MARO: "sinto que estou num lugar de aceitação. É a vida. E a vida é curta"

Entrevista à cantora e compositora que esta semana editou o álbum "So Much Has Changed".

MARO editou esta terça-feira (27 de maio) o álbum "So Much Has Changed" - disco que, segundo a descrição que nos chegou em comunicado de imprensa, "nasce de um período de profunda transformação pessoal e artística. É um trabalho marcado pela introspeção, pela gratidão e pela consciência do caminho percorrido até aqui". A nota acrescenta que "este novo trabalho nasce num contexto pessoal significativo, a chegada aos 30 anos, e traduz-se numa celebração da vida, das relações e das mudanças que moldam quem somos".

O novo registo da cantora e compositora sucede a "hortelã", álbum que deu ao mundo em 2023 e com o qual foi distinguida com o Prémio José Afonso 2024. Antes, em 2022, editou o disco "can you see me?".

MARO soma momentos, canções e colaborações marcantes. A multi-instrumentista, compositora e produtora formou-se na Berklee College of Music (em Boston) e em 2018 estreou-se com o lançamento de cinco álbuns e um EP. Mais tarde, integrou a digressão mundial DJESSE de Jacob Collier, como elemento da banda. Durante essa fase, fez a primeira parte de concertos de artistas como Jessie J, Gipsy Kings, Charlotte Cardin ou The Paper Kites.

Em 2020, criou o projeto "ITSAME, MARO!" - "uma série colaborativa de 100 episódios com artistas de todo o mundo, incluindo Eric Clapton, Pablo Alborán, Lizzy McAlpine, Ivan Lins, Vitor Kley, ANAVITÓRIA, Sílvia Pérez Cruz, Maria Gadú, Mayra Andrade, Rui Veloso ou Lennon Stella". Em 2022, espalhou - com leveza profunda - a canção ‘saudade, saudade’ pelo mundo quando encantou na Eurovisão, ficando no top dez da competição. 

Além de Jacob Collier, a cantora já colaborou com artistas como Odesza, Parcels, Shawn Mendes, entre outros. Recentemente, MARO uniu esforços criativos com Patrick Watson no álbum "Uh Oh" – um disco de colaborações que o artista canadiano editou em 2025.

MARO vai andar em digressão pelo mundo com "So Much Has Changed". A 26 de março, a artista portuguesa atua no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e a 28 de março no Coliseu do Porto.

Oiça a entrevista:

Entrevista a Maro

Esta semana, “deste” uma listening party para apresentar o álbum a um grupo de pessoas antes de o lançares para o mundo...

Sim, senhora. 

E pelo que eu vi no teu Instagram, foi uma noite com muito amor à tua volta. Qual foi o feedback que recebeste depois de todos ouvirem o disco?

Mais do que tudo, só ouvi coisas boas e bonitas. Mas ouvir as pessoas a falar da forma como veem o disco e de como me veem a mim foi uma sensação estranha. Acho que foi isso. Senti muito carinho. Fui dormir inundada de felicidade. 

E como é que veem o disco e como é que te veem a ti?

Acho que notaram que estou numa fase feliz. Muitos descreveram como "luz", o que para mim é um mega elogio. E também senti que é fácil relacionarem-se com a música. As palavras "luz" e "leveza" foram as que mais ouvi durante a noite. E acho que, realmente, descreve bem a fase onde estou e o disco. Fiquei muito feliz por isso transparecer.    

Li um comentário de alguém que escreveu na parte das stories do teu Instagram que escutar o álbum a fez sorrir e chorar ao mesmo tempo. É uma mistura de emoções que parece muito pura…

É. Completamente. Normalmente, quando lanço [um álbum] há um lugar em que sinto que o que dizem não é propriamente sobre mim. É algo meio estranho. E, pela primeira vez, acho que este álbum é tão [o lugar] onde estou que, de repente, sinto o mesmo que as pessoas sentem quando se relacionam com o disco. Sinto o mesmo que essas pessoas sentem com as músicas. O chorar e o rir. Conecto-me com todas essas coisas que as pessoas sentem. Isso também é giro. 

