Membros do Sindicato dos Atores ratificam novo contrato com mais proteções anti-IA

O uso de IA pelos estúdios esteve na origem das greves que abalaram Hollywood em 2023.

Os membros do Sindicato dos Atores ratificaram o novo contrato de quatro anos com os maiores estúdios de cinema e televisão, que inclui um aumento salarial e mais proteções contra o uso de inteligência artificial (IA). 

Segundo um comunicado do sindicato SAG-AFTRA, 91,42% dos membros que entregaram os seus boletins votaram a favor do novo acordo com a Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP), que representa a Walt Disney, Warner Bros., Universal Pictures, Paramount Pictures, Sony Pictures, Netflix, Amazon Studios, Apple, ABC, CBS, FOX, NBC e centenas de produtoras mais pequenas. 

“O novo contrato inclui ganhos significativos para várias categorias de membros, protegendo e celebrando a performance humana”, declarou o SAG-AFTRA (Screen Actors Guild - American Federation of Television and Radio Artists).

“Alarga as proteções anteriores contra a IA e réplicas digitais, incluindo novos termos que restringem ainda mais a utilização de [atores] sintéticos, dando proteções adicionais contra a substituição do trabalho dos membro por IA”, acrescentou. 

O uso de IA pelos estúdios esteve na origem das greves que abalaram Hollywood em 2023 e um dos grandes objetivos do sindicato para esta ronda negocial era apertar as condições.

O negociador-chefe, Duncan Crabtree-Ireland, frisou que a meta foi cumprida e que o uso de atores sintéticos “vai manter-se a exceção, e não a regra, na nossa indústria”. 

Os produtores só poderão usar atores sintéticos se eles trouxerem “um valor adicional significativo” em comparação com um ator humano ou com o avatar digital de um ator humano. Desta forma, considera o SAG-AFTRA, o uso de atores sintéticos e de réplicas será limitado a casos especiais. 

Este acordo também aumenta os pagamentos residuais e outras formas de compensação, um ponto saliente na insatisfação dos atores em negociações anteriores. 

“Mais importante ainda, este acordo posiciona os nossos membros para que modelem o futuro deste negócio enquanto protege o valor da performance e criatividade humanas”, referiu o responsável do sindicato, que representa mais de 160 mil profissionais de média, incluindo atores, locutores e modelos.

Críticos do acordo consideram que um contrato de quatro anos é muito longo numa altura em que a IA se desenvolve a grande velocidade. Mas era um objetivo dos estúdios conseguir um contrato mais prolongado, para evitar o tipo de instabilidade que aconteceu em 2023. 

“Este acordo oferece melhorias significativas nos salários, benefícios de pensões e de saúde, direitos de autor e proteção dos artistas”, indicou a AMPTP, em comunicado, onde congratulou o sindicato pela ratificação. 

O presidente do SAG-AFTRA, Sean Astin, também agradeceu aos membros e considerou que o contrato honra a luta dos atores em 2023.

“Os nossos membros sempre compreenderam que proteger o futuro desta profissão significa preparar-se para a mudança antes que ela chegue”, afirmou. “Este acordo reflete esse compromisso e o poder coletivo deste sindicato”, acrescentou.

O contrato, que começou a ser negociado entre o sindicato e os estúdios a 9 de fevereiro, entra em vigor a 01 de julho e será válido até 30 de junho de 2030.

Além da IA, estabelece condições para a fusão do plano de pensões dos produtores SAG e o fundo de reforma AFTRA, algo que ainda não tinha sido feito desde a fusão dos sindicatos, em 2012.