Marés Vivas: Bryan Adams nas malhas da guitarra

Rocker não permitiu filmagens e fotos de ângulos próximos ao seu rosto.

Quando estava próximo de concluir o seu concerto de duas horas no festival Meo Marés Vivas, Bryan Adams mostrava-se "feliz" por ter voltado a atuar num país que lhe é especial e onde chegou a viver durante a sua adolescência. O músico mostrou-se em boa forma e com a banda muito bem oleada.

Quanto à sua imagem, o rocker canadiano não parece estar tão confiante. O músico só autorizou fotos à distância. E nas imagens dos ecrãs laterais, úteis para grande parte dos 50 mil espectadores presentes no recinto, nunca há qualquer ângulo próximo sobre o seu rosto. O único zoom possível é às suas mãos a dedilhar a guitarra elétrica. Esta atuação obrigou-nos a testar a nossa vista à distância e a olho nu, como num concerto à antiga de grandes dimensões. Apenas dava para ver a sua figura.

Bryan Adams conseguiu prender a grande moldura humana com um alinhamento pouco poupado em êxitos. 'Can't Stop This Thing We Started' e 'Somebody' foram logo as segunda e terceira músicas a serem tocadas. E a grande balada de "Reckless", 'Heaven', outrora guardada para o final, era já o quinto tema do alinhamento. 

Guitarradas é com Bryan Adams. Em 'It's Only Love', tem uma exuberância iconográfica com a sua guitarra ritmo, em duelo com os solos do guitarrista principal de sempre, Keith Scott. Bryan Adams vai arranhando uma palavras em português e faz a pergunta ao público, "Estão prontos para dançar?", antes de se lançar a 'You Belong to Me'. Depois, entra em regime de oldies rock & roll, em 'I've Been Looking for You'. Os momentos acústicos com Here I Am e When You’re Gone prepararam para outro banho sentimental, em 'Everything I Do'.

Apesar do desconforto com a sua imagem, Bryan Adams faz um clamor rockeiro de rebeldia juvenil em '18 Til I Die'. E continua com a idade de 18 anos quando interpreta 'Kids Wanna Rock', talvez o tema mais arrojado do álbum de 1984, "Reckless".  

'Summer of 69' é uma soma de mais umas valentes guitarradas, com Bryan Adams e o seu guitarrista principal Keith Scott a fazerem umas corridas pelo palco, de uma ponta à outra. A guitarra tem sempre o rastilho para alongar mais um pouco o tema. E 'Cuts Like a Knife' é outra malha que Bryan Adams faz tudo para não deixar morrer. 

O encore teve umas quantas oferendas, a maior delas 'Run To You'. Após a versão acústica de 'All for Love', o músico despediu-se do público com "beijinhos".