Lorent Saleh: "O terrorismo é uma política de Estado na Venezuela"
O ativista venezuelano, prémio Sakharov em 2017, diz que ainda "há muita gente inocente" detida na Venezuela.
Apesar da libertação de mais de 100 presos políticos nos últimos dias na Venezuela, ainda haverá quase duas mil pessoas detidas no país por motivos políticos na sequência das eleições presidenciais de 28 de julho.
Lorent Saleh, ativista venezuelano e prémio Sakharov em 2017, diz que "o terrorismo é uma política de Estado na Venezuela", sublinhando que há uma grande "impunidade" que permite às autoridades venezuelanas fazerem "o que querem com os cidadãos". E só uma mudança "no sistema político da Venezuela" vai permitir acabar com esta situação.
Lorent Saleh também foi preso político na Venezuela entre 2014 e 2018. Quatro anos de "tortura" que aguentou tendo sempre em mente a família e a luta pela justiça.
"Quando tens consciência de que estás a lutar pela justiça e que valem a pena todos os esforços possíveis para que pessoas inocentes deixem de sofrer no nosso país, surge uma força para estares bem. Ter consciência disso permitiu-me aguentar. Evidentemente tive situações de queda, incluindo querer deixar de viver, mas sempre encontrei uma luz e força interior", sublinha.
O ativista venezuelano diz que a comunidade internacional "esqueceu-se da Venezuela" e de outros países onde não são respeitados os direitos humanos, mas sublinha que o prémio Sakharov (atribuído este ano aos líderes da oposição venezuelana Maria Corina Machado e Edmundo Gonzalez) traz um "alento" a quem luta pela democracia e pelos direitos humanos no país.
Apesar de não ser "determinante" para a mudança política na Venezuela, este Sakharov é mais um elemento a favor dessa "mudança que se quer alcançar". Lorent Saleh espera também que este prémio, atribuído pelo Parlamento Europeu, possa permitir "uma operação política e diplomática" para a transição no poder a 10 de janeiro, dia em que Edmundo González deveria tomar posse como "presidente eleito" na Venezuela.
Lorent Saleh reside em Espanha desde 2018. Ainda sonha regressar a uma Venezuela "livre e democrática".
Para já ainda é incerto o futuro do país depois das eleições de 28 de julho. O Conselho Nacional Eleitoral atribuiu a vitória ao atual Presidente da Venezuela, Nicólas Maduro, com pouco mais de 51% dos votos, mas a oposição afirma que o candidato Edmundo González Urrutia obteve quase 70% dos votos.
Entretanto, o Parlamento Europeu condenou "a fraude eleitoral", reconhecendo "Edmundo González como presidente legítimo e democraticamente eleito do país e María Corina Machado como líder das forças democráticas na Venezuela". Os dois líderes da oposição venezuelana vão receber o prémio Sakharov em Estrasburgo no dia 18 de dezembro.
