Ministro da Educação contesta leitura simplista dos 'rankings' das escolas

Fernando Alexandre defende que entre escolas públicas e privadas há "uma competição desigual".

O ministro da Educação opôs-se hoje a leituras simplistas do ‘ranking’ das escolas, ao defender que entre escolas públicas e privadas há “uma competição desigual” porque as primeiras trabalham em condições “muito mais difíceis”.

Fernando Alexandre falava hoje de manhã durante uma visita à Escola Secundária José Macedo Fragateiro, no concelho de Ovar, distrito de Aveiro, onde deu uma aula sobre literacia financeira e poupança a cerca de 200 alunos do 7.º ao 12.º ano.

“É uma competição desigual, a das escolas públicas com as privadas”, declarou o governante.

“As escolas privadas fazem um trabalho muito importante na formação, que nós apoiamos e não desvalorizamos, mas por favor nunca comparem (os resultados das duas) para desvalorizar o que é feito na escola pública – trabalho que é realizado em condições muito mais difíceis, porque essas escolas integram muitos alunos com necessidades específicas, têm muitos alunos estrangeiros e fazem um esforço que é pela nossa sociedade e pela nossa democracia”, realçou.

O ‘ranking’ hoje divulgado pela Lusa indica que, entre os quase 600 estabelecimentos de ensino com mais de 100 exames realizados no ano passado, são os colégios privados que têm as melhores médias.

A escola pública mais bem classificada só surge em 38.º lugar da lista, mas Fernando Alexandra argumenta que a ordem dos resultados tem que ser devidamente interpretada.

“Não podemos olhar para os resultados em bruto. A avaliação externa é muito importante, (…) mas a leitura não pode ser feita de forma simplista e crua – temos de ter em conta os contextos, porque as escolas trabalham em situações muito diferentes entre si e, de facto, temos muitas desigualdades em termos territoriais”, afirmou.

Reconhecendo que Norte e o Centro são as regiões com melhores resultados, o ministro justifica os piores desempenhos das escolas de Lisboa, da margem Sul e do Algarve com situações como a sua “dificuldade em atrair professores”.

Fernando Alexandre diz que já tomou medidas para atenuar esse problema, “direcionadas para regiões e escolas”, e propõe-se insistir nelas.

“Disseram-me que ia ser muito difícil os sindicatos aceitarem diferenciação no tratamento de escolas, mas, de maneira geral, com algumas diferenças, todos eles apoiaram – porque, se não houver medidas diferenciadas para situações diferentes, não vamos conseguir resolver o problema”, justificou.

Como principal exemplo disso, o governante apontou o apoio à deslocação de docentes, que diz ser “uma das medidas que está a ter mais efeito” para corrigir assimetrias, já que “beneficia mais de 3.500 professores nas zonas carenciadas e 7.000 no país todo”.

Em causa está uma verba de 500 euros para quem fica colocado a mais de 300 quilómetros da sua morada de residência.

“Não chega”, reconheceu o ministro. “Claramente, teremos de tomar mais medidas, mas essa já permitiu fixar milhares de professores nas zonas carenciadas”, salientou.

Ainda assim, continua a existir “uma dúzia de agrupamentos” onde se regista uma falta de professores “estrutural” e onde essa carência não consegue ser suprimida apenas com recurso a horas extraordinárias.

Ainda assim, Fernando Alexandre salienta que “hoje, ao contrário do que acontecia há dois ou três anos, e apesar de haver carência de professores em algumas escolas, os alunos têm aulas, graças às várias soluções que foram sendo adotadas do ponto de vista legislativo e também pelos estabelecimentos de ensino”.

Para o ministro, todos esses fatores devem assim ser considerados na interpretação do desempenho de cada escola nos exames nacionais de 2025.

“Eu sempre defendi os ‘rankings’, mas também disse que eles têm de ser postos em perspetiva. Qualquer pessoa que faça uma comparação simples entre escolas privadas e públicas sem olhar para o contexto em que elas trabalham está a prestar um mau serviço”, concluiu.