Milagres pede socorro: "Por favor, pelo menos nas comunicações, ajudem-nos. Estamos isolados"
Localidades às portas da cidade de Leiria sentem-se isoladas e apelam às empresas de comunicações que lhes garantam pelo menos ligações ao mundo fora dali.
A freguesia de Milagres, em Leiria, pede socorro e apela às empresas de comunicações que garantam ligações móveis. O coordenador voluntário de Proteção Civil da freguesia, José Vale, explica que é preciso garantir a possibilidade de fazer pelo menos chamadas e que se sentem "isolados".
Uma semana depois da passagem da depressão Kristin pela região, as comunicações são feitas apenas por "instantes" e por isso o responsável pede a empresas "como a Vodafone, a MEO e outras" que apoiem com "antenas móveis nos locais das freguesias que estão desamparadas há uma semana sem comunicações".
"Queremos pedir socorro! Não existe nenhuma ligação. Por vezes não temos nada. As ligações estão fracas. Queremos ter acesso pelo menos a comunicações. Aumentaram-nos os dados, mas, sem rede não valem nada, não valem nada", lamenta José Vale, pedindo "por favor" ajuda.
A chamada de apelo partiu do próprio responsável, que ligou para a rádio numa tentativa de amplificar a mensagem da população e "pedir socorro": o aumento do plafond de dados móveis "é uma ajuda, mas inglória".
Além de Milagres, estão limitadas as comunicações na Bajouca, Bidoeira de Cima, Colmeias e outras localidades da zona. Nas chamadas, "não se ouve" a pessoa do outro lado, ou quando se ouve é "muito baixinho".
"Deixamos de ouvir, temos de ligar de seguida e já não conseguimos, já não temos rede. É instável, não há rede, não há comunicações, não há nada", sublinha.
Sem informação também por parte das empresas de comunicações, da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) ou de responsávels de infraestruturas, José Vale repete o apelo: "Liguei para pedir socorro, pelo menos nas comunicações. Ajudem-nos. Estamos isolados."
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
