Liga Portuguesa contra o Cancro traça cenário preocupante para doentes

Pandemia atrasou deteção e tratamentos cruciais.

A Liga Portuguesa Contra o Cancro traça um retrato preocupante da realidade oncológica em Portugal, fruto da pandemia da Covid-19. Vitor Veloso, secretário-geral da Liga, diz que o cancro foi o mais esquecido das doenças durante a pandemia.

"É um cenário muito preocupante.Praticamente todas as doenças crónicas foram esquecidas e o cancro foi o parente pobre, até porque tem timming e o timming tem de ser correto e assertivo", adverte Veloso.

Por causa da pandemia, muitos casos não foram detetados atempadamente e aparecem em fases já muito avançadas. Vitor Veloso admite que "a mortalidade vai disparar nos próximos quatro anos" porque "quando há demoras no acesso quer aos médicos de família, quer aos meios de diagnóstico, aos hospitais e aos tratamentos, o que poderia ir a tempo de uma cura, resulta muitas vezes em morte". 

O secretário-geral da Liga Portuguesa Contra o Cancro defende que é importante e urgente uma reorganização do sistema nacional de Saúde em defesa do doente e uma maior aposta em programas de prevenção, deteção precoce e tratamento do cancro em Portugal. Sublinha que o "tempo perdido não é recuperável".

Os dados recolhidos sugerem que muitos casos de novos cancros ficaram por identificar durante os anos de pandemia.

Esta sexta-feira assinala-se o Dia Mundial de Luta Contra o Cancro.