Lezíria do Tejo quer plataforma empresarial de 1.500 hectares em Santarém
Segunda fase de expansão, com aproximadamente 971 hectares, que funcionará como reserva estratégica para futuras necessidades de crescimento.
A Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo aprovou por unanimidade uma proposta para criar, em Santarém, uma plataforma logística, empresarial e industrial com mais de 1.500 hectares, para atrair grandes investimentos e ser reconhecida como projeto de interesse nacional.
A proposta já aprovada pelos 11 municípios deste organismo (CIMLT), enviada hoje à Lusa, prevê a instalação da plataforma numa área de 1.521 hectares localizada no concelho de Santarém, parte da qual integrou os estudos realizados para a antiga solução aeroportuária de Santarém.
550 hectares para empresas e infraestruturas
Segundo a Comunidade Intermunicipal, a plataforma será desenvolvida em duas fases, com uma primeira área de cerca de 550 hectares destinada à instalação inicial de empresas e infraestruturas e uma segunda fase de expansão, com aproximadamente 971 hectares, que funcionará como reserva estratégica para futuras necessidades de crescimento.
Em comunicado, o presidente da CIMLT, João Teixeira Leite, considera que a localização escolhida reúne “características únicas à escala nacional”, permitindo responder à procura crescente por grandes áreas destinadas à atividade económica.
Projeto destinado ao Médio Tejo e Oeste...
De acordo com o autarca, a centralidade geográfica de Santarém permitirá que os benefícios do projeto se estendam não apenas à Lezíria do Tejo, mas também “às regiões do Médio Tejo e do Oeste”, através da criação de emprego, atração de empresas e reforço da atividade económica.
O projeto, sustenta a associação de municípios, surge num contexto de escassez de solo disponível para acolher investimentos industriais de grande dimensão, sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa, onde os custos de instalação, habitação e mobilidade têm “aumentado significativamente nos últimos anos”.
A CIMLT pretende agora apresentar formalmente a proposta ao Governo e às entidades competentes, defendendo o reconhecimento da plataforma logística, empresarial e industrial como projeto de interesse estratégico nacional.
Empresas industriais, logísticas e tecnológicas
No relatório estratégico que acompanha a proposta, a CIMLT argumenta que a economia portuguesa enfrenta “limitações na captação de novos investimentos” devido à reduzida disponibilidade de áreas empresariais contínuas e com dimensão suficiente para responder “às exigências das empresas dos setores industrial, logístico e tecnológico”.
A entidade defende que Santarém reúne condições privilegiadas para responder a esse desafio, apontando a localização central no território nacional, a proximidade ao mercado da Grande Lisboa e a presença de importantes infraestruturas de transporte.
Fácil acesso pela A1 e A23 e ao Aeroporto Luís de Camões
Entre as vantagens identificadas estão a proximidade das autoestradas A1, A13, A15 e A23, a ligação à Linha do Norte, a futura rede ferroviária de alta velocidade e a proximidade ao futuro Aeroporto Luís de Camões, em Alcochete.
A CIMLT considera igualmente que o projeto poderá beneficiar da futura Plataforma Intermodal de Santarém e da integração nos corredores logísticos nacionais e europeus, “reforçando a capacidade exportadora das empresas que se instalem na região”.
O documento destaca ainda a disponibilidade de recursos considerados estratégicos, nomeadamente água e energia, bem como a existência de áreas suscetíveis de acolher atividades económicas de larga escala, algo que os promotores consideram cada vez mais difícil de encontrar noutras regiões do país.
Outro dos aspetos valorizados é a proximidade ao futuro Campus Tejo - Science & Technology, projeto que a CIMLT considera complementar à plataforma e que poderá favorecer “a ligação entre empresas, universidades, centros de investigação e estruturas de inovação”.
Fresh-52 avaliado em 130 milhões de euros
Segundo os promotores, “a criação de um ecossistema capaz de combinar indústria, logística, investigação e desenvolvimento tecnológico poderá contribuir para a criação de emprego qualificado e para a fixação de talento na região”.
A proposta prevê igualmente a articulação da futura plataforma com os parques empresariais existentes nos vários municípios da Lezíria do Tejo, procurando distribuir os benefícios económicos pelo conjunto do território.
O relatório refere que a região já começou a atrair investimentos de grande dimensão, apontando como exemplo o projeto agroindustrial Fresh-52, avaliado em 130 milhões de euros e destinado à produção de cenouras ‘baby’ para exportação, cuja construção deverá arrancar em 2027.
