Moinhos portugueses estão de portas abertas este fim de semana. Saiba quais e onde
A iniciativa "Moinhos Abertos" decorre durante todo o fim de semana e permite visitar moinhos em 72 municípios portugueses, sempre com entrada livre.
Moinhos de maré, de vento, de água ou até azenhas podem ser o destino de quem os quiser visitar neste fim de semana: são mais de 200 os que estão de portas abertas em 72 municípios do país. As entradas são gratuitas e o objetivo é mostrar que este tipo de construções estão longe de ser ruínas, como explica à rádio o coordenador nacional da iniciativa, Jorge Miranda.
"Quando se vai receber visitas, vai-se limpar as levadas, vai-se limpar o moinho, vai-se lubrificar, vai-se pôr a funcionar o melhor possível. Isso foi um sucesso logo no primeiro ano e todos os anos tem vindo sempre a chegar às centenas de moinhos com este efeito, que é muito, muito benéfico", assinala.
A preparação para estes dias, aponta, chega a envolver aldeias inteiras, e os moinhos beneficiam porque "vão ganhando vida de um ano para o outro".
"Dizem que o nosso povo não se interessa pelas coisas, que as pessoas e as novas gerações andam atordoadas ou que não querem saber de valores ou da identidade e, na verdade, eu não vejo nada disso. O que eu vejo é gente a atravessar o Atlântico ou a sair das cidades para ir limpar moinhos e pô-los a trabalhar", garante.
O difícil vai ser escolher qual visitar, acredita o organizador, que garante que todos dão boas fotografias e nem são difíceis de encontrar, uma vez que para quem siga nas estradas ou autoestradas, muitas vezes bastará "olhar pela janela" para encontrar até, quem sabe, oportunidades para boas fotografias.
"Normalmente os moinhos estão em sítios fantásticos, valem também pela paisagem, mas os próprios moinhos são umas máquinas muito fotogénicas e são todos muito diferentes uns dos outros, isso é que é interessante. Nós temos uma imagem do moinho branquinho com o burro, e o velho, e tal, isso vem até muito do Estado novo e da iconografia que acabou por ficar, mas, na verdade, não é só isso, há muitos, muitos tipos de moinhos", descreve Jorge Miranda.
Só na região do Oeste há "900 moinhos, é uma coisa extraordinária", mas "não é o único sítio onde há moinhos do vento: há do Alentejo até à Figueira da Foz e até ao interior... Ansião, Pombal, enfim, é uma grande quantidade e uma grande variedade."
Em setembro deve haver congresso, em Portugal, da Sociedade Internacional de Molinologia, que até foi fundada por um português, porque há interesse na realidade nacional deste património, que não foi afetada por eventos como as duas Grandes Guerras ou "um Plano Marshall que destruiu muito do que era a paisagem tradicional".
"Tivemos a felicidade de muitos tipos de moinhos que desapareceram já noutros sítios, pela Europa toda, estarem em Portugal. Temos moinhos de maré, uma das maiores concentrações de moinhos de maré é no rio Tejo", assinala.
Estes fins de semana com moinhos abertos são organizados desde 2007 e por eles costumam passar 25 mil a 30 mil pessoas. A iniciativa "Moinhos Abertos" é organizada pela Rede Portuguesa de Moinhos em colaboração com a Sociedade Internacional de Molinologia (TIMS), com os proprietários de moinhos, moleiros, molinólogos e câmaras municipais.
Em 2024, são 219 moinhos e 104 núcleos moageiros, espalhados por 71 municípios, que estão de portas abertas no âmbito da iniciativa da Rede Portuguesa de Moinhos.
Pode consultar a lista de moinhos disponíveis aqui (download de ficheiro PDF).