O título do disco é "So Much Has Changed", em português: "tanta coisa mudou". O que é que mudou, MARO? Já sei que teres feito 30 anos ajudou… 

Exatamente. Acho que foi isso. Provavelmente aos trinta anos, sinto que a perspetiva de vida muda. Vamos crescendo, vamos tendo mais maturidade. Vamos questionando certas coisas que, muitas vezes, tomámos como certezas absolutas. De repente, questionamo-nos mais. Começamos a pensar que se calhar nem tudo é assim tão mau. Que talvez seja mais leve e tranquilo do que achávamos. E pronto, este disco é sobre isso. 




Estás a aprender de certa forma a relativizar e, ao que sei, a apurar a máxima "viver um dia de cada vez"…

Na verdade, sinto que vivo um dia de cada vez desde a adolescência. Desde cedo que penso no "hoje" e no ato de entregar tudo no "hoje". E depois amanhã logo de vê. Foi o que aconteceu quando decidi ir estudar para fora. Mergulho de cabeça. Salto de cabeça e, se não der certo, lido com isso. Mas, ao mesmo tempo, essa forma de estar também é vivida com muita intensidade. E é aqui que entra a parte de relativizar. Comecei a perceber isso nos últimos dois anos. Relativizo mais sobre certas pessoas que entram e saem da minha vida, por exemplo. Antes parecia que o mundo ia acabar quando me desiludia e perdia um amigo. E agora, pela primeira vez, sinto que estou num lugar de aceitação. É a vida. E a vida é curta. As coisas são o que são e acontecem porque têm de acontecer. É aceitar e sentir gratidão, mesmo que nos pareça que é o fim do mundo. É pensar que se calhar o que aconteceu até pode ser uma bênção. Aconteceu porque tinha de acontecer. Tento ver por esse prisma.  

Há gratidão, transformação, mas também sei que tens algumas canções com algumas sombras. Estás, de certa forma, a despedir-te dessas sombras? 

Há. Acontece com toda a gente. Vamos continuar a perder pessoas de quem gostamos, vamos continuar a viver desamores e a sentir coisas tristes. O que acontece neste disco é que voltei a escrever sobre essas coisas, mas por uma lente de aceitação. Pela lente de que está tudo bem. A vida é mesmo assim. Há leveza na aceitação da escuridão, não é? Isso é que mudou. Em vez de pensar que a minha vida vai acabar por causa de um desamor penso que talvez esteja na altura de dizer adeus. Aceitar apenas que foi uma história. E foi o que foi. Por exemplo, há uma das canções que diz que eu não mudaria nada porque na realidade com esta história aprendi outras coisas. É despedir-me destas situações nesse lugar [de aceitação].  

Continuas a ter essa conexão pura entre o que sentes e o que transmites aos outros com as canções. Quando essas emoções criativas começam a emergir como é que é o teu processo de criação? Precisas de estar num lugar mais de reclusão ou podes estar em tour e de repente “saltas” para um piano ou pegas na guitarra para compor?

Sim. Depende imenso. Sempre que tenho uma guitarra ou um piano e apetece-me tocar, saem sempre coisas. O que, até agora, tem sido ótimo. É ótimo não sentir que não consigo escrever. Mas também acontece o contrário. Já escrevi um monte de canções em aviões, sem qualquer instrumento e com o barulho das pessoas à minha volta. Mas não é do género, “para tudo”. Se estiver num café ou num restaurante com amigos e, de repente, surgir uma frase ou um tema, abro o telefone e escrevo. Se estiver no aeroporto, ponho o telefone perto da boca e gravo a melodia. São ideias que vão aparecendo e que tento registar quando surgem. 

É verdade que a faixa que dá título ao disco foi escrita para a pequena MARO? 

Acaba por ser, mas, na verdade, escrevia-a especificamente para a MARO de 2022, 2023, quando passei por um momento de maior escuridão. Foi uma altura em que acabei por perceber que não estava muito bem. Também foi na sequência de ter perdido o meu avô, que foi a primeira grande perda da minha vida. Perdi uma das pessoas que fazem parte de mim. E isso leva-nos a pensar no significado da vida. Foi uma fase em que fui descendo, descendo e, de repente, percebi que estava com uma depressão. O que pensei foi, "como é que se sai disto?". Essa canção é uma carta para essa MARO. É uma carta que diz, "vai dar tudo certo" e "está tudo bem". E é isso. Digo-lhe que os amigos verdadeiros são poucos, mas que ela vai saber quais são. E que um dia também irá perder a avó, como perdeu o avô. Mas que está tudo bem. Também serve para dizer que o tempo passa cada vez mais depressa, mas que não tem de haver pressão por causa disso. Todas estas coisas são escritas para a MARO que se sentia, não digo propriamente perdida, mas, de certa forma, num buraco.  

