MAI diz que PSP vai atuar "por antecipação" nas manifestações pela habitação
Ministro Luís Neves não esclarece o que significa a ação por antecipação, mas garante que ninguém no Governo "fica satisfeito com qualquer ato de violência". Manifestantes remetem qualquer decisão para a assembleia popular do final desta tarde.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou hoje que a PSP vai atuar “por antecipação” nas manifestações pela habitação, salientando que nenhum membro do Governo fica satisfeito com qualquer ato de violência.
“A PSP, as forças de segurança, têm toda a autonomia operacional para agirem da melhor forma possível, no sentido de anteciparem”, disse o governante à margem de uma reunião com a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro.
Perante a insistência dos jornalistas sobre como é que a PSP vai atuar nos próximos dias perante as concentrações em várias cidades do país em defesa de habitação para todos e a preços justos e dignos, Luís Neves insistiu que foi “muito claro” e que agir por antecipação é não deixar crescer.
“Quero dizer o seguinte: ninguém, eu próprio, nenhum membro do Governo fica satisfeito com qualquer ato de violência”, garantiu.
Manifestantes lembram que decisões são tomadas em assembleia
Uma das manifestantes que tem estado acampada no Rossio, Priscilla Valadão, explicou a esta redação que, apesar dos avisos de Luís Neves, a decisão em vigor, tomada esta terça-feira em assembleia popular, é a de avançar com novas tendas.
"Como não existe organização que decida o que fazer, vai ser falado em assembleia que o Governo disse isto", refere a manifestante sobre as palavras do ministro.
Com nova reunião marcada para as 19h00 desta quarta-feira no Rossio, a representante informal admite "que alguém vá levar esse ponto" para a discussão.
"Não vou dizer o que vai ser proposto, não sou ninguém, não tenho essa função nem ninguém tem. Se alguém propuser que não acampemos e for aprovado em assembleia, faremos assim", garante.
Desafiada a um comentário direto ao que disse Luís Neves, que prestou declarações perto das 11h45, Priscilla Valadão explica que "a grande maioria das pessoas que fazem a acampada estão a trabalhar e, provavelmente, como eu, não sabem o que o ministro disse".
Os atuais protestos pelo direito à habitação e o custo de vida em Portugal tiveram início na cidade do Porto, a 10 de outubro, com cerca de 1500 manifestantes a juntarem-se na Praça D. João I e a pernoitarem no local em tendas de campismo.
A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, já no formato de uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia, e à noite cerca de três mil pessoas juntaram-se aos manifestantes iniciais, mas acabaram por dispersar.
As tendas voltaram ao local no sábado e a acampada alastrou nesse dia à cidade de Lisboa.
Na madrugada de terça-feira, enquanto o protesto da cidade nortenha foi terminado perante os avisos de intervenção policial, as autoridades removeram dezenas de tendas na capital e detiveram 55 pessoas por desobediência, entretanto libertadas.
Novas assembleias populares também se realizaram na terça-feira em Lisboa e em cidades como Coimbra, Braga ou Faro.

