Ministro da Presidência desconhece investigação que envolva Luís Neves
António Leitão Amaro recusa que o Governo esteja em silêncio.
O ministro da Presidência afirmou hoje não ter conhecimento de alguma investigação que envolva o ministro da Administração Interna e recusou que o Governo esteja em silêncio, dizendo que o primeiro-ministro falou no parlamento na quinta-feira.
No final da reunião semanal do Conselho de Ministros, António Leitão Amaro foi questionado sobre as notícias que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves, e disse que o tema não foi alvo de “qualquer deliberação” na reunião, escusando-se a concretizar se o tema foi ou não abordado.
“Eu não tenho nenhuma informação concreta sobre os factos a que aqui referiram nas vossas questões, nem sobre uma investigação, ou alguma investigação, que envolva o ministro da Administração Interna. Não tenho informação de que exista uma investigação que o envolva”, disse.
Questionado se o Governo irá “ficar calado” perante as notícias divulgadas hoje, Leitão Amaro recusou que haja silêncio por parte do executivo.
“O governo falou há menos de 24 horas, o primeiro-ministro falou sobre isto ontem ao final da tarde”, disse.
Na quinta-feira à tarde no debate do estado da nação, Luís Montenegro foi questionado pelo Chega se mantinha a confiança em Luís Neves.
“Se eu mantenho a confiança política no ministro da Administração Interna? Com certeza, senhor deputado, plenamente, plenamente. No senhor ministro da Administração Interna e em todos os ministros e secretários de Estado", afirmou Luis Montenegro.
Hoje, a Polícia Judiciária anunciou que abriu inquérito sobre o reboque apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna, no Alentejo.
O caso foi comunicado ao Ministério Público, que em resposta enviada à Lusa, confirmou também a “existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado ‘Operação Pacoba’”, que se encontra em fase de julgamento.
A polémica teve início na passada sexta-feira, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira uma empresa anteriormente responsável por várias obras na PJ quando Luís Neves era diretor nacional.
Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.
Questionado se estas notícias, aliadas às perturbações no processo de correção dos exames nacionais, podem afetar a imagem do Governo, António Leitão Amaro recusou fazer “um take dois do debate do estado da nação”.
“Mais importante é a avaliação que os portugueses fazem do Estado do seu país e do desempenho e da capacidade do Governo ir respondendo, continuando a baixar impostos, continuando a reforçar a capacidade dos serviços públicos com mais médicos, mais professores, mais enfermeiros, profissionais públicos valorizados, com simplificação e digitalização de processos, mesmo quando a digitalização traz desafios e perturbações”, disse.
O ministro admitiu que, por vezes, existem dificuldades nas reformas, quer “com o tempo que demoram a produzir resultados e a impaciência que se gera”, quer pela negociação com a oposição, quer pelo processo de implementação, como aconteceu no caso da correção digital dos exames.
Questionado sobre as prioridades legislativas do Governo para depois do verão, Leitão Amaro disse que o executivo irá manter o rumo traçado no programa do Governo e mantém a expectativa de que as próximas eleições legislativas apenas se realizem no outono de 2029.
“Não precisamos de chegar ao pós-verão para termos prioridades legislativas aí a aparecer e a concretizar-se, já na próxima semana teremos mais novidades com o envolvimento e o contributo de todos os ministros deste Governo”, frisou.