E também incluíste no disco o tema 'Drown' que escreveste em 2018… 

Sim. 

E no comunicado de imprensa sobre o álbum evidencias como a batida “com mais energia” contrasta com a letra. Pelo que percebi, é uma canção importante para a narrativa do álbum…

Sim. Senti que a nível de som e de musicalidade fazia todo o sentido. E depois é isso. É uma música que estava escrita desde 2018 e queria gravar desde sempre. Mas com este disco que senti: "ah, é agora!". É uma canção de desamor, mas senti que queria pegar nela agora para deixar ir esse assunto. A história faz parte do passado, mas queria deixar ir o que sentimos quando alguém chega, vira a nossa vida do avesso e depois se vai embora. Mais uma vez, é a aceitação. Não é um álbum que, de repente, nos diz que vai ficar tudo bem. Vou continuar a escrever sobre coisas que não são tão felizes mas vou tentar que seja com uma perspetiva diferente.  

E em relação às atmosferas musicais para este disco, como é que foi o processo de criação? 

Quando começámos a gravar, já tinha uma ideia muito clara. Tinha oito canções novas, mas, quando cheguei ao momento de gravar, acabaram por surgir canções novas. Durante a fase de gravação, tinha uma noção muito clara do que que queria. Falo dos arranjos, das linhas de baixo, das linhas de guitarra, das partes do piano. Depois foi uma diversão ir gravando as várias camadas com quatro dos meus melhores amigos, que são amigos de uma vida inteira. Falo, por exemplo, do Tommaso Taddonio, que foi o meu melhor amigo na Berklee [escola de música em Boston, nos Estados Unidos]. Conheci-o faz agora onze anos, é incrível como o tempo passa tão depressa. Falo também do Pedro e Gabriel Altério, que são dois irmãos brasileiros que fazem parte da família que adotei, e do Nasaya com quem fiz uma série de projetos. Já escrevemos muita música e temos um projeto nosso. Acabei por chamá-lo para coproduzir este disco, embora o álbum seja bastante diferente do que costumamos fazer juntos. Neste caso, eu produzi e chamei-o para a coprodução. No projeto que partilhamos é mais “meio, meio”. Neste álbum eu sabia tudo o que queria, mas o Nasaya, que veio para fazer a sua magia, acabou por ser uma peça fundamental. 

Está tudo muito organicamente entrosado, não é? 

Sim. Acho que tudo conta. É estares em estúdio, numa bolha criativa, com pessoas que adoras e com quem te ris muito. Há muita brincadeira e diversão. Ainda no outro dia estive a organizar isso tudo e ri-me muito com aquilo que gravámos. Somos uma família. E isso acaba por passar para a música. 

E houve algum cuidado especial na ordem que escolheste para o alinhamento do álbum?

Sim, sim. Adoro que a ordem seja intencional. Sabia que a 'I Owe It To You' teria de ser a primeira música e que a 'To Grieve You' teria de ser a última. A canção 'To Grieve You' é sobre o processo de luto de uma fase da minha vida, o tal "deixar ir". É sobre deixar os vintes para trás. A escolha da 'I Owe It To You' para abrir o disco é também pelo significado. É uma canção de gratidão para as pessoas que me ajudaram a chegar ao lugar onde estou hoje. E nem estou a falar da carreira, falo do lugar aonde cheguei como pessoa, de quem sou hoje. É sobre a gratidão que sinto pelo apoio da família que tenho. É uma dedicatória, mas como musicalmente é uma canção que começa só com guitarras, é como se estivesse a abrir a porta, devagarinho, ao disco anterior, o "hortelã. Como se estivesse a dizer adeus a tudo o que está para trás. De repente, no final do tema, abre-se a porta para Nárnia [mundo fantástico criado pelo escritor Clive Staples Lewis]. Digo isto no sentido em que a porta se abre para um mundo novo. Depois achei que fazia todo o sentido colocar a seguir o tema 'So Much Has Chaged'. Foi algo como: "ok, agora que já expliquei para quem é este disco e abri a porta, o segundo tema explica do que é que o disco se trata". A ordem foi intencional em todas as faixas. 

