Maroon 5: "o último ano obrigou-nos a perceber o que realmente importa"

A banda norte-americana juntou fãs do mundo inteiro à volta do ecrã. Um livestreaming global com direito a hits e música nova.

Mudam-se os tempos, adaptam-se os concertos. Foi o que fizeram os Maroon 5. A banda da Califórnia convocou os fãs para uma experiência de livestreaming à escala global. O concerto virtual, que aconteceu ontem à noite, não foi pioneiro, mas, de alguma forma, ainda soube a novidade. O ajuntamento global, e forçosamente virtual, funcionou como resposta às contrariedades pandémicas que suspenderam a música ao vivo. Nós também "estivemos" lá.    
 

À hora marcada, cerca das oito da noite - hora de Portugal Continental, ocupámos o melhor lugar na nossa sala de estar, metemos o computador ao colo e ativámos a curiosidade para medir a temperatura às canções da banda californiana, agora encaixadas neste (um pouco já gasto) novo normal.

A noite reservou-nos uma atuação com direito a música nova, uma mão cheia de hits e uma sessão de perguntas e respostas, orquestrada pelos mais curiosos, os fãs.

O concerto arrancou com o bom espírito de 'One More Night', canção que os Maroon 5 editaram em 2012. O início foi servido com uma dose de reggae, talvez para combinar com o cenário solarengo, a lembrar a leveza veraneante. Entre palmeiras, televisões, cães de loiça e um carro abandonado, Adam Levine foi o único que andou a palmilhar o palco para aproveitar o espaço. Os restantes mantiveram-se nas posições do costume ao longo do concerto. Já o cenário, fazendo-se valer do dinâmico jogo de luzes, ia mudando de cor para encaixar com a personalidade das canções. 

'Animals', que acabou com os dois pés no rock mais pesado, fez a passagem para a novidade da noite - o tema 'Beautiful Mistakes'. Do cruzamento retro das guitarras ao cruzamento da pop sexy dos Maroon 5 com um dos nomes palpitantes do rap atual foi um pulo. Megan Thee Stallion, que empresta a voz a parte do single, também esteve "presente" na convocatória virtual. A rapper não entrou via zoom, como é frequente por estes dias, mas sim através do ecrã que estava posicionado atrás da banda.

'What Lovers Do' e 'Makes Me Wonder' foram as canções que se seguiram no alinhamento, lista que andou muito à volta dos hits radiofónicos e consagrados do coletivo.

'Don't Wanna Know' deu o espaço necessário às proezas vocais de Adam Levine e 'Girls Like You' ao dedilhar de James Valentine que encetou o tema na guitarra acústica. A canção seguiu o seu caminho com o rap de Levine e Cardi B - ela que também "apareceu" virtualmente para ajudar a encher a faixa do disco "Red Pill Blues". 

Sem público aos pés para aplaudir, dançar ou gritar, os Maroon 5 tiveram de imaginar a interação com os fãs, relação essencial no que à música ao vivo diz respeito. Talvez para resguardar a ideia de proximidade (coisa rara nos dias de hoje), Adam Levine e James Valentine responderam a uma série de perguntas que chegaram de fãs localizados em vários pontos do mundo. Um momento a lembrar o storytelling ou os concertos mais intimistas que dividiu o concerto em três atos. 

"O nosso álbum preferido é o de estreia, o "Songs About Jane". Foi com esse disco que tudo começou. Nunca se consegue repetir o primeiro álbum. Foi muito especial. Como se costuma dizer, estamos a vida toda a tentar fazer o primeiro disco. Vai sendo sempre mais difícil fazer álbuns a partir do primeiro", respondeu Levine quando lhe perguntaram que disco dos Maroon 5 preferia. Por outro lado, e com os olhos postos no futuro, James Valentine respondeu que o álbum que prefere é sempre o que ainda está por fazer.

Seguiu-se uma versão mais arrastada de 'Secret' e o hit 'Sunday Morning' ganhou alguns tiques jazzísticos. 'She Will Be Loved', tema do disco de estreia, e 'Moves Like Jagger', canção de "Hands All Over", receberam tratamento acústico, apenas com voz e guitarra. 'This Love',  'Memories' e 'Sugar' completaram o set preparado para a noite de ontem. 

"O último ano ensinou-nos muita coisa", disse Adam Levine a propósito da experiência pandémica. "Ensinou-me a perceber o que realmente importa. Nunca passámos por isto. Não acontecia nada do género há 100 anos. Acho que é isso. Obrigou-nos a olhar à volta para percebermos o que realmente é importante. Isso aconteceu também com a música ao vivo, que nos foi tirada. Estávamos na estrada quando, de um momento para o outro, tivemos de voltar para casa. Isso leva-nos a apreciar muita coisa que antes tínhamos como garantida".