Meta aprovou anúncios que promovem ódio e violência política em plenas eleições indianas

Um relatório da autoria de duas organizações que quiseram testar os mecanismos da empresa dá conta da aprovação imediata de 14 anúncios que não foram sequer reconhecidos como políticos.

A Meta, dona do Facebook e Instagram, aprovou na Índia vários anúncios manipulados por Inteligência Artificial que incitavam à violência religiosa e política e espalhavam desinformação, isto quando o país está em pleno ato eleitoral.

A revelação é feita esta segunda-feira pelo jornal britânico The Guardian que teve acesso exclusivo a um relatório da India Civil Watch International (ICWI) e da Eko, duas organizações que quiseram testar os mecanismos da Meta para detetar e bloquear conteúdo político potencialmente hostil.

Entre os anúncios que não foram detetados pelo filtro da Meta estavam apelos à queima de muçulmanos na Índia - nos quais se liam "vamos queimar estes vermes" -, também linguagem supremacista hindu e informações falsas sobre líderes políticos.

Entre estes últimos estava um apelo à execução do líder da oposição indiana acompanhado de uma alegada mensagem em que este defendia a "eliminação dos hindus da Índia" ao lado de uma fotografia da bandeira do Paquistão.

Ao todo, os autores do relatório submeteram 22 anúncios em inglês, hindi, bengali, gujarati e kannada, tendo 14 deles sido aprovados inicialmente. Depois, houve mais três que receberam luz verde, dizem, após pequenas ajustes que não alteravam o sentido provocatório da mensagem.

Nenhum dos anúncios chegou a ser publicado, uma vez que todos foram removidos pelos investigadores antes de chegarem à fase de distribuição.

Os cinco anúncios rejeitados não cumpriam com a política de comunidade da Meta sobre discurso de ódio e violência, mas os investigadores garantem que os 14 que foram aprovados também não respeitavam essa mesma política.

Os investigadores alegam também que os mecanismos da Meta nem sequer reconheceram estes 14 como anúncios de índole política, o que significa que além de não terem passado pelo sistema de controlo específico para conteúdo político, também podiam violar a lei eleitoral indiana, que proíbe anúncios desta natureza durante atos eleitorais.

A Índia está desde abril e até 1 de junho em plenas eleições, com o futuro do primeiro-ministro Narendra Modi e do partido do Governo a ser votado.