Moçambique aponta desigualdades de países em desenvolvimento no acesso a IA
Governo destaca o elevado potencial da IA para a produtividade agrícola, prestação de cuidados de saúde e acesso à educação.
O ministro moçambicano da Transformação Digital alertou hoje, em Genebra, para riscos de desigualdades globais e marginalização de países em desenvolvimento, face à concentração em poucos países de acesso às tecnologias, em particular a Inteligência Artificial (IA).
O ministro Américo Muchanga falava no Diálogo Global sobre a Governação da Inteligência Artificial, que decorre em Genebra, defendendo uma participação mais equilibrada dos países em desenvolvimento na definição das regras globais para o setor, refere nota do Ministério das Comunicações e Transformação Digitais, divulgada hoje.
“Sublinhou, igualmente, que a transformação impulsionada pela IA deve ser justa, inclusiva e orientada por valores comuns, alertando para o risco de a concentração do acesso às tecnologias e aos recursos de inteligência artificial em poucos países e empresas aprofundar as desigualdades globais e criar um novo fosso tecnológico, marginalizando os países em desenvolvimento”, adianta.
O governante destacou ainda o elevado potencial da IA para impulsionar a produtividade agrícola, melhorar a prestação de cuidados de saúde, expandir o acesso à educação, além de reforçar a resiliência climática, apoiar a preparação e resposta a desastres naturais e modernizar a administração pública, refere o ministério.
Moçambique, disse Muchanga, defende a construção de um ecossistema global de inteligência artificial assente em três pilares fundamentais, entre estes a governação inclusiva “baseada em regras globais que reflitam as realidades, necessidades e aspirações de todos os países, assegurando uma participação efetiva das nações em desenvolvimento nos processos de decisão”.
O segundo pilar, destacou, é o desenvolvimento de capacidades, através do investimento “em infraestruturas digitais resilientes, conectividade acessível, energia fiável, educação de qualidade, literacia digital, investigação científica, inovação e valorização do talento local”.
O governante apontou a confiança, como terceiro pilar para a construção de um ecossistema global de IA, devendo ser garantido que o desenvolvimento e a utilização daquela permaneçam ancorados na dignidade humana, na transparência, na responsabilização, no respeito pelos direitos humanos, na cibersegurança e no cumprimento do direito internacional.
O MCTD refere que, à margem do evento, Américo Muchanga participa igualmente no Fórum da Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação (WSIS Forum 2026) e na Cimeira Global AI for Good 2026, eventos organizados pela União Internacional das Telecomunicações (UIT), em parceria com diversas agências das Nações Unidas (ONU), que reúnem líderes governamentais, organismos internacionais, setor privado, academia e sociedade civil para debater o futuro da transformação digital e da IA.
A participação de Moçambique enquadra-se na disponibilidade do país em trabalhar, em estreita cooperação com os Estados-Membros da ONU e parceiros internacionais, na construção de um futuro da IA que seja “aberto, seguro, inclusivo e centrado nas pessoas”, segundo o ministério.
“O país defende que a IA deve constituir um bem comum ao serviço da humanidade, assente na convicção de que o futuro não pertence apenas a quem desenvolve os algoritmos mais poderosos, mas sobretudo a quem garante que a inovação tecnológica promove a dignidade humana, a justiça social e a esperança para todos”, conclui a instituição pública.
Integram a delegação moçambicana representantes do Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique, do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação e da missão permanente da República de Moçambique junto do Escritório das Nações Unidas e demais Organizações Internacionais.
