Marco Rubio visita hoje Lisboa. Amnistia faz apelo ao Governo por causa das Lajes
O secretário de Estado dos EUA tem encontros marcados com o primeiro-ministro e ministros do Negócios Estrangeiros.
O secretário de Estado dos EUA desloca-se esta quinta-feira a Portugal para reunir-se com as autoridades portuguesas e “avançar na cooperação em matéria de defesa, economia e tecnologia”.
Marco Rubio será recebido pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, pelas 12h00, tendo depois marcada uma conferência de impensa às 13h00 ao lado do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
A Amnistia Internacional - Portugal diz que o Governo português tem um dever moral e legal de não contribuir para crimes de guerra no Médio Oriente, uma mensagem que dever ser transmitida ao chefe da diplomacia norte-americana.
"É importante que o Estado português veja o contexto em que acontece este apoio aos Estados Unidos e que converse seriamente com Marco Rubio e lhe diga: 'Não contem conosco para possíveis crimes de guerra.'", sublinha João Godinho Martins, diretor-executivo da organização, em entrevista à nossa redação.
O responsável da Amnistia considera que Portugal poderá estar a contribuir para duas violações do Direito Internacional através da base das Lajes, nos Açores.
"Nós temos neste momento dois factos em cima da mesa. O Estado português participou na transferência de armas para Israel em abril de 2025, quando três caças F-35 passaram pela Base das Lajes. E o Estado português está a dar, tem estado, especialmente em março deste ano, um grande apoio às Forças Armadas norte-americanas para a guerra do Médio Oriente e ataques ao Irão", refere.
João Godinho Martins alerta que há "milhares de civis a morrer enquanto todo o mundo entra numa crise económica e numa crise financeira que todos nós sentimos, sem perceber o porquê, para onde é que vamos, porque é que esta guerra está a existir. Os iranianos continuam não só a ser vítimas do Estados Unidos, mas a ser vítimas do regime iraniano, entre duas ameaças terríveis que não estão a ser resolvidas por causa desta guerra também."
Por isso, diz que "Luís Montenegro, mais do que ser crítico, deve deixar de contribuir para esta guerra", porque "neste momento, esta guerra está a acontecer com a nossa facilitação e o Estado português tem de dizer claramente: 'Desta forma, não.'".

