Lesados do BES "não querem esperar mais 10 anos"
"Muitos nem acreditavam ser possível chegar a uma sala de audiência", mas consideram que "este processo redesenhou a justiça e o sistema financeiro português".
As pessoas lesadas do Banco Espírito Santo/Grupo Espírito Santo (BES/GES) estão esperançosas e motivadas porque finalmente o caso vai ser julgado, diz a defesa de centenas de vítimas neste processo. O julgamento começa esta segunda-feira, no Juízo Central Criminal de Lisboa, dez anos depois do colapso da instituição bancária.
O advogado Nuno Vieira considera que "o processo BES/GES redesenhou a justiça e o sistema financeiro português".
A defesa dos lesados do banco também promete inovação na sala de audiência. Sem avançar como, diz que "os lesados vão mostrar que sempre estiveram ao lado da justiça e não vão esperar mais 10 anos"...
Nuno Vieira avança que as pessoas estão esperançosas e motivadas porque finalmente o caso vai ser julgado: "Muitas nem acreditavam ser possível chegar a uma sala de audiência. Alguns já faleceram e já há uma terceira geração (netos) a dar continuidade à luta. Sabem que ainda há muito a acontecer, em termos formais e de prova, mas estão aliviadas por terem conseguido chegar aqui".
O julgamento do processo BES/GES começa às 09:30 no Juízo Central Criminal de Lisboa, 10 anos após o colapso do Grupo Espírito Santo (GES), num caso com mais de 300 crimes e 18 arguidos, incluindo o ex-banqueiro Ricardo Salgado.
O antigo presidente do BES, Ricardo Salgado, é o principal arguido do caso BES/GES e responde em tribunal por 62 crimes, alegadamente praticados entre 2009 e 2014.
Entre os crimes imputados contam-se um de associação criminosa, 12 de corrupção ativa no setor privado, 29 de burla qualificada, cinco de infidelidade, um de manipulação de mercado, sete de branqueamento de capitais e sete de falsificação de documentos.