Começámos a entrevista a falar de "luz" e de como essa palavra foi recorrente no feedback que tiveste do álbum durante a listening party. A família e teus amigos são também o teu sustento para essa luz, certo? Além da tua luz própria, claro…  

Sim, são. São o centro. No evento que fizemos foram várias pessoas. Foram umas que conhecia muito bem e outras que não. Emocionou-me ver amigas, que tenho desde os quinze anos e que não têm nada a ver com música, nesse lugar de apoio. Fazem parte do meu porto seguro. Isso deixou-me bastante emocionada. 

O que me deixou muito emocionada nos últimos tempos foi ver a tua participação no concerto do Patrick Watson [que atuou a 15 de janeiro no LAV – Lisboa Ao Vivo]… 

Ah! Foste? 

Fui! 

Ele é incrível, não é? 

É mesmo incrível! Já o entrevistei e acho que também é um ponto de luz. É impossível falarmos sobre todos os artistas com quem te tens cruzado, mas creio que este é um dos mais recentes. Como é que foi participar no álbum do Patrick Watson e depois subir ao palco para cantar com ele.  

Colaborar com outros artistas é o que mais me move para continuar a fazer o que faço. E o Patrick é um artista que oiço há imensos anos e de quem sou muito fã. Quando surgiu o convite, fiquei hiper feliz. Não pensei duas vezes em dizer que sim. Começámos por gravar à distância e depois houve ali um momento em que a vida nos cruzou quando estava a fazer a abertura dos concertos da Charlotte Cardin. Foi muito giro. No último concerto em Paris, que foi no Zenith, a Charlotte convidou o Patrick Watson. Foi quando nos conhecemos em pessoa. E, uma vez que estávamos os dois em Paris, o Patrick disse-me: "olha, tenho um amigo que tem aqui um estúdio pequenino. Vamos embora". Gravámos a música ['The Wandering'] em vinte minutos porque eu tinha de sair para o soundcheck. Aconteceu ali, de repente, o nosso primeiro momento juntos. Só depois em Los Angeles é que efetivamente nos encontrámos com mais tempo. Foi lá que gravámos o videoclipe da música que fizemos juntos.


Sempre que estava com ele pensava no privilégio que era estar ali. E o remate final foi com estes concertos [em Lisboa e na Casa da Mísica, no Porto]. Seria um concerto ao qual eu iria de qualquer forma. Portanto, foi incrível ter o privilégio e a honra de poder fazer parte do concerto e de poder partilhar esse momento com ele e de cantar com ele.  

E houve um momento do concerto completamente inesperado, pelo menos para mim…

Acho que até para eles, porque nada foi bem planeado. Era do género, "se calhar vens aqui, se calhar cantas isto, se calhar fazemos assim". 

Então, como é que surgiu a 'Landslide' [canção original dos Fleetwood Mac]? 

Ficou decidido dez minutos antes de irmos para o palco. Foi do tipo, "deixa ver aqui a letra". Mas eu adoro esses momentos. Não gosto de me levar muito a sério. Acho que a vida fica mais fácil e mais bonita assim. E esse tipo de eventos ou de concertos é um pouco isso, não é? No final de contas, é deixar o ego de lado. Estamos todos numa sala para ouvir música. Por que razão devo estar preocupada se vai ou não ser perfeito. Cantei [o 'Landslide'] com a La Force, que é o nome artístico da Ariel Engle que faz parte da banda do Patrick. Também é uma artista incrível. Não a conhecia e fiquei completamente fã. Às tantas, o Patrick disse-nos: "adorava que cantassem juntas". Ela disse que adoraria fazer isso e eu respondi, "incrível, 'bora, claro que sim". Para mim, o mais importante é viver esses momentos e partilhar esses momentos. Isso é bem mais importante do que ficar preocupada com o resultado. Isso não entra na equação.  

