Mafalda Veiga sobre Jorge Palma: autor de "algumas das canções mais autênticas" escritas em português

“Escreveu e cantou a banda sonora das nossas vidas. E viveu, intensamente, connosco e entre nós, nosso cúmplice na alegria, na tristeza, no amor, na fragilidade, na companhia ou na solidão", disse a cantora e compositora.

A cantora e compositora Mafalda Veiga recordou hoje Jorge Palma, que morreu na segunda-feira aos 76 anos, como o autor de “algumas das canções mais bonitas e mais autênticas que alguma vez foram escritas em português”.

“Escreveu e cantou a banda sonora das nossas vidas. E viveu, intensamente, connosco e entre nós, nosso cúmplice na alegria, na tristeza, no amor, na fragilidade, na companhia ou na solidão. Transformou em música cada um desses momentos e fez, com as suas canções, que todos eles fossem um bocadinho nossos também”, refere Mafalda Veiga, numa texto enviado à agência Lusa.

Mafalda Veiga e Jorge Palma gravaram juntos “Tatuagens”, música do álbum “Tatuagem” da cantora, editado em 1999.

“Quando fizemos o dueto ‘Tatuagens’, pintámos na mão um do outro o sol e a lua”, escreveu, em referência ao videoclipe da música.

Mais tarde, em 2018, voltaram a gravar juntos, desta vez uma nova versão de “Imortais”, tema originalmente incluído no álbum “Chão”, de Mafalda Veiga.

Para a cantora foi a “genial proximidade” de Jorge Palma com quem ouviu a sua música “que o tornou tão carismático”.

“Essa sensação única de o termos à distância de um palco, do lume de um cigarro a meio da noite, de uma gargalhada, de uma confidência ou de um desejo, como quem nos põe o braço no ombro para continuarmos juntos o caminho quando nos sentimos tão frágeis como agora, ao perdê-lo”, escreveu.

Jorge Palma, um dos cantores e compositores mais marcantes da música portuguesa contemporânea, morreu na segunda-feira à noite, aos 76 anos, anunciou a família nas redes sociais, pedindo que o autor seja lembrado “pelas suas canções e palavras”, agradecendo “toda a amizade demonstrada ao longo dos anos”.

“Querido Jorge, o mundo sem ti é estranho, é mais vazio, é tão só. Mas levaremos na palma da nossa mão a tua estrela do mar e, enquanto houver estrada para andar, vamos continuar contigo sempre”, concluiu Mafalda Veiga.