Live Aid foi há 35 anos. Músicos relebram o dia histórico
Foi a 13 de julho de 1985. Bob Geldof, um dos impulsionadores do evento solidário e histórico, lembra como é que tudo aconteceu.
"A razão pela qual se tornou no maior concerto de sempre não é apenas pela elevação das atuações dos artistas que participaram, mas pelo que deu origem a este evento", começou por dizer Geldof. O músico relembra o dia em que levou com um murro no estômago com a tal reportagem sobre a fome na Etiópia. O que viu levou-o a pôr em perspetiva aquilo a que até então apelidava de "problemas" e a refletir sobre a discrepância entre o desperdício alimentar das sociedades europeias e a escassez de alimentos da realidade africana. Para Geldof, a situação era "absurda" e "moralmente repulsiva".
"Não bastaria pôr um dólar, uma libra ou um euro numa caixa de caridade. Era algo fulcral e muito mais profundo. Era a possível morte de 30 milhões de seres humanos. Teria de ser feito algo que saísse de nós, tudo o que fiz foi compor alguns temas", continuou. Com um arrepiante sentimento de urgência para agir, nem que fosse chamar a atenção do mundo, Bob Geldof juntou-se a Midge Ure (músico dos Ultravox) para a composição do tema solidário 'Do They Know It's Christmas?'. A canção coube nas vozes de alguns artistas como Sting, Boy George, Phil Collins, Bono, Elton John, George Michael, Duran Duran, entre outros. Era o nascimento da Band Aid e do single com parte das receitas a reverter a favor de várias organizações não governamentais que ajudavam a minimizar o cenário de fome na Etiópia.
Como é que este impulso solidário acabou por ser o maior concerto de todos os tempos? Bob Geldof também explica. Ainda no recente rescaldo do sucesso natalício, o músico e ativista irlandês foi contactado por Harry Belafonte e Michael Jackson, ambos envolvidos na iniciativa solidária USA For Africa que também foi criada com o foco de acabar com a fome em África. A convite dos dois músicos, Geldof acabou por dar um pulo aos Estados Unidos, onde esteve com um céu estrelado de músicos - de Bruce Springsteen a Ray Charles, passando por Bob Dylan, todos eles nomes do elenco do tema 'We Are the World'. "Nesse encontro pensei: 'podemos juntar estas duas bandas. Podemos juntar a USA For Africa e a Band Aid", lembra.
O resto é história. História da música.
A união das duas missões solidárias, ancoradas pelos maiores astros da música, resultaram então no Live Aid que aconteceu a 13 de julho de 1985. Mais de setenta artistas juntaram-se à causa humanitária. Paul McCartney, Queen, Mick Jagger, Keith Richards, Bob Dylan, Led Zeppelin, Black Sabbath, The Who, The Beach Boys, David Bowie, Elton John, Eric Clapton, Madonna, U2, Simple Minds, Wham!, Duran Duran, Spandau Ballet, Boy George, Sting, Elvis Costello, Neil Young, Phil Collins, Ultravox, Dire Straits, Sade, The Who, Status Quo, Pretenders, Paul Young, Bryan Adams, Eric Clapton, entre muitos outros, dividiram-se entre dois palcos, o de Wembley, em Londres, e o de John F. Kennedy, em Filadélfia.
Mais de 150 mil pessoas assistiram aos concertos ao vivo em ambos os estádios. 1.5 mil milhões de pessoas acompanharam as atuações pela televisão. O Live Aid foi transmitido em quase uma centena de países e angariou cerca de 83 milhões de euros para combater a fome na Etiópia. Nesse dia, os músicos, como diz o cantor e compositor irlandês, conseguiram meter o foco em pessoas que "estavam silenciadas e não tinham voz".
35 anos depois, e tal como fez Bob Geldof, vários artistas usaram as redes sociais para recordar o super evento solidário. Veja aqui algumas:
Créditos da imagem: Facebook Oficial Paul McCartney