Tens cruzado o teu caminho artístico com tanta gente, de gerações diferentes e até de géneros musicais diferentes, o que é que estas pessoas têm acrescentado à tua alma artística, a ti, como pessoa, e que conselhos te dão? 

De uma forma geral, acho que conhecer outras pessoas, outras culturas e experienciar coisas novas faz com que sejamos melhores pessoas. Isso, para mim, é uma regra de vida. É uma forma de pormos à prova o que achamos e ajuda-nos a desconstruir certas "paredes". Deixamos de ver apenas um quadrado porque contactamos com maneiras diferentes de pensar. O que para nós é senso comum pode não ser para a pessoa do lado. Sinto que isso também está na música. Porque, para mim, não há música sem o lado humano. Se alguém faz música incrível mas depois não é boa pessoa, já não dá para mim. Acho incrível poder colaborar com tanta gente porque ganho sempre no lado humano. Foi através da música que fui ganhando amigos e pessoas de quem gosto mesmo muito.
No lugar musical, acho que se fizer as coisas sozinha e da mesma maneira, vai chegar um momento em que vou estagnar. Se não continuar a provocar outras coisas, a descobrir as outras MAROS que vivem cá dentro ou a ter novas referências, como é que vou crescer como artista? Como é que vou ter outros sons ou experimentar outras coisas? Sinto que são as colaborações que me dão isso tudo. Há uma MARO que sai com o Patrick e há uma MARO que sai com a November Ultra, por exemplo. Com o Nasaya é incrível. Há um mundo de MARO eletrónico que é zero forçado. Acontece sempre que estamos juntos. Divertimo-nos, como se fôssemos crianças, tocar isto ou a tocar aquilo. Quando damos por nós, passado meia hora, temos uma música que ambos adoramos. E tal não aconteceria, se não nos tivéssemos juntado. É isto que faz com que continue com esta vontade, com esta sede infindável colaborar com pessoas. 

E depois há uma MARO que tem efeito terapêutico para a Billie Eilish ou para o Dino D' Santiago ou faz a Norah Jones chorar, neste último caso com a música 'Still Feel It All'. Palavras da Norah Jones ao jornal "The Guardian"…

Jura? 

Sim, sim.

Eu adoro a Norah Jones… 

Achas que essa forma de chegares às pessoas tem a ver com a tua autenticidade? 

Talvez. Se calhar o facto de ser tão transparente faz com que as pessoas se conectem mais facilmente. Não sei. 

Agora quero saber o que é que estás a preparar para os teus concertos nos coliseus…

Vai ser com banda. Vamos ser cinco em palco.  E, de novo, vou atuar com os meus melhores amigos, o que é incrível. O Nasaya, por acaso, não vai porque tem de estar a produzir e fazer as coisas dele, mas seria um sonho tê-lo lá. Por outro lado, vai lá estar o Manuel Rocha que não fez parte do disco mas faz parte da minha vida desde que me lembro. Conhecemo-nos desde pequenos, já lançámos um disco juntos e tocámos muitas vezes juntos. É isso. Vai o Tommaso, o Pedro, o Gabriel e o Manel. A ideia é apresentar o álbum novo na íntegra, mas, claro, também fazer uma viagem por alguns dos temas mais importantes da minha carreira.

Tenho a sensação que no teu concerto pode sair qualquer pessoa atrás da cortina… 

Surpresas…

Tipo o Shawn Mendes… (risos)

Seria bom, seria bom.  

MARO, o que é que tu mais gostas na música? 

É a linguagem universal. Ponto. Podemos não falar a mesma língua ou ter ideais políticos diferentes. Quando estamos numa sala de espetáculo e não sabemos nada sobre as outras pessoas, a música pode ser o ponto comum. Acho isso absolutamente fascinante. É por isso que continuo a apostar tanto na música. É a linguagem universal. 

E pode ajudar-nos a navegar no nosso caos interno e no caos externo… 

Completamente. Sim, sim. E nem estava a falar dessa parte. Se fosse descrever o que a música de outros artistas já fez à minha vida, é algo que não tem preço. A música é transcendente. É muito maior que nós. 

Muito obrigada, MARO. 

Obrigada eu.