Liga dos Bombeiros pede inquérito sobre "kits" com materiais inflamáveis

Jaime Marta Soares quer ainda que a Proteção Civil reconheça o erro, peça desculpa e substitua o equipamento distribuído.

O Presidente da Liga dos Bombeiros, Jaime Marta Soares, pede ao ministro da Administração Interna a abertura de um inquérito sobre a entrega, pela Proteção Civil, de kits com materiais inflamáveis no âmbito do programa "Aldeias Seguras".

O Jornal de Noticias (JN) avança hoje que foram distribuidas setenta mil golas antifumo fabricadas com material inflamável e sem tratamento anticarbonização, que custaram 125 mil euros.

De acordo com o jornal, as golas antifumo, fabricadas em poliéster, "não têm a eficácia que deveriam ter: evitar inalações de fumos através de um efeito de filtro".

Dois oficiais de segurança do distrito de Castelo Branco disseram ainda ao JN que "a gola aquece muito" e "cheira a cola". Estes oficiais queixaram-se também do colete refletor, também feito em poliéster.

Perante a situação, Jaime Marta Soares pede ao governo que "não lave as mãos" do problema e instaure um inquérito para que sejam apuradas as causas e responsabilidades.

 

 

O presidente da Liga dos Bombeiros sugere ainda que a Proteção Civil reconheça o erro, peça desculpa e substitua o equipamento distribuído.

 

 

O presidente da LBP classifica de “tremenda negligência e irresponsabilidade” a entrega de materiais inflamáveis no âmbito do programa “Aldeia Segura”, defendendo que a Proteção Civil desse assumir o erro e pedir desculpas.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) esclareceu, entretanto, que os materiais distribuídos não são de combate a incêndios nem de proteção individual, mas de sensibilização de boas-práticas.

Para Jaime Marta Soares, este esclarecimento “é muito mau” e defende que “autoridade tem de assumir esse erro” e “pedir desculpa pelo erro”, porque “as pessoas entenderão que ninguém o fez intencionalmente”.

O programa "Aldeia Segura" está a ser implementado desde 2018 em vários municípios e soma, segundo o jornal, 1 507 oficiais de segurança local – a quem compete encaminhar as populações para os locais de abrigo.

Dois oficiais de segurança do distrito de Castelo Branco disseram ao JN que “a gola aquece muito” e “cheira a cola”. Estes oficiais queixaram-se também do colete refletor, também feito em poliéster.

Ao jornal, um representante da Foxtrot Aventura, empresa de Fafe, no distrito de Braga, a quem a ANEPC comprou 15 mil ‘kits’ e 70 mil golas em junho de 2018 disse que considerava tratar-se “merchandising” e que a entidade não referiu que os equipamentos “seriam usados em cenários que envolvem fogo”.

“Se assim fosse, as golas seriam de outro material e com tratamento para suportar esses cenários [de fogo] (…) Juro que achei que isto seria usado em ações de merchandising’, garantiu Ricardo Peixoto ao JN.