Manifestantes voltam este domingo ao Rossio e à Praça D. João I após noite de confrontos com a polícia

As manifestações estão marcadas para as 17h00.

Os manifestantes que protestam contra a crise da habitação regressam este domingo, às 17h00, ao Rossio, em Lisboa, depois de uma madrugada marcada por confrontos com a polícia. A organização contabiliza cerca de 30 feridos na capital e anuncia uma queixa-crime contra a atuação policial. Está também previsto um protesto à mesma hora na Praça D. João I, no Porto.

A mobilização contra a crise da habitação prossegue este domingo, com novas manifestações convocadas para as 17h00, em Lisboa e no Porto. No Rossio, os participantes voltam a concentrar-se depois dos confrontos registados durante a madrugada, que, segundo Priscila Valadão, fizeram cerca de 30 feridos, apenas em Lisboa.

Em declarações às nossas rádios, a representante dos manifestantes classificou a intervenção policial como "uma ação violenta, completamente desproporcional" e denunciou a existência de feridos na cara, na nuca e na cabeça. Há também pessoas com ferimentos no nariz e com lesões na cabeça que terão obrigado a assistência médica. Priscila Valadão admite a possibilidade de existirem feridos graves, embora não tenha informações sobre a gravidade clínica dos casos.

A organização anunciou ainda que vai avançar com uma queixa-crime contra a atuação da polícia, com o acompanhamento dos advogados que estão a prestar apoio às pessoas detidas. Em causa estarão, segundo Priscila Valadão, alegadas violações das normas relativas à utilização da força policial e do direito constitucional à manifestação e à reunião.

A concentração desta tarde no Rossio pretende dar continuidade ao protesto contra as dificuldades no acesso à habitação, a especulação imobiliária e a existência de imóveis devolutos. No Porto, está igualmente prevista uma mobilização na Praça D. João I, às 17h00.

Priscila Valadão afirma que os protestos estão a ser articulados com outros movimentos e acampadas que têm surgido em diferentes pontos do país. A reivindicação central passa por garantir que a habitação seja destinada a quem precisa de uma casa para viver, contestando a utilização de imóveis para fins especulativos e a venda de património público a privados.

A representante dos manifestantes criticou também o Governo, nomeadamente a posição sobre o pacote laboral, e contestou as opções relativas à utilização de dinheiro público para financiar a guerra. Considera que as políticas do executivo não respondem às necessidades da população e defende que a contestação deve continuar.

Sobre a violência policial, Priscila Valadão entende que a intervenção durante a madrugada procura intimidar quem participa nos protestos, mas garante que os manifestantes não vão abandonar a luta."Nós estamos juntos e fortes nessa luta", afirmou, apelando à participação nas concentrações marcadas para esta tarde de domingo.