Lisboa vai inaugurar memorial às vítimas da tragédia do elevador da Glória

A inauguração está marcada para quinta-feira no Largo da Oliveirinha, junto à Calçada da Glória.

O memorial às vítimas da tragédia do elevador da Glória, em Lisboa, vai ser inaugurado na quinta-feira no Largo da Oliveirinha, junto à Calçada da Glória, onde há um ano ocorreu o acidente, revelou hoje a Câmara Municipal.

A composição do memorial integra uma oliveira adulta com 150 anos implantada em caldeira circular e rodeada por “16 blocos pétreos em calcário” com “alturas diferenciadas e superfícies preparadas para gravação dos nomes das vítimas”, informou a Câmara Municipal de Lisboa (CML), em comunicado.

Pretende-se assim homenagear as vítimas, no dia em que se cumpre um ano desde o descarrilamento do elevador da Glória, que provocou 16 mortos e 24 feridos, de 15 nacionalidades.

“A partir desta quinta-feira, 03 de setembro de 2026, e na sequência do trágico acidente ocorrido no elevador da Glória, equipamento histórico, inaugurado em 1885 e elemento identitário da cidade, Lisboa passará a contar com um local de homenagem, memória e reflexão coletiva: um memorial no Largo da Oliveirinha”, realçou a CML, presidida por Carlos Moedas (PSD).

De acordo com a autarquia, a cerimónia de inauguração terá início às 09:00 e o acesso ao local será de caráter reservado.

“O memorial pretende afirmar-se como um espaço de recolhimento, passando a reforçar simultaneamente a dimensão simbólica daquele lugar”, indicou.

Cumprindo com a promessa de criar um memorial, medida aprovada pela CML em 08 de setembro de 2025, poucos dias após a tragédia, a câmara realçou hoje que os principais objetivos passam por criar um espaço público de homenagem e memória dedicado às vítimas do descarrilamento, bem como valorizar simbolicamente o Largo da Oliveirinha enquanto lugar de permanência, contemplação e recolhimento.

“A proposta procura consolidar o Largo da Oliveirinha como espaço de memória e permanência, valorizando simultaneamente a identidade histórica da Calçada da Glória e a relação visual com a envolvente urbana”, adianta a CML.

Além da oliveira e dos 16 blocos em calcário com os nomes das vítimas, a composição do memorial inclui um banco semicircular contínuo em pedra natural e uma guarda metálica envolvente ao memorial, incorporando iluminação integrada e suporte para deposição de flores.

A CML reforça ainda que o memorial se desenvolve em torno da oliveira adulta, elemento central da intervenção, símbolo de paz, continuidade e permanência, diretamente associado ao topónimo “Oliveirinha”.

Articulado com o eixo turístico-cultural da Calçada da Glória e do Jardim de São Pedro de Alcântara / Jardim António Nobre, um dos miradouros mais emblemáticos de Lisboa e o ponto alto da experiência urbana proporcionada pelo histórico elevador da Glória, o Largo da Oliveirinha funciona como um pequeno espaço de transição entre ruas históricas e zonas de maior movimento, pelo que “a sua qualificação reforça a continuidade pedonal e a coerência do conjunto monumental”, segundo a CML.

Um ano depois do descarrilamento do elevador da Glória, a investigação ao acidente ainda decorre, bem como o apoio aos familiares das 16 vítimas mortais e aos 24 sobreviventes, registando-se, até ao momento, quatro processos indemnizatórios concluídos, ficando a faltar 36 processos.