Mais de 650 horários continuam por preencher

Ministro da Educação revela que a escassez de professores é concentrada na região da Grande Lisboa e no 1.º ciclo.

Resumo IA

• O Ministério da Educação procura preencher 664 horários de professores, principalmente no 1.º ciclo em Lisboa.

• Desde o início do ano letivo, o número de horários vazios diminuiu de 1.012 para 664, com 238 casos no 1.º ciclo.

• O Governo vai celebrar acordos com 15 instituições de ensino superior ainda este mês para formar mais docentes.

Resumo feito por IA e revisto pela redação da Rádio Comercial

As escolas estão à procura de professores para preencher 664 horários, disse hoje o ministro da Educação, explicando que o problema é a escassez de docentes estar concentrada sobretudo na região de Lisboa e afetar o 1.º ciclo.

Desde que as aulas começaram, o número de horários vazios tem vindo a diminuir: "Na semana passada havia 1.012 horários e agora são 664", revelou o ministro da Educação, Fernando Alexandre, no encontro de apresentação dos resultados do estudo da OCDE "Education at a Glance 2026".

Se esta procura estivesse espalhada por escolas de todo o país, os números não seriam preocupantes, disse Fernando Alexandre, explicando que "três em cada quatro horários completos que continuam vazios são de escolas situadas na região de Lisboa".

Além disso, dizem respeito a escolas onde os alunos estão sem professor desde o início do ano letivo, acrescentou Fernando Alexandre.

Há 238 casos que dizem respeito a turmas de alunos do 1.º ciclo, segundo dados apresentados hoje pelo ministro, que reconheceu que "é isto é que torna o problema grave".

O ministro mostrou ainda que os outros casos de alunos sem professor estão concentrados na Península de Setúbal e no Algarve, as outras duas zonas há muito identificadas pela tutela como "carenciadas" de professores.

"Eu não tenho dúvidas de que a principal razão para os alunos não terem aulas tem a ver com a ineficiência do sistema" que cruza a necessidades das escolas e os professores disponíveis, defendeu.

Segundo Fernando Alexandre, há "milhares de alunos sem aulas e milhares de pessoas qualificadas que querem dar aulas e não conseguem".

Por isso, a tutela alterou o modelo de concursos, tendo criado um concurso em contínuo que permite a entrada de docentes a qualquer momento.

O ministro revelou ainda que já pediu aos serviços o desenvolvimento de uma aplicação para telemóvel que permita aos interessados consultar necessidades de professores na sua área e concorrer mais rapidamente às vagas disponíveis nas escolas para dar aulas.

Os dados do "Education at a Glance", hoje divulgados, revelam que os professores portugueses são os mais velhos dos países da OCDE e são também os mais insatisfeitos com os salários. No que toca a condições de trabalho, os portugueses também aparecem no fim da lista, só ultrapassados pelos japoneses.

A avançada idade dos professores faz com que cerca de quatro mil docentes se reforme todos os anos, sendo "o 1.º ciclo a maior preocupação", sublinhou Fernando Alexandre, lembrando as medidas tomadas para atrair jovens para a profissão e conseguir que os mais velhos adiem a idade da reforma.

"Ainda este mês vamos celebrar acordos com mais 15 instituições de ensino superior (IES), alargando assim a todo o pais" a medida que até agora permitia dar formação a docentes em 10 IES.