Luísa Sobral: "sou mais genuína em português e isso passa para as pessoas"
A digressão internacional da cantora e compositora portuguesa começa amanhã na Austrália. No dia 12 de maio, a autora de "Rosa" vai subir ao palco do Teatro da Trindade, em Lisboa.
Começa amanhã, dia 7 de março, a digressão internacional que vai levar Luísa Sobral a palcos de países como a Austrália, Japão, Itália, França, Alemanha e Espanha. No regresso a Portugal, a cantora e compositora vai atuar no Teatro da Trindade, em Lisboa. O concerto está marcado para o dia 12 de maio. Até lá, as paragens serão fora de portas. "Rosa", o disco que editou no final de 2018, é ainda o álbum que ocupa mais espaço na mala de viagem.
Em plena crise do novo coronavírus e numa altura em que vários artistas optam por cancelar digressões (sobretudo as que passam pela Ásia), Luísa Sobral prefere preservar a calma e manter-se o mais informada possível sobre os riscos de contágio. "Obviamente que me assusta um bocado, até porque estou grávida. É natural que me assuste, tudo me assusta. Por outro lado, acho que os músicos devem assumir o papel de embaixadores da normalidade. As pessoas têm de ter alguma calma e ponderar o que está a acontecer com base em factos e não nesta histeria coletiva. Não podemos parar de viver, temos de continuar a fazer as nossas coisas. Levar música às pessoas é um reflexo da normalidade, é algo importante nestas alturas".
As primeiras paragens da digressão são na Austrália. Há concertos marcados para Adelaide, Melbourne e Sidney, ao todo quatro datas que marcam a estreia de Luísa Sobral em palcos australianos. Ao longo do roteiro, a cantora portuguesa ainda vai fazer a estreia num palco do Japão e outro em França. A estreia leva-nos à segunda pergunta e à tranquilidade na resposta. Sobre a antecipação das emoções que poderá sentir quando pisar o palco nesses países, a atenção de Luísa Sobral foca-se sobretudo na questão da "transição linguística", mesmo tendo o inglês como segunda língua. "Essa transição é muito importante para mim. É essencial sentir-me à vontade com a língua, uma vez que falo muito durante os concertos. Isso é que poderá provocar-me algum nervosismo inicial". Nervos e línguas à parte, o que realmente importa - cá ou lá - é a vontade de tocar que é a mesma em qualquer parte do mundo. "Tenho sempre muita vontade de tocar. É superior a tudo".
Sendo a Austrália uma fã assumida da Eurovisão, continua a ser pertinente perguntar por 'Amar Pelos Dois', a canção que compôs para a voz do irmão Salvador Sobral e que venceu a competição em 2017. "Eu conto sempre a história que está por trás dessa canção e falo sobre as razões que me levaram a escrevê-la. Continuo a fazer isso para situar as pessoas. Em alguns países, ainda oiço o público a cantar algumas partes da canção. Acho que só não a cantam toda porque têm vergonha de cantar numa língua que não é a sua".
Por falar nisso e nas emoções que se soltam das mensagens que transmite em português, Luísa Sobral lembra um comentário que ouviu quando tocou em Israel. "Nessa altura, cantava muito em inglês, tinha só algumas canções em português, mas lembro-me que houve uma rapariga que me disse que, apesar de não perceber o que eu dizia, conseguia emocionar-se mais com aquilo que eu dizia em português do que em inglês, mesmo não entendendo". A resposta a este aparente mistério é simples. O "português é a língua do coração", a ligação que temos com a nossa língua materna "será sempre superior". É especial cantar na minha língua e sentir as coisas sem o filtro da tradução. Acho que sou mais genuína em português e isso passa para as pessoas. Vejo que se emocionam com aquilo que eu canto mesmo quando não percebem o que estou a dizer". Para aconchegar a mensagem, em todos os palcos que pisa, Luísa Sobral tem o cuidado de contar as histórias que construiram as canções. A intenção é "preparar as pessoas para a viagem".
Além dos músicos Manuel Rocha (guitarra) e do trio de sopros composto por Gil Gonçalves, Ângelo Caleira e Sérgio Charrinho, a bordo dos concertos na Austrália vão estar também músicos australianos, mais precisamente na secção de sopros. Luísa Sobral está entusiasmada com a experiência e até gostaria de multiplicá-la por outros palcos.
As novidades da passagem da digressão pela Austrália não acabam aqui. A cantora e compositora também foi convidada para ministrar masterclasses de Composição e Criatividade no Conservatorium Open Academy, em Sidney, e no Collarts School of Entertainment em Melbourne. O desafio não é propriamente um feito inédito na lista de afazeres de Luísa Sobral que, no ano passado, deu aulas de Escrita de Canções.
"Explico quais são as ferramentas que uso e que me ajudam na parte criativa. Não imponho o meu método como se tivesse de ser dessa forma. Acho que cada um deve ter o seu próprio processo criativo. Dou-lhes ferramentas para criar e maneiras diferentes de olhar para o mundo. Depois, cada um utilizará essas ferramentas da forma que entender. Não há formas certas ou erradas de escrever. Noutra fase da aula, também gosto que me mostrem canções e que toquem para mim, para que possamos trabalhá-las".
Para compor e contar histórias, há que desdobrar o olhar para o mundo. Viajar é também por isso uma fonte de inspiração, tal como a observação constante que depois transforma em canções. Além disso, saltitar pelo mundo também é solo para o percurso do próprio disco. Quando "Rosa" chegar ao palco do Teatro da Trindade, será para mostrar a rodagem que tem tido na estrada. "Esse concerto vai servir para mostrar o caminho que o álbum fez até agora e todas as mudanças que foram acontecendo. O disco fica ainda mais nosso quando o tocamos tantas vezes e em tantos sítios diferentes".
O concerto em Lisboa está marcado para o dia 12 de maio.
Datas da digressão de Luísa Sobral:
7 e 9 de maço: Adelaide (Austrália) - WOMADelaide
11 de março: Melbourne (Austrália) - 75 Reid St.
14 de março: Sidney (Austrália) - The Sydney Portugal Community Club
16 de março: Tóquio (Japão) - Haremame Club
21 de março: Feyzin (França) - L´Épicerie Moderne
27 de março: Amberg (Alemanha) - Rathaus
16 de abril: Gambettola (Itália) - Festival Crossroads
18 de abril: Senigallia (Itália) - Teatro La Fenice
7 de maio: Murcia (Espanha) - Teatro Circo Murcia
12 de maio: Lisboa - Teatro da Trindade INATEL
