Massive Attack reagem aos motins da extrema-direita no Reino Unido: "isto deveria ser inimaginável em 2024"
"O racismo violento já está há muito tempo a ferver debaixo da superfície", começa a nota partilhada pelos ingleses.
Ontem, 4 de agosto, os Massive Attack reagiram às manifestações violentas que têm tido lugar em várias cidades britânicas.
Os motins começaram após a propagação de falsos rumores sobre a identidade do jovem de 17 anos que na semana passada atacou, com recurso a uma faca, crianças de uma escola de dança de Southport. O ataque provocou a morte a três crianças, entre as quais uma portuguesa. Há ainda registo de 10 feridos. Os boatos apontavam para que o atacante fosse imigrante e muçulmano, mas, na verdade, trata-se de um jovem nascido no Reino Unido.
Os protestos violentos de extrema-direita e anti-imigração intensificaram-se durante o fim de semana e já levaram a 170 detenções. Ontem, um grupo de manifestantes tentou pegar fogo a um hotel, em Birmingham, que acolhe pessoas que requerem asilo. Há relatos de manifestações violentas em cidades como Liverpool, Manchester, Bristol, Tamworth, Sunderland, Middlesbrough, Hull, entre outras.
Os Massive Attack partilharam um comunicado da Runnymede Trust - instituição britânica que luta pela igualdade racial e pelos direitos civis - para reagir ao que está a acontecer em solo britânico.
"O racismo violento já está há muito tempo a ferver debaixo da superfície", começa a nota. "O que está a acontecer é o resultado direto de anos de normalização do racismo e da islamofobia, facilitada pelos políticos e órgãos de comunicação britânicos", lê-se ainda no texto. "Ao mesmo tempo que os motins de extrema-direita ameaçam mesquitas, intimidam, assediam e usam saudações nazis, nós expressamos solidariedade com as pessoas de cor e com as comunidades muçulmanas em particular".
- Massive Attack (@MassiveAttackUK) August 4, 2024
O comunicado partilhado pelo grupo de Bristol tece ainda críticas ao Primeiro-Ministro britânico, Keir Starmer, e à Ministra do Interior, Yvette Cooper. "Recusam a usar os nomes corretos para descrever o que se está a passar. O que estamos a testemunhar é muito mais que bandidagem, é racismo violento", continua o comunicado.
"Este é o resultado inevitável de anos de islamofobia e de racismo patrocinados pelo Estado, em que os muçulmanos, as pessoas de cor e os migrantes são usados ??como bodes expiatórios como uma distração de décadas de dificuldades económicas e fracassos políticos", acrescenta a nota.
Os Massive Atack atuam no festival MEO Kalorama no próximo dia 29 de agosto - o primeiro dia do festival que vai decorrer no Parque da Bela Vista até ao dia 31 de agosto.
