Mais de metade das câmaras não disponibiliza casas a vítimas de violência doméstica
A rede solidária municipal com as vítimas de violência doméstica foi criada em 2012. Autarcas admitem desconhecer o programa e não consideram a medida como sendo prioritária
Dos 308 municípios portugueses apenas 152 aderiram, até agora, à rede municipal solidária com vítimas de violência doméstica.
Segundos os números avançados pelo Jornal de Notícias (JN), no ano passado, foram feitos 255 pedidos de ajuda e foram atribuídas apenas 31 casas ao abrigo deste programa.
A rede municipal solidária foi lançada em 2012 com o objetivo de "incentivar a autonomização das vítimas de violência doméstica colocadas em casas-abrigo, com a cedência de uma habitação social ou apoio ao arrendamento". mas de acordo com o questionário online feito pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), metade dos autarcas admitiu desconhecer o programa, enquanto "13% não consideraram o mesmo prioritário".
Daniel Cotrim, responsável pela área da Violência Doméstica e de Género da APAV, garante que estes dados são "preocupantes", sublinhando que "é preciso reforçar o trabalho de sensibilização" junto das câmaras municipais, que em muitos casos "não têm noção do número de casos de violência nos seus territórios e que tipo de apoio pode ser prestado".
"Quanto mais próximo este tipo de programas estiver dos municípios, mais fácil poderá ser o seu envolvimento nestas respostas e no apoio às vítimas de violência doméstica", disse.
No ano passado foram feitas 25 mil denúncias de violência doméstica e, segundo a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), 28 mulheres foram mortas (mais oito do que em 2017).
