"Livros a Oeste" regressa à Lourinhã com "Narrativas de Esperança"

O "Livros a Oeste - Festival do Leitor" regressa à Lourinhã entre 12 e 16 de maio para a sua 14.ª edição.

O festival Livros a Oeste – Festival do Leitor regressa à Lourinhã entre os dias 12 e 16 de maio para a sua 14.ª edição, afirmando-se novamente como um espaço de encontro em torno do livro, da palavra e do pensamento. Mais do que um festival literário, o evento assume-se como um território de criação, reflexão e participação cívica, onde a cultura surge como ferramenta para compreender o presente e imaginar futuros possíveis.

Sob o tema “Narrativas de Esperança”, a edição deste ano parte de uma ideia central: ler é um ato de coragem. Num tempo marcado pelo ruído, pela polarização e pela dificuldade em escutar o outro, o festival propõe uma pausa para pensar, questionar e procurar novos caminhos.

Em entrevista, João Morales, um dos responsáveis pela programação, explica que a escolha do tema nasce da própria realidade contemporânea. “São tantos os problemas que nos afetam neste momento, a nível internacional e global, que uma das coisas que nos restam para enfrentar o futuro é a esperança”, afirma. Para o programador, a esperança não representa passividade, mas antes uma atitude ativa perante os desafios atuais.

“Quando se fala de esperança e de coragem no mesmo raciocínio, estamos a falar de enfrentar os problemas e não esperar que eles se resolvam por si só”, sublinha. Nesse sentido, a literatura e as artes surgem como formas de intervenção e transformação social, capazes de abrir espaço ao pensamento crítico e ao diálogo.

Ao longo de cinco dias, o festival espalha-se por vários espaços da Lourinhã com uma programação multidisciplinar que inclui conversas com autores, apresentações de livros, exposições, instalações, música, dança, oficinas, ações de formação, sessões escolares e residências artísticas abertas à comunidade.

Segundo João Morales, esta diversidade é precisamente uma das marcas distintivas do festival. “Nunca nos limitámos ao escritor canónico. Já tivemos jornalistas, atores, pedagogos, cientistas, académicos, gente da igreja. O livro acaba por ser um ponto de partida para cruzar diferentes áreas do saber”, explica.

O responsável destaca ainda o formato informal das iniciativas, pensadas mais como “conversas” do que debates académicos. “Não queremos discursos densos ou enfadonhos. Procuramos convidados que comuniquem bem e que consigam criar diálogo entre si e com o público”, refere.

A contemporaneidade das temáticas volta também a estar presente nesta edição, nomeadamente através de sessões dedicadas ao impacto do digital, da inteligência artificial e da desinformação. Uma das conversas em destaque, “O céu que nos protege será virtual”, propõe uma reflexão sobre a influência da tecnologia na política, na espiritualidade e na vida quotidiana.

A forte componente educativa mantém-se igualmente como uma prioridade. Desde a primeira edição que o festival desenvolve atividades dirigidas às escolas, do pré-escolar ao ensino secundário, promovendo a leitura, o pensamento crítico e a literacia mediática.

Entre as iniciativas deste ano destacam-se oficinas sobre desinformação e fake news dinamizadas pelo Polígrafo, numa aposta clara na formação de públicos mais conscientes e preparados para os desafios da era digital. “As antigas ferramentas já não resolvem novos problemas. Precisamos de novas soluções e elas têm de chegar às pessoas desde cedo”, defende João Morales.

A encerrar o festival estarão residências artísticas e momentos de criação aberta, reforçando a ideia de uma cultura em permanente construção e diálogo entre diferentes disciplinas. Para o programador, as fronteiras entre áreas do saber são hoje cada vez menos rígidas. “Cada vez faz menos sentido acantonar as áreas do conhecimento. A arte, a política, a tecnologia, a economia e a comunicação cruzam-se constantemente. E quanto melhor nos entendermos uns aos outros, mais preparados estaremos para pensar o futuro”, conclui.

Na sua 14.ª edição, o Livros a Oeste reafirma assim a vontade de fugir aos lugares-comuns e de construir uma programação plural, capaz de juntar nomes consagrados e propostas emergentes, sempre com o objetivo de transformar o livro num ponto de encontro entre ideias, pessoas e formas de olhar o mundo.