Lisboa reforça passadeiras com almofadas de Berlim por quase dois milhões de euros

Passadeiras da nova geração instaladas em 15 bairros de Lisboa. Câmara Municipal gastou 1,75 milhões de euros, com a ajuda de almofadas de Berlim e tracejado verde para bicicletas

Passadeiras do séc. XXI, almofadas de segurança e linhas verdes fazem parte do projeto "Bairros 30", incluído no Plano Municipal Urbano Sustentável que visa reforçar a segurança pedonal,  na capital, nos próximos anos. Dos 30 bairros que integram a lista, com passagens pedonais renovadas ou em vias de concretização, 15 deverão ficar concluídos até ao final de 2025, cujo orçamento ascende a 1,75 milhões de euros.

Pedro Dinis, Diretor Municipal de Mobilidade da Câmara de Lisboa, enfatiza que estes projetos "foram antecedidos pela auscultação a inúmeras entidades, públicas e privadas, além de associações representativas dos bairros, onde estes projetos foram instalados, por forma a ir ao encontro das necessidades de segurança de cada local."

Passadeiras da nova geração ajudam deficientes 

Os tons branco e vermelho das novas passagens foram "baseados em estudos científicos que revelaram serem os mais indicados", cujo modelo foi inspirado em várias cidades europeias.

Inseridos em locais sensíveis no interior dos bairros, "destacamos a importância da sua localização, com sinalização vertical e horizontal, perto de escolas, zonas residenciais, unidades de saúde, parques de lazer e onde o fluxo de peões é elevado, como plataformas intermodais de transporte público".  Em termos técnicos, apresentam um design que garante múltiplas formas de prevenção: "rebaixadas, no sentido de auxiliar pessoas com mobilidade reduzida, em cadeira de rodas, com carrinhos de bebé ou direcionadas para peões que apresentam problemas de mobilidade, além de um guia destinado a invisuais ou amblíopes, detetando facilmente onde está a passadeira. Algumas estão equipadas com sinais sonoros e placas indicadoras de tempo real decrescente".

Das 9 mil passadeiras existentes em Lisboa, cerca de 15%, um número de ronda as 1350, foram alvo de renovação ou melhoramentos, adaptadas ao novo design, denominadas de "passadeiras acessíveis". Vêm acompanhadas de almofadas de Berlim, obrigando o trânsito rodoviário a diminuir a velocidade, à medida que se aproxima do local.

Almofadas de Berlim para amortecer a velocidade

Testadas na década de 1970, acabaram por se tornar quase um ícone na prevenção rodoviária, um pouco por todo o mundo, incluindo Portugal que adotou o modelo, à semelhança de Londres, Paris e Roma, em cidades como Oeiras, Cascais e Lisboa.

As almofadas de Berlim destacam-se das tradicionais lombas, em termos de tamanho e composição, medem "exatamente 1,80m de largura por 3m de comprimento, por forma obrigar os automóveis ligeiros, tendo em conta o eixo das rodas, a abrandar suavemente, mas também veículos pesados, autocarros e ambulâncias, sem serem afetados pela almofada, durante a passagem."

Traços verdes ... andam bicicletas por aqui

Além das passadeiras e das almofadas que as complementem, o Plano de Acessibilidade Pedonal integra ainda os tracejados verdes, inovadores e alvo de inúmeras interrogações por parte dos lisboetas. Mas afinal o que são? Pedro Dinis explica:  "Quer dizer...aquela linha verde, para o condutor, para o próprio peão, aquele arruamento específico, com a velocidade máxima é de 30 km/h,  é também coexistente com o ciclista e com a rede ciclável. O que indica? Atenção, está num arrumamento que não pode andar a mais de 30 km/h e andam bicicletas por aqui..." 

Por outras palavras, existem locais em Lisboa, onde a construção de uma pista ciclável é difícil ou impossível sendo esta uma forma de contornar o problema. As bicicletas passam a ter autorização para circular, com a devida precaução, em zonas de automóveis e transportes públicos.

Em 2026 a câmara de Lisboa deverá dar início à segunda fase do "Bairros 30", tendo em vista os restantes 15 bairros, que receberão reforço de segurança pedonal.