LEFFEST de arromba

Ciclo de cinema erótico, estreias de filmes badalados, cine-concertos, conversas e exposições de fotografia.

O LEFFEST vai ocupar a cidade de Lisboa entre 8 e 17 de novembro e transborda para lá da sala escura dos cinemas, cada vez mais, como confirma esta 18ª edição. Os cinemas São Jorge e Nimas, o Tivoli, o Teatro do Bairro ou o auditório do Lice Camões fazem parte do circuito vivo do LEFFEST.

Grandes estreias, vários ciclos que escavam na história do cinema, cine-concertos, exposições de fotografia, conferências, masterclass ou leituras de poesia recheiam o evento multicultural.

“Cinema Erótico – Desafiando os Limites” é um dos ciclos da edição deste ano. Entre os 20 filmes, consta a última edição da longa-metragem de 1979 “Caligula”, um retrato da depravação da vida luxuriante do imperador romano Calígula, realizado pelo italiano Tinto Brass. A filmagem foi tão polémica quanto o próprio filme, que foi alvo de censura à época.

Em entrevista à nossa rádio, o diretor do festival, Paulo Branco defende que o LEFFEST deve ser um radar do melhor do cinema autoral recente, com a valia de serem estreias nas nossas salas. “Neste momento, vamos ter todos os filmes mais importantes, alguns que nós pensamos que têm uma relevância extrema na cinematografia atual. Infelizmente, [alguns] não encontrarão as nossas salas de cinema”, devido aos limites do circuito comercial de distribuição.

Uma das grandes estreias em Portugal por via do LEFFEST é o novo filme do espanhol Pedro Almodóvar, “O Quarto ao Lado”, que é a primeira longa-metragem na língua inglesa do cineasta. As atrizes Tilda Swinton e Julianne Moore são as principais protagonistas.   

A atualidade não é só cinematográfica no LEFFEST, é também política. Paulo Branco faz questão de alertar que “há também todo o lado de chamar a atenção através do cinema para o que se passa no mundo, como neste caso da Palestina. As guerras, as imagens de guerra, o Líbano e muitos outros eventos que nós vamos fazer à volta da situação atual”, que podem ser acompanhados ou vistos através de sessões de documentários e de filmes de ficção, uma noite de poesia, de exposições (incluindo do artista Khaled Jarada), o concerto pela Palestina no Tivoli [António Victorino d’Almeida e o saxofonista estão entre os presentes] e até uma conversa entre as jornalistas Alexandra Lucas Coelho e Nida Ibrahim.


O LEFFEST vai ser um vai-e-vem de convidados, nesta 18ª edição. Paulo Branco lembra alguns dos visitantes ilustres Lisboa. “O David Cronnenberg já não é a primeira vez. Mas, por exemplo, o Thomas Vinterberg, é a primeira vez que vem. O Brady Corbett, que é dos cineasta mais falados em termos mundiais, já cá tinha estado - na altura passou bastante despercebido, logicamente [em 2018]. Agora com um filme que é um dos principais candidatos aos Óscares [“The Brutalist”], é um bocadinho diferente. O Mohammad Rasoulof, o grande realizador iraniano, que também vai concorrer pela Alemanha aos Óscares este ano e a vários outros [por intermédio de “The Seed of the Sacred Fig”].  O Jonas Trueba, que é um talvez dos jovens cineastas espanhóis mais importantes. E o Miguel Gomes”, realizador português que vai merecer uma retrospetiva. 


O LEFFEST faz ainda tributos a dois grandes escritores: o poeta português Luís Vaz de Camões, a propósito dos 500 anos do seu nascimento, e o checo Franz Kafka, aproveitando a efeméride dos 100 anos da sua morte. “Vamos chamar a atenção do Kafka nas suas ligações com o mundo, mas também com o que os artistas aproveitaram da obra do Franz Kafka e do Camões. Vamos lembrar que [Camões] realmente é o grande escritor, aquele que atravessou todas as épocas, todos os regimes, e que, no fundo, ninguém soube ainda recuperar Camões no sentido do politicamente correto, o que é fantástico. Além disso, a dimensão dele é absolutamente extraordinária. A única coisa que fazemos é uma pequena homenagem, como cidadãos que somos: chamar a atenção para que as pessoas votem a ler Camões, porque realmente se não lerem Camões não sabem o que é o português”, conclui o produtor Paulo Branco. Vai ser projetado o clássico cinematográfico português de Leitão de Barros, “Camões” (de 1946) e vai se organizar uma sessão de leitura da sua poesia, musicada por JP Simões (ex-Belle Chase Hotel) e Carlos Maria Trindade (ex-teclista dos Heróis do Mar e dos Madredeus). A homenagem a Kafka tem uma dimensão maior, graças ao legado cinematográfico maior inspirado nos seus livros.

Merecem ainda destaque as retrospetivas das obras cinematográficas da francesa Patricia Mazuy e do austríaco Michael Haneke.

Podem consultar neste link toda a programação do Lisbon Film Festival [LLEFFEST].