Lisboa regista menor satisfação com qualidade de vida urbana

Lisboa é a região portuguesa onde os residentes estão menos satisfeitos com a qualidade de vida urbana, segundo o mais recente Barómetro das Cidades.

Resumo IA

• O "Barómetro das Cidades" revela que apenas 70% dos portugueses estão satisfeitos com as suas cidades, abaixo dos 86% na Europa.

• A Área Metropolitana de Lisboa tem a menor satisfação, com 58% dos residentes contentes, e 70% consideram saúde e habitação prioridades.

• O inquérito foi realizado entre 10 de março e 24 de maio de 2026, com 1.247 entrevistas.

Resumo feito por IA e revisto pela redação da Rádio Comercial

O mais recente "Barómetro das Cidades", executado pela DOMP para a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), revela que as cidades portuguesas apresentam resultados menos favoráveis do que os registados no contexto europeu. Em Portugal, apenas 70% dos inquiridos declaram estar satisfeitos com as suas cidades, face a 86% dos residentes europeus, com base no inquérito "Quality of life in European cities", da Comissão Europeia.

Lisboa regista a menor satisfação com a qualidade de vida

A Área Metropolitana de Lisboa (AML) é a região do país que regista menor satisfação com a qualidade de vida: apenas 58% dos residentes estão agradados com a cidade onde vivem.

A AML apresenta as avaliações menos positivas em várias dimensões do ambiente urbano, como o ruído (apenas 35% estão satisfeitos), a qualidade do ar (40%) ou a limpeza urbana (30%).

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Vila Nova de Gaia Câmara Municipal de Gaia

A satisfação aumenta significativamente na Área Metropolitana do Porto (AMP), para 76%, que, com níveis de insatisfação mais baixos e mais próximos da média nacional.

A AML regista ainda avaliações negativas no acesso à saúde e à educação: nos cuidados primários de saúde, a satisfação situa-se nos 39%, abaixo dos 60% registados na AMP e dos 53% de média nacional.

São as cidades pequenas do litoral não metropolitano que registam as avaliações mais positivas nos domínios da saúde e da educação.

O barómetro analisa a qualidade de vida urbana, as relações comunitárias e a participação cívica, comparando áreas metropolitanas, cidades médias e pequenas do litoral não metropolitano, cidades do interior e regiões autónomas.

Habitação e saúde são as principais preocupações

O inquérito demonstra que a crise da habitação pressiona sobretudo as áreas metropolitanas, enquanto nas restantes cidades a grande preocupação é a falta de oportunidades de emprego.

Mais de 65% dos inquiridos a nível nacional identificam a saúde e a habitação como as duas grandes prioridades para melhorar a qualidade de vida urbana, mas na AML estas prioridades sobem para a casa dos 70%.

A nível nacional, 51% dos inquiridos confirmam que os custos com a habitação condicionam outras despesas familiares e quase 80% rejeitam a ideia de que é fácil encontrar habitação adequada a preço razoável, situação que assume maior pressão na AMP (88%) e na AML (82%) e menor nas cidades das Regiões Autónomas (67%) e do interior (70%).

Em terceiro lugar das prioridades surge o emprego, apontado por 40% dos inquiridos a nível nacional, percentagem que aumenta para a casa dos 50% nas cidades do interior.

Automóvel continua a dominar as deslocações diárias

No que diz respeito à mobilidade, apontada como uma das áreas mais críticas nas cidades, o automóvel continua a ser o principal meio de transporte nas deslocações diárias, usado por 79% dos inquiridos.

O transporte público é a opção de apenas 28% dos residentes nas cidades portuguesas (aumentando para 44% na AML e 34% na AMP), abaixo dos 43% registados nas urbes europeias.

Os principais obstáculos apontados para não usar o transporte público não são os custos, mas a frequência insuficiente e a fraca articulação entre diferentes meios.

Automóvel continua a dominar as deslocações diárias

No que diz respeito à mobilidade, apontada como uma das áreas mais críticas nas cidades, o automóvel continua a ser o principal meio de transporte nas deslocações diárias, usado por 79% dos inquiridos.

O transporte público é a opção de apenas 28% dos residentes nas cidades portuguesas (aumentando para 44% na AML e 34% na AMP), abaixo dos 43% registados nas urbes europeias.

Os principais obstáculos apontados para não usar o transporte público não são os custos, mas a frequência insuficiente e a fraca articulação entre diferentes meios.

A falta de fiabilidade e pontualidade é destacada sobretudo na AML (42%), estando os residentes da AMP mais satisfeitos a este respeito (16%).

Lisboa destaca-se também pela menor sensação de segurança

É na AML que se registam os níveis mais baixos de sentimento de pertença à comunidade (39%), confiança nos vizinhos (42%) e participação nas atividades do bairro (33%). Em contraste, nas cidades do interior, 68% dos residentes confiam nos vizinhos.

A perceção de segurança segue o mesmo padrão: mais de metade dos residentes da AML (51%) não se sentem seguros a andar sozinhos nos seus bairros à noite, valor que desce para 29% nas cidades do interior e 24% nas regiões autónomas.

O inquérito – que se baseou em 1.247 entrevistas a pessoas com mais de 18 anos, realizadas entre 10 de março e 24 de maio de 2026 – revela também diferenças no perfil sociodemográfico em função do tipo de cidade.

Cidades do interior têm população mais envelhecida

As cidades do interior concentram a população mais envelhecida (33% de residentes com 65 ou mais anos) e a maior proporção de reformados (30%), enquanto as cidades médias do litoral não metropolitano têm uma população mais jovem (27% entre os 18 e os 34 anos) e mais escolarizada (51% com ensino secundário ou superior).

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Miranda do Douro Site oficial Câmara Municipal de Miranda do Douro

Já a população migrante tem uma distribuição relativamente homogénea pelos diferentes tipos de cidade.

Apesar dos desafios identificados, a maioria dos residentes nacionais continua a imaginar o seu futuro na cidade onde vive, com apenas 19% a admitirem mudar de cidade e 18% a emigrarem para o estrangeiro.