Manifestantes invadem Parlamento de Hong Kong

Os protestos surgem no seguimento da proposta de lei para a extradição de suspeitos para território continental chinês.

No dia em que se celebra o 22º aniversário da passagem do território de Hong Kong para a China, centenas de manifestantes envolveram-se num protesto à porta do Parlamento local, contra a proposta de lei para a extradição de cidadãos de Hong Kong para a China, a fim de serem julgados nos tribunais chineses, controlados pelo Partido Comunista.

De acordo com a agência Reuters, um grupo composto maioritariamente por estudantes avançou contra a fachada principal do Parlamento de Hong Kong com um "carro" metálico, postes e andaimes, investindo continuamente contra a enorme parede de vidro reforçado, que eventualmente acabou por ceder.

Os protestos obrigaram à intervenção das forças policiais, que investiram contra os manifestantes com bastões e gás lacrimogéneo, tendo preventivamente recuado para proteger a entrada do edifício, onde iria ter lugar o hastear da bandeira, incluído nas celebrações da entrega do território de Hong Kong à China pelo Reino Unido, a 1 de julho de 1997.

As manifestações já duram há várias semanas, e surgiram no seguimento da proposta de lei, agora suspensa, que dá às autoridades chinesas a arbitrariedade para extraditar cidadãos para serem julgados em território continental chinês, onde as represálias serão maiores e os direitos humanos não estão garantidos, avança a agência Reuters.

O território de Hong Kong foi entregue à China com um acordo de "um país, dois sistemas", que permitia a Hong Kong usufruir de liberdades não acessíveis aos cidadãos chineses, como o direito ao protesto e a independência do sistema judicial.

Em 2014, o Governo central chinês decretou que os eleitores de Hong Kong só poderiam escolher o seu chefe do Executivo de uma lista de até três candidatos, escolhidos pela Comissão de Eleições, leal ao Partido Comunista chinês. Desde aí, os cidadãos têm protestado pelo direito ao sufrágio universal e não apenas direto.

A proposta de lei da extradição é para os cidadãos de Hong Kong, o que tem vindo a aumentar a instabilidade nas ruas.

Embora Pequim negue a interferência em Hong Kong, grande parte dos residentes considera que este é o passo final na "marcha implacável" da China para obter total controlo do território de Hong Kong.

Ao longo desta segunda-feira, 1 de julho, foram centenas os manifestantes que se juntaram no Parque Victoria, em Hong Kong. A proposta de lei de extradição está suspensa, por agora.