Medo de contar a Salazar que já não mandava chega aos cinemas esta quinta-feira

"Nos últimos dias de Salazar" instalou-se em São Bento um receio de contar ao ditador português que tinha sido substituído por Marcello Caetano.

“Pai Nosso - Os Últimos Dias de Salazar” estreia esta quinta-feira nos cinemas. O filme conta a história desconhecida do ditador português, que, após ter tido um AVC, acredita que governa, apesar de já ter sido substituído por Marcello Caetano.

A narrativa passa-se no Palacete de São Bento, residência de Salazar, onde se instalou o medo de contar ao ditador que já não estava à frente dos destinos do país. “Eu imagino o que terá pesado nos ombros do médico, da governanta, por exemplo, mas ao mesmo tempo eles vivem essa mentira”, conta o realizador do filme.

Entrevista completa ao realizador do filme

José Filipe Costa diz que este medo que se instalou no final do Estado Novo “é representativo do que foi e do que é o fascismo”: “Uma mentira contada muitas vezes, o medo reproduzido várias vezes, torna-se um medo internalizado”.

O realizador do filme nota também uma contradição nas personagens que rodeiam Salazar: “Por um lado, pessoas seguidoras dos mandamentos de Deus – e um deles é não mentirás, por outro, acabam por contribuir para esta mentira”.