Ministério vai criar regras para proibir escolas de receber atividades "contrárias aos fins" educativos

Ministro da Educação cita uma investigação do Público, que encontrou 79 escolas públicas que receberam influenciadores que promovem conteúdos sexuais e misóginos.

O Ministério da Educação anunciou esta sexta-feira a criação de um grupo de trabalho para elaborar orientações no sentido de os diretores proibirem atividades contrárias aos fins educativos, após presenças de influencers nas escolas.

O grupo de trabalho, coordenado pelo secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, integra outros representantes do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), dos diretores e encarregados de educação.

A equipa deverá apresentar as conclusões até ao final do mês de março, cabendo-lhe produzir de orientações “relativas ao controlo e à proibição do desenvolvimento de atividades contrárias aos fins visados pelas instituições educativas”.

No despacho divulgado hoje, que aguarda publicação em Diário da República, o ministro Fernando Alexandre justifica a decisão apontando a “crescente diversidade de iniciativas” promovidas nas escolas e sem enquadramento pedagógico que dão origem a “situações suscetíveis de afetar a integridade, a neutralidade e a segurança do espaço escolar”.

O governante refere, em concreto, os casos noticiados pelo jornal Público de 79 escolas públicas que receberam, nos dois últimos anos letivos, influenciadores digitais que promovem conteúdos sexuais e misóginos, no âmbito de campanhas de associações de estudantes.

Na sequência da reportagem do Público, a Inspeção-Geral da Educação e Ciência instaurou um inquérito aos dois diretores de escolas citados pelo jornal.

Segundo Fernando Alexandre, os casos noticiados revelam a necessidade de “clarificar os critérios aplicáveis à admissão destas presenças nas escolas e à autorização para a realização de atividades que fere os valores de cidadania democrática”.

O ministro da Educação considera ainda que as responsabilidades dos órgãos de direção devem ser realçadas, em particular dos diretores escolares a quem – escreve Fernando Alexandre – compete gerir as instalações e assegurar que as escolas cumprem “os princípios da ética pública, da neutralidade institucional e dos valores de cidadania democrática”.

Na quarta-feira, Fernando Alexandre deu conta da intenção de criar este grupo de trabalho e explicou, na altura, que o objetivo é que os "diretores que têm mais dúvidas sobre como devem atuar nestas circunstâncias" possam "proteger o espaço escolar da entrada de entidades ou indivíduos que não têm legitimidade de entrar e que perturbam o processo educativo e a formação das crianças e jovens".