Milhares preparam nova acampada no Rossio

Protesto por habitação acessível terminou na Praça do D. Pedro IV onde manifestantes prometem passar a noite.

Resumo IA

• Milhares de manifestantes ocuparam hoje a Praça do Rossio, em Lisboa, pelo direito à habitação.

• A Acampada de Lisboa exige medidas do Governo, como a reversão da lei do arrendamento e o aumento de habitação pública.

• Os protestos vão continuar, com os detidos a serem apresentados a juiz no dia 27.

Resumo feito por IA e revisto pela redação da Rádio Comercial

Milhares de manifestantes pelo direito à habitação ocuparam hoje, desde cerca das 18h30, toda a Praça do Rossio, em Lisboa, e começaram a montar tendas atrás da estátua de D. Pedro IV.

Palco dos protestos promovidos pelo movimento popular Acampada de Lisboa desde o passado sábado, a Praça D. Pedro IV (Rossio) voltou hoje a acolher "um mar de gente" que reivindica soluções do Governo para a atual crise da habitação.

"Oh Montenegro, eu quero ter um salário e uma casa para viver" e "Oh Montenegro, presta atenção, as tuas casas vão virar ocupação", gritaram as milhares de pessoas presentes na praça.

Ao microfone, os porta-vozes da Acampada de Lisboa avisaram que quem trouxe tenda poderia começar a montar atrás da estátua de D. Pedro IV, ficando a parte da frente da praça reserva à concentração para a assembleia popular.

"Vamos criar uma mega acampada no Rossio", apelaram, sendo já visíveis dezenas de tendas montadas.

Tendo por trás uma grande faixa a dizer "greve geral pela habitação", os porta-vozes da Acampada de Lisboa fizeram ecoar palavras de ordem, como "o povo unido jamais será vencido" e "somos muitos, muitos mil, para continuar Abril", "25 de Abril sempre, fascismo nunca mais".

"É acampada, greve geral, ação direta que derruba o capital" e "abaixo o Montenegro que vai cair, vai cair, e viva a acampada a resistir, a resistir", gritaram os manifestantes, referindo-se ao primeiro-ministro, Luís Montenegro (PSD).

Entre a contestação à crise da habitação, também se ouviu "Palestina vencerá".

Ao mesmo tempo, dezenas de jovens erguem cartazes de protesto em cima da estátua de D. Pedro IV.

Antes da assembleia popular, milhares de pessoas participaram na manifestação "Não temos casa, montamos tendas!", que partiu do Marquês de Pombal em direção à Praça do Rossio, onde, desde o passado sábado, a Acampada de Lisboa se tem reunido todos os dias, à exceção de sexta-feira, dia em que se concentrou no Bairro do Condado, para exigir medidas para resolver a crise da habitação.

Nas exigências concretas ao Governo, a Acampada de Lisboa pretende a reversão da lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional e que seja travada a aquisição de habitação por parte de fundos imobiliários.

Além disso, é ainda exigido o aumento de habitação pública, a aplicação de tetos às rendas, além da iniciativa pública de recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais.

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.

A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.

Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.