Micro Audio Waves: estreia-se hoje o espetáculo "Glimmer"
O coreógrafo Rui Horta é o co-autor do conceito ao vivo. Digressão arranca nesta sexta-feira em Aveiro.
Os Micro Audio Waves lançam hoje o seu primeiro álbum em mais de 13 anos. O disco intitula-se “Glimmer” e o conjunto de músicas nele agreagados semeia o espetáculo multidisciplinar, com o mesmo nome, que tem também por trás da conceção o coreógrafo Rui Horta.
O itinerário do espetáculo “Glimmer” começa hoje e amanhã no Teatro Aveirense, em Aveiro.
O espetáculo é descrito como “uma experiência única, realista e optimista, que transcende as fronteiras entre tecnologia e humanidade”, num híbrido de várias camadas artísticas. Em palco, além dos Micro Audio Waves, vai estar a bailarina Gaya de Medeiros. Os vídeos são criados por Stella Horta, a arte digital está por conta de Guilherme Martins, David Ventura e Marco Madruga e os figurinos são da autoria da estilista Constança Entrudo.
Os quatro membros dos Micro Audio Waves são a vocalista Cláudia Efe, o guitarrista e programador Flak (que se projetou nos Rádio Macau), o teclista e programador C.Morg e o baixista Francisco Rebelo (desdobrado em numerosos coletivos e uma das cabeças do triunvirato nuclear dos saudosos Cool Hipnoise).
Antes das incontáveis viagens pela estrada fora na carrinha, falámos com Cláudia Efe e Flak. “Glimmer” vai de lés a lés pelo nosso país. Mais tarde, o espetáculo viajará para mais longe.
Como é que surgiu o conceito de “Glimmer”?
Cláudia Efe - O conceito de “Glimmer” apareceu com o conceito do espetáculo. Nós estávamos a pensar dar outro nome ao disco. Mas com o acréscimo de várias pessoas e de várias visões – o Rui Horta, a Gaya de Medeiros ou a Stella Horta nos vídeos – sentimos necessidade de mudar o título. Após uma votação muito renhida, ficou “Glimmer”.
Vocês já não editavam um álbum há muitos anos. E o “Glimmer” é um conceito multidisciplinar, de várias camadas e de diferentes expressões artísticas que envolve muitas gente de várias áreas. Demorou muito tempo completar este bolo de várias camadas? Demorou quanto tempo?
Cláudia Efe - O disco está concluído há um ano e tal. Depois de fechado o disco, começa o processo de pensar o espetáculo. (Seguem-se) os encontros, as programações das residências artísticas, a procura e descoberta de todas estas pessoas para participarem no projeto.
Flak – Começámos a ensaiar em outubro. De outubro a janeiro, estivemos sempre juntos.
O Rui Horta apareceu neste processo quando?
Flak – Há um ano e tal. Quando o disco já estava pronto, a Cláudia propôs-nos falarmos com o Rui Horta, porque gostaria muito de voltar a fazer um espetáculo. Achámos todos uma ótima ideia. A Cláudia telefonou ao Rui e acho que não foi difícil convencê-lo. Tínhamos tido uma ótima recordação dele no Zoetrope.
Este espetáculo atua no som, no espaço, nas mensagens, no movimento do corpo, no que se veste e nos meios audiovisuais. Falta alguma das artes a este espetáculo?
Cláudia Efe – E há ainda a iluminação, que é muito importante.
Flak – E o software.
Cláudia Efe – Na realidade é essa a mensagem que o espetáculo tenta passar: a união de tudo e do todo e de todos. Esse é o melhor caminho. É uma ideia de esperança.
Flak – Juntar os esforços.
Este espetáculo vai ter sempre estes elementos todos em qualquer atuação que dêem?
Flak - Sim, vai ser sempre o mais igual possível, vamos sempre levar todo o equipamento. Vão ser precisas duas carrinhas para levarmos todo o equipamento, dantes só precisávamos de uma.
Cheguei a pensar que era necessário um camião.
Cláudia Efe – É preciso um dia para a montagem. Só conseguimos dar dois concertos em dois dias seguidos porque é no mesmo sítio, porque não dá para atuar numa sexta-feira num sítio e no sábado noutro local.
O disco tem uma consciência ecologista. Qual é a maior ameaça ecológica que as vossas canções vislumbram?
Cláudia Efe - Não diria tanto uma ameaça ecológica, acho que é mais uma ameaça à humanidade. O planeta está aqui há tanto tempo e já se refez tantas vezes, já aniquilou tanta biologia e material orgânico. Acho que o planeta não precisa de nós para nada. A proteger, precisamos de nos proteger a nós próprios, cuidando do sítio onde estamos. A ideia das canções é um olhar de curiosidade, de investigar, de tudo estar em aberto. Há um fascínio pelo desconhecido, a vida é um lugar estranho. Não sabemos bem o que estamos aqui a fazer. Temos muitas palavras para tentar explicar o que é a vida, mas na verdade o que é que é isto. É não nos levarmos pelo desespero do desconhecido, mas antes abraçar o desconhecido e a surpresa, sem os temermos.
É uma atração, sem ser um abismo.
Cláudia Efe - Pode ser uma coisa interessante, que faça brilhar as cabeças, pode estimular a tua mente, o teu corpo e a tua alma.
Flak – É o conceito de antropia. O universo tem tendência a degradar-se, se não colocarmos energia nela. Neste caso, tentamos canalizar energias de uma forma positiva.
As datas ao vivos para já confirmadas de “Glimmer” são estas:
2 e 3 de fevereiro - Teatro Aveirense (Aveiro)
17 de fevereiro - Teatro Municipal de Oure´m
24 de fevereiro - CCC Caldas da Rainha
1 e 2 de março - Teatro Viriato (Viseu)
9 de março - Centro Cultural Vila Flor (Guimarães)
15 de junho - Teatro Jose´ Lu´cio da Silva (Leiria)
12 de outubro - Centro Artes de Águeda
19 de outubro - Casa das Artes Famalicão
26 de outubro - Cine-Teatro Curvo Semedo(Montemor-o-Novo)
31 de outubro - Casa da Música (Porto)
16 de novembro - Teatro Municipal de Bragança
21 a 23 de novembro - Teatro São Luiz (Lisboa)
