Gestora do sistema Volta prepara soluções para mitigar os problemas de limpeza urbana
A SDR Portugal anuncia ainda que já foram devolvidas mais de 450 milhões de embalagens em quase seis meses de funcionamento.
A entidade que gere o sistema Volta garante que vai responder ao Governo com um plano para mitigar os problemas de limpeza urbana.
O Ministério do Ambiente pediu à SDR um plano até à próxima sexta-feira, dia 16 de outubro, e a gestora garante que vai dar uma resposta dentro do prazo, sublinhando, no entanto, que a empresa não pode substituir as autarquias.
"O Volta não substitui os municípios na responsabilidade pela limpeza urbana. No entanto, vamos responder no prazo ao Ministério do Ambiente. Vamos dar uma série de propostas, de soluções e de recomendações, como é que isto se pode mitigar (...) em colaboração com as autarquias", refere Lia Oliveira, diretora de marketing e comunicação da SDR Portugal, em entrevista à nossa redação.
A responsável considera que os problemas de limpeza urbana tendem a desaparecer à medida que aumentar a adesão ao sistema Volta, referindo que esse cenário tem acontecido noutros países europeus.
"Este tipo de situações aconteceram também pontualmente em algumas grandes cidades dos outros países da Europa e tendem a desaparecer com a maturidade do sistema. Porquê? Tem uma explicação muito simples. À medida que se vão cada vez mais devolvendo as embalagens nos pontos Volta, elas deixam de estar nos sítios onde não devem estar, que é nas papeleiras e nos ecopontos, e, portanto, naturalmente, havendo menos nesses sítios, também há menos vasculhar destas embalagens nessas localizações", sublinha.
Os dados mais recentes, adianta, referem-se à Irlanda, que um ano depois da implementação do sistema "conseguiu ter uma redução do lixo urbano de 50 por cento. Portanto, esse é um dos efeitos positivos colaterais dos sistemas de depósito e reembolso."
Mais de 450 milhões de embalagens devolvidas
Em quase seis meses de funcionamento, já foram devolvidas mais de 450 milhões de embalagens nos pontos do Sistema Volta, com a SDR Portugal a destacar a cada vez maior adesão dos portugueses.
"O Volta já ultrapassou 450 milhões de embalagens devolvidas desde o dia 10 de abril, quando o sistema arrancou. Isto demonstra uma adesão muito significativa dos cidadãos e que o sistema está a ser utilizado em larga escala por todos. E também é importante dizer que vemos um aumento consistente mês a após mês da média diária de embalagens devolvidas, tendo batido o recorde há cerca de duas semanas, 6,8 milhões de embalagens devolvidas num só dia", sublinha Lia Oliveira.
"Não haver uma máquina não significa que não se possa devolver as embalagens"
A SDR Portugal refere que há cerca de três mil pontos Volta automáticos, mas sublinha que não são os únicos sítios onde se pode devolver as embalagens.
"Também se pode devolver nos pontos Volta manuais, que são minimercados e supermercados mais pequenos, acima de cinquenta metros quadrados, onde se podem devolver as embalagens que se compraram, assim como também se podem devolver as embalagens que se compram nos restaurantes e nos cafés, no próprio estabelecimento, podendo reaver o valor de depósito", esclarece a diretora de marketing e comunicação da gestora.
Mesmo "nas localidades mais pequenas, basta haver um minimercado onde se vá fazer as compras que tenha mais de cinquenta metros quadrados e nesse sítio pode devolver as embalagens que lá comprou. Portanto, há sempre um ponto de volta manual, apesar de poder não estar identificado, porque não tem a máquina, não é tão fácil de perceber, mas sim, pode devolver as embalagens nesses locais, não tendo que se deslocar ao supermercado ou hipermercado na localidade mais próxima."
Para onde vão as embalagens devolvidas?
"Depois dessa devolução ser feita, a Volta vai buscar essas embalagens aos supermercados e aos hipermercados, leva-as para dois centros de contagem e triagem, onde essas embalagens são, como o próprio nome indica, contadas e separadas entre aquilo que é o plástico transparente, o plástico de cor e o alumínio, e depois são vendidas a recicladores. O que que isto acontece? Ao serem vendidas a recicladores, depois podem voltar a integrar o circuito alimentar e podem voltar a ser novamente garrafas e latas de bebidas."
Lia Oliveira diz que o sistema veio para ficar e "vai atingir as metas às quais Portugal está obrigado até 2029, que são 90 por cento de recolha de embalagens de bebidas, de garrafas de plástico e latas. É um objetivo muitíssimo ambicioso e com a experiência já vivida dos outros países da Europa, garantidamente nós vamos conseguir lá chegar também."
Reforço do sistema
Além da rede obrigatória, que são os pontos Volta automáticos e manuais que estão nos supermercados e hipermercados, "há duas outras redes".
A rede voluntária, que permite aos aeroportos, portos de recreio, caminhos de ferro ou outras entidades instalar "máquinas, pontos de volta automáticos para poderem dar conveniência a quem por lá passa."
E a rede supletiva, que "são os os quiosques Volta, máquinas de grandes dimensões que aceitam mais de 120 embalagens por minuto. Portanto, pode-se virar um saco para dentro da máquina do quiosque e as embalagens são contadas automaticamente. (...) E essas quiosques, que estão previstos cinquenta por todo o país, já temos oito a funcionar."
