Milhares manifestam-se por habitação digna no Porto

Protesto juntou pessoas de várias zonas do norte do país e teve apelos à intervenção do Estado.

Resumo IA

• Milhares de manifestantes juntaram-se hoje na Praça D. João I, no Porto, para protestar contra os altos preços da habitação.

• A PSP estimou cerca de 600 manifestantes a sair da Praça da Batalha, mas o número aumentou com a adesão de populares.

• A manifestação integra um movimento mais amplo, com eventos semelhantes em várias cidades e países europeus.

Resumo feito por IA e revisto pela redação da Rádio Comercial

Milhares de manifestantes chegaram hoje à Praça D. João I, no Porto, para se juntarem a outras centenas de populares que aguardavam a manifestação ao som de música, sol e sob a vigilância de dezenas de polícias de intervenção.

Foi pelas 17h15, com a frase de ordem "Direito à habitação" e ao som de batuques, bombos e palmas, que a população recebeu de pé milhares de manifestantes que saíram hoje da Praça da Batalha, no Porto, pelas 16h30.

Em declarações à Lusa, o subintendente da PSP, R. Silva, avançou que saíram esta tarde da Praça da Batalha, no Porto, cerca de “600 manifestantes”, em direção à Praça D. João I, mas a Lusa constatou no local que ao longo do percurso pelas várias artérias do coração da baixa do Porto, se iam juntando várias centenas de pessoas, com destino à Praça D. João I.

Ao som do poema “Pedra Filosofal” (1956), escrito por António Gedeão e cantado por Manuel Freire, e com canções de intervenção e hinos da resistência em Portugal, como músicas de José Afonso e temas como “Com um brilhozinhos nos olhos”, de Sérgio Godinho, várias centenas de populares aguardavam a chegada de milhares de manifestantes que estão hoje na rua a lutar contra os preços elevados da habitação.

À Lusa, Maria Magalhães, 73 anos, nascida em Esposende e que veio viver para o Porto, está vestida de negro, sentada nas escadas da Praça D. João I, à espera dos manifestantes, com quem diz concordar.

“Apelo às pessoas que estão a governar que olhem para este problema da habitação. O custo de vida, as habitações que os jovens não conseguem suportar e não conseguem comprar casa. Não me admira nada que a juventude se esteja a unir para que possam ter um futuro mais digno - constituir família e ter um futuro digno”, declarou.

Foi na Praça D. João I que no dia 15 de outubro se registou uma carga policial que provocou 37 feridos e que foi anunciado estar em investigação pelo Ministério Público.

Na Praça D. João I observam-se dezenas de lonas, colchões, tapetes e mantas arrumadas para a possível acampada esta noite.

A manifestação no Porto junta-se às manifestações que estão a acontecer noutras cidades do país e noutros estados europeus, como Espanha, França, Itália e Bélgica.