhemos nas mesmas estradas todos os dias. Porque é que fazemos isso? Qual é o ponto de encontro? "Anime Parallele" é um álbum com o qual quero encorajar as pessoas a escutar mais, a amar mais e, acima de tudo, a respeitar mais. É fácil julgar alguém que pensa como nós ou que conhecemos. Mas é mais difícil quando as pessoas estão mais distantes de nós, seja essa distância física ou de crenças ou linha de pensamento. Mergulhei nos meus sentimentos mais íntimos e nas vidas de várias pessoas que conheci em várias partes do mundo nos últimos 30 anos. São essas histórias que são contadas no "Anime Parallele". 16 canções. 16 pessoas. 16 histórias. 16 estados de espírito e pontos de vista.
O disco também serve para reconhecer a diversidade que existe entre os seres humanos e enaltece a importância do respeito entre as pessoas. Quão relevante e urgente é esta mensagem e como é que se encaixa na experiência que estamos a viver atualmente enquanto Humanidade?
A pandemia forçou-nos a ouvir os nossos pensamentos e as nossas questões. Depois dessa experiência, acabámos por voltar à vida mas sem sermos quem éramos antes. Tornámo-nos nas tais almas paralelas. Fomos homogeneizados pelo medo de exclusão e ficámos ainda mais distantes uns dos outros, com menos pontos de referência. Questionei-me sobre como queria sobreviver a esta nova realidade, de forma a lidar com o que estava a acontecer. Não encontrei todas as respostas mas continuo à procura. Espero que as pessoas que oiçam o disco possam sentir o desejo de se apaixonarem por outros seres humanos que vivem simultaneamente, enquanto almas, em caminhos paralelos.
