Ministro Luís Neves fala esta tarde em conferência de imprensa sobre as polémicas
O ministro vai dar explicações sobre as obras da sua casa em Odemira e do atrelado encontrado em casa do construtor que trabalhou na sua propriedade.
O ministro da Administração Interna dá uma conferência de imprensa hoje às 18:00, numa altura em que Luís Neves está envolvido em várias polémicas.
As declarações do ministro, que vão acontecer nas instalações do ministério da Administração Interna, em Lisboa, surgem depois de Luís Neves ter dito que estava a reunir os documentos que considera importantes no âmbito das obras da sua casa em Odemira e do atrelado encontrado em casa do construtor que trabalhou na sua propriedade.
No dia 17 de julho, a Polícia Judiciária anunciou que abriu um inquérito sobre o atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, em Barcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna.
A direção nacional desta polícia explicou, em comunicado, que "teve conhecimento [a 14 de julho] de que uma galera apreendida, no âmbito de um inquérito relacionado com o tráfico de estupefacientes, havia sido movimentada e parqueada em Barcelos".
Com esta informação, foi instaurado um inquérito "para apurar as circunstâncias da alegada movimentação, que poderia confirmar a prática de ilícitos criminosos", acrescentou a PJ, confirmando que "a galera se encontrava estacionada em Barcelos, atracada a um camião da empresa Construbarcelos" e que, por se tratar de um bem apreendido, ficou "novamente à guarda da Polícia Judiciária, bem como os produtos que a mesma carregava, esclarecendo-se que estes não têm natureza estupefaciente".
No entanto, na terça-feira, segundo a CNN, o diretor financeiro da PJ, Álvaro Pires, terá assumido a responsabilidade pela entrega e guarda provisória do atrelado de droga apreendido em dezembro de 2024 ao construtor de Barcelos.
Questionada pela Lusa sobre esta informação, a PJ disse que "nada mais tem a acrescentar ao esclarecimento do passado dia 17 do corrente mês de julho".
Já a PGR confirmou "a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado 'Operação Pacoba'", tendo acrescentado posteriormente que o inquérito está a cargo do Ministério Público e que, por agora, a investigação não será delegada em nenhum órgão de polícia criminal, que inclui a PJ.
Luís Neves foi dizendo ao longo das últimas semanas estar a reunir os documentos que considerava necessários para esclarecer todas as polémicas, ao mesmo tempo que iam saindo mais notícias sobre o caso do atrelado encontrado em Barcelos.
Segundo o Expresso, a procuradora responsável pela Operação Pacoba terá mandado, através de um despacho, destruir os 62 bidões de produtos químicos em dezembro de 2024, mas este material usado para produção de droga nunca foi destruído e foi encontrado em Barcelos pela PJ, na mesma empresa onde estava o atrelado.
A polémica teve início no dia 10 de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira uma empresa anteriormente responsável por obras na PJ quando Luís Neves era diretor nacional.
Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.
Em resposta por escrito a questões colocadas pela agência Lusa, a Câmara de Odemira disse que está a verificar a legalidade das obras realizadas no imóvel particular de Luís Neves, na freguesia de São Teotónio, esclarecendo que "não está em curso qualquer processo de licenciamento ou comunicação de obras nos prédios" localizados na freguesia de São Teotónio.
